A queda nas temperaturas registrada na noite da última terça-feira, dia 23, chamou a atenção dos moradores de Palma Sola, principalmente das comunidades do interior. Os termômetros chegaram a marcar 1ºC, provocando formação de geada e trazendo preocupação para quem depende da rotina no campo.
Na propriedade da interiorana Joicy Pauletti, o frio intenso significou uma noite de cuidados redobrados com os animais e apreensão com as plantações. Ela registrou imagens do momento em que a geada cobriu a propriedade e contou como foi lidar com as baixas temperaturas: “Morar na roça é sempre essa preocupação, com os bichos e com a plantação. O inverno é uma época bem difícil para os animais. Mantemos os cavalos fechados durante a noite para evitar que tenham contato com a geada intensa”, relatou.
Segundo Joicy, antes de descansar, a rotina é verificar se todos os animais estão protegidos. Já em relação às plantações, a situação é mais difícil de controlar, já que não há como proteger completamente contra o gelo: “A plantação não existe uma forma de cobrir ou proteger do frio e do gelo completamente. Quando se sabe que a previsão é geada, se perde o sono e o medo toma conta. No outro dia é acordar e contabilizar as perdas”, destacou.
Para ela, o inverno no campo exige dedicação diária e atenção constante. “Eu sempre falo que o campo é cruel no inverno, porque a luta é diária, desde a alimentação das criações até o pasto dos cavalos. O jeito é acordar e lutar todos os dias contra o frio e o gelo para tentar deixar os animais mais seguros possível”, afirmou.
Além dos cuidados durante a noite, Joicy concilia a rotina da propriedade com o trabalho na cidade. Ela define o sítio como um “terceiro turno” e explica que a organização é essencial para conseguir manter todas as atividades. “O serviço está lá, não importa o cansaço, o frio ou qualquer outra situação. No fim de semana deixamos toda a alimentação dos animais pronta para a semana, e ao chegar do trabalho ainda tem que tratar todos os animais e garantir que tudo esteja em ordem”, contou.
Ela lembra que a dedicação ao campo muitas vezes exige abrir mão do descanso. “Já tive situações de doença em que fiquei até uma hora da manhã acordada cuidando e no outro dia tinha que levantar e trabalhar”, relatou.
A interiorana Eliziane Appio, popularmente conhecida como Baxinha, comentou sobre os desafios enfrentados pelos agricultores durante os períodos de frio intenso. Segundo ela, apesar das dificuldades, o clima chegou em um momento considerado positivo para algumas culturas. “Não é muito fácil, mas é a época de vir o frio. Nós ficamos contentes por vir na época certa, porque já perdemos plantação por dar geada tarde. Nós temos os perrengues do dia a dia, a criação sofre, mas temos que enfrentar”, disse.
Baxinha destaca que o inverno é um período em que muitos agricultores sentem o peso da rotina, mas permanecem no campo por dependerem da atividade rural. “Eu sempre digo que é a época que todo agricultor pensa em abandonar, porque ir atrás das vacas no pasto, é frio, se molha muitas vezes e fica até doente. Mas assim mesmo não abandona, porque é dali que vem o sustento”, afirmou.
Ela explica que, para algumas culturas, o frio é necessário. “Nós nessa época temos trigo plantado e esse clima frio e com geada é bom, o trigo gosta desse clima”, completou.
Com a continuidade das baixas temperaturas, moradores do interior seguem atentos aos impactos da geada, principalmente nas lavouras e na criação de animais, atividades diretamente afetadas pelo inverno.