06/02/2016 às 08h52min - Atualizada em 06/02/2016 às 08h52min

O carnaval está mudando

Conversamos com alguns organizadores de Carnaval da região para saber o que anda acontecendo com os foliões e os carnavais de QG

região

Parece que o Carnaval da região perdeu força? Ou será que a popularidade e vontade de cair na folia mudou de forma? Conversamos com organizadores de carnavais da região e alguns afirmaram que os bailes de carnaval estão acabando, para outros apenas mudando.   

Antigamente os bailes de carnaval, com muito papel picado, faziam a alegria dos foliões. Atualmente o QG (quartel general) é a base local dos festeiros. Onde eles se reúnem e fazem o popular “esquenta”. Acontece que, cada vez mais os foliões dos blocos de carnaval se “negam” a sair do QG e os bailes perdem seu apelo e principalmente, na opinião dos organizadores, valor comercial.

“O esquenta acabou virando o carnaval. Às vezes é até mais interessante, pois os meninos e meninas já se conhecem, não têm concorrência. O carnaval fica mais escondido”, brinca um dos organizadores do Carnaval de Palma Sola, Douglas Peliser, e também fundador do Bloco Beija Eu, que completa 10 anos em 2016. Na opinião de Douglas o esquenta é interessante, pois os jovens não gastam muito para beber e se divertir. “Você paga uma quantia fechada e ganha um abadá (camiseta) do bloco, mais cerveja liberada sendo que conhece quase todas as pessoas que estão ali. É mais fácil do que ter que sair, pegar ônibus ou carro, para ir para outro município e ainda pagar para entrar numa festa”, argumenta Douglas afirmando que como organizador e não apenas folião, a maior dificuldade é fazer do carnaval um evento lucrativo e assim manter e atrair novos organizadores.

Robson Casotti um dos líderes e fundadores do Bloco Nostragamos, de Anchieta, fundado há 19 anos, conta que há dois anos o grupo não realiza e nem participa de carnavais da região. “Em 2013 e 2014 fomos para Águas de Chapecó, mas foi pouca gente e depois desanimamos”, explica. O Nostragamos já teve até 250 integrantes e realizava eventos durante o ano, fora do carnaval, apenas para arrecadar verba para a época da folia. “O dinheiro da camisa não cobria a estrutura, transporte e bebida. Foi preciso mudar. Contávamos com uns 15 organizadores”, diz.

Para o empresário e fundador do Nostragamos a época de carnaval de baile é um ciclo que está se encerrando “Esquecemos de investir no carnaval regional. Cada bloco e município ficou trabalhando isoladamente e isso enfraqueceu o carnaval. Acredito que um circuito teria funcionado. No entanto não concordo em carnaval depender do poder público. É uma folia e ficou pesado acompanhar a mudança”, comenta Robson explicando que talvez o carnaval regional acabe sendo retomado. “Nosso bloco era autossuficiente, nunca procuramos patrocínio e nem recurso público. Mesmo assim sofremos com a mudança do carnaval”, lamenta Robson se conformando em explicar que os esquentas no QG são o novo ciclo do carnaval.

Como a exemplo de carnaval que era considerado forte e sofreu com a falta de recurso público neste ano temos na região o de São Miguel do Oeste, onde havia desfile de carros alegóricos. Recentemente a Fundação de Cultura do município divulgou que devido à falta de dinheiro o evento foi cancelado. Algo parecido aconteceu com o Carnaval de Marmeleiro-PR, onde o grupo da cidade, Los Caranguejos, irá realizar somente uma folia fechada na boate, Pallazzo, de Francisco Beltrão, com open bar.

É notável que as administrações das Prefeituras da região não estão em condições de patrocinar, ou até mesmo ajudar financeiramente os carnavais de seus municípios. Recentemente o prefeito de São José do Cedro, Plínio de Castro, realizou uma enquete em sua página do Facebook, onde pediu a opinião da população e explicou a atual situação econômica, aonde a redução de repasses aos municípios, principalmente do FPM vem obrigando as administrações a cortar gastos. Na enquete o prefeito pedia se a população era a favor da Prefeitura ajudar com recursos para o carnaval ou destinar a verba para a área de Saúde. Por unanimidade a saúde venceu.

Uma das organizadoras, por anos, do carnaval de Campo Erê, Luciane Gicchini Antonietti, conta que há três anos nenhum carnaval é realizado no Tênis Clube. “Para organizar um carnaval é preciso vestir a camisa, ir atrás dos líderes dos blocos, contratar banda e bebida. Sempre deu muito trabalho, mas valia a pena, pois a casa ficava cheia toda vez”, lembra Luciane que esteve à frente do carnaval de Campo Erê, durante o período em que seu marido, Ayron Antonietti era o presidente da Associação Tênis Clube.

“Contamos com até 10 blocos de carnaval de toda a região. Mais de mil pessoas vinham para cá e isso movimentava as malharias, o comércio todo. Percebo que essa mudança do carnaval não atinge somente nossa região. A folia está ficando diferente. Eu acho uma pena que se perca aquele carnaval de baile, mas é o que está acontecendo”, enfatiza Luciane lembrando que o carnaval é ponto facultativo. Conforme o Diário Oficial da União divulgou neste ano o carnaval que cai nos dias 8, 9 e 10, que inclui a quarta-feira de Cinzas são pontos facultativos.

CARNAVAL é folia, baile, QG ou esquenta. Confira:

 

Palma Sola: O bloco Beija Eu participará na sexta-feira do Carnaval do West Pub, em Anchieta. No sábado haverá esquenta e o tradicional banho de piscina no caminhão, regado a som alto e folia. No domingo o Beija Eu participa da cervejada do Bloco Los Caranguejos, de Marmeleiro. Somente para participantes do bloco e convidados.

Haverá também carnaval para a família a moda antiga. Acontece na segunda, dia 8, a partir das 22h na Palma Sola Piscina Clube, somente para associados. Cada casal de associados poderá levar um casal de não sócio e formar seu bloco de folia.

 

Anchieta: Acontece na sexta-feira, dia 5, o West Folia. Aberto ao público o evento acontece no West Pub e será animado por músicas sertanejas e pagode.

 

São José do Cedro: O bloco Unidos na Fé e na Cachaça fará um carnaval somente para convidados no dia 8, no Camping Lucas. O evento será beneficente, sendo que fazem parte do bloco pessoas de São José do Cedro, Guarujá do Sul, Princesa e Palma Sola.  

O bloco Nois irá pular folia no Clube Santa Rita, somente para convidados. Participam do bloco somente casais. A animação é por conta do cantor Caio Costa, ex-integrante do grupo de pagode Só Pra Contrariar, e depois DJ. A festa acontece dias 5, 6 e 7.

O bloco Cercando o Galo pula carnaval de forma intensa dos dias 5 até 9. A folia acontece ao lado da Biscaia, no centro da cidade, com som automotivo. Somente convidados e participantes do bloco podem participar. Haverá chopp e churrasco.

Acontece no Camping Rio das Flores, na linha Santa Terezinha, o Rock Solidário de Carnaval. O evento é aberto ao público e acontece dias 6 e 7. O valor do ingresso é de R$ 30 na hora para os dois dias, e R$ 15 no domingo. Tem que levar alimento não perecível que será doado a Aprisco.

 

Marmeleiro: O bloco Los Caranguejos irão participar de uma folia fechada no clube Pallazzo, de Francisco Beltrão. No entanto acontecerá um carnaval organizado pela Associação Aquática Amigos de Marmeleiro (Samar), e aberto ao público, no Ginásio Volnei Pires, da cidade de Marmeleiro. Na sexta tem baile com Balanço Latino, sábado festa com Os Capitais; domingo tem Alex Dias e Banda Marcos e Flávio e na segunda Banda Mercosul. O valor é R$ 60 para os quatro dias e R$ 20 antecipado para cada dia.

 

Conforme informações das Prefeituras e líderes dos blocos de carnaval nos demais municípios não haverá folia. 


Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »