A doação de sangue continua sendo um dos gestos mais simples e importantes para salvar vidas. Além de abastecer os estoques dos hemocentros, cada bolsa coletada pode beneficiar até quatro pacientes que dependem de transfusões para enfrentar cirurgias, acidentes, tratamentos oncológicos e outras emergências.
A técnica de enfermagem Ernani Pedroso de Castro destaca que, antes da doação, é realizada uma triagem inicial para verificar se o voluntário atende aos critérios necessários. Segundo ela, algumas condições de saúde, doenças autoimunes e o uso de determinados medicamentos podem impedir temporariamente ou definitivamente a doação: "Depois dessa avaliação inicial, o doador ainda passa por uma entrevista com o médico no Hemocentro de Francisco Beltrão-PR, onde são feitas outras perguntas para garantir a segurança tanto de quem doa quanto de quem vai receber o sangue", explica.
Ela ressalta que a sinceridade durante esse processo é fundamental. Caso uma pessoa omita alguma informação importante, a bolsa de sangue poderá ser descartada, gerando desperdício de tempo, trabalho e de um recurso que poderia salvar vidas: "Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro pessoas. Tem muita criança e muitos pacientes que dependem dessas doações. Por isso, é tão importante que quem vá doar esteja apto e responda tudo corretamente durante a triagem", afirma.
Um gesto que pode fazer a diferença
Mesmo sem poder doar sangue por não atender aos critérios de peso, Ernani incentiva quem está apto a se tornar doador: "Às vezes a gente quer ajudar alguém e não consegue. Mas com uma bolsa de sangue você pode salvar até quatro vidas. É um gesto fantástico. Hoje você pode estar ajudando um desconhecido, mas amanhã pode ser um familiar ou até você precisando desse sangue."
Ela destaca que a região conta com uma boa organização no encaminhamento de doadores para o Hemocentro e que o compromisso da população tem sido essencial para manter os estoques abastecidos.
Segundo Ernani, todos os dias pessoas de diversos municípios são encaminhadas para realizar doações, além daqueles que fazem o agendamento diretamente junto ao Hemocentro.
Cadastro de doadores de medula óssea
Além da doação de sangue, Ernani chama a atenção para a importância do cadastro de doadores de medula óssea. Pessoas dentro da faixa etária permitida podem se cadastrar por meio de uma simples coleta de sangue, que fica registrada em um banco de dados nacional.
Ela conta que realizou seu cadastro e espera, um dia, poder ajudar alguém caso haja compatibilidade: "O sistema cruza diariamente os dados de quem está cadastrado com os pacientes que precisam de transplante. Quanto mais pessoas cadastradas, maiores são as chances de encontrar um doador compatível."
A técnica explica que existem duas formas de realizar a doação de medula quando há compatibilidade: por aférese, procedimento semelhante à doação de sangue, ou por meio de coleta cirúrgica da medula óssea. Em ambos os casos, todo o acompanhamento médico e os custos do procedimento são cobertos.
Para Ernani, tanto a doação de sangue quanto o cadastro para doação de medula representam oportunidades de oferecer uma nova chance de vida a quem enfrenta doenças graves: "Se você puder fazer esse gesto, faça. Você pode não conhecer quem será beneficiado, mas estará dando esperança para alguém que luta pela vida."