O "pino da granada" foi puxado na última quarta-feira, dia 11, durante um evento em Florianópolis-SC. Em entrevista a Soledad Urrutia, colunista do portal Upiara.net, Topázio Neto (PSD) [prefeito de Florianópolis] confirmou o posicionamento para as próximas eleições. "Eu fico no PSD, não tenho prazo para sair, tenho muitos amigos no partido, mas vou participar da campanha do governador Jorginho Mello (PL) em tudo o que ele precisar. Não é segredo para ninguém que ele é o meu candidato a governador. Vou apoiá-lo na reeleição e em tudo aquilo que ele achar que posso contribuir, estarei à disposição", declarou.
A reação foi instantânea, e no grupo de WhatsApp do partido, João Rodrigues (PSD) [prefeito de Chapecó-SC e pré-candidato a governador de SC] cobrou a expulsão do prefeito da capital.
Na última sexta-feira, dia 13, o pré-candidato também respondeu publicamente ao desafeto: “A gente esperava que, nesse processo, o prefeito da capital devolvesse a lealdade que tivemos com ele. Mas para resolver os problemas financeiros da cidade, ele se entrega ao governador para conseguir convênios, trai seus princípios e trai o partido de que faz parte. Até agora vínhamos tolerando”, rebateu Rodrigues.
PSD expulsa Topázio do partido
O prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), confirmou na última sexta-feira, dia 13, a pré-candidatura ao governo de Santa Catarina, em resposta ao prefeito de Florianópolis, Topázio, que declarou apoio ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello.
“A partir do trabalho em Chapecó, ele [Rodrigues] conquistou a simpatia do catarinense e até o apreço nacional em função de seu posicionamento. Portanto, com respaldo do presidente nacional, Gilberto Kassab, quem estiver no PSD estará no projeto liderado por João Rodrigues", declarou o presidente estadual do PSD Eron Giordani.
A crise no PSD catarinense escalou após o cacique Jorge Bornhausen criticar a “impetuosidade” de Rodrigues e sinalizar que ele poderia renunciar à pré-candidatura ao governo, permanecendo no comando da cidade do oeste catarinense.
“Acho que ele tinha potencial para se eleger e ser um bom administrador, mas não contém a sua impetuosidade, infelizmente”, disse Bornhausen, após encontro com Kassab. Ele defende o presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Júlio Garcia (PSD), e o ex-prefeito de Blumenau Napoleão Bernardes (PSD), como nomes para a disputa contra Jorginho Mello.
Com moderação, o prefeito de Chapecó rebateu o ex-governador e ex-senador Bornhausen, considerado uma das principais lideranças da tradicional direita catarinense: “É o último dos moicanos e temos que respeitar. Com 90 anos, tem uma cabeça que é um espetáculo, sabe conversar e articular, mas vive o seu tempo da política. O momento atual mudou muito em relação ao que era anos atrás”.
Rodrigues será pré candidato a governador
A confirmação da pré-candidatura de João Rodrigues, que deixará a prefeitura de Chapecó no próximo dia 21, revelou a insatisfação da executiva estadual com Topázio Neto. Segundo Eron Giordani, o prefeito da capital teria se distanciado das bases do partido.
"O partido passou as eleições municipais de 2024 com muita dificuldade, com o PL tentando colar a imagem de que quem não era '22', era de esquerda. Nessa eleição, tivemos apoio da executiva nacional para destinar mais de 30% do fundo eleitoral de Santa Catarina exclusivamente para a eleição de Florianópolis. Enquanto isso, 65 de 90 candidatos que o partido teve não receberam sequer um centavo", cobrou.
Para o presidente estadual do PSD, Topázio Neto deveria ter sido fiel ao grupo político a qual pertence: "Fizemos inúmeros encontros pelo estado e nunca contamos com a presença dele. [...] Vimos o prefeito escalando seu chefe de gabinete para disputar a eleição para deputado estadual pelo Podemos e tentando desmobilizar a chapa de possíveis aliados", declarou.
Procurado pela Gazeta do Povo, o prefeito Topázio Neto não se pronunciou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para seu posicionamento.