Entre linhas e remendos, Teresinha costura uma história de superação

Após enfrentar um grave acidente, dificuldades financeiras e recomeços, a sulflorense Teresinha Farias, transformou os consertos de roupas em uma fonte de renda

Por Ruthe Kezia

A história da sulflorense Teresinha Farias, não é marcada por grandes feitos ou acontecimentos extraordinários. É a trajetória de uma mulher comum, construída com trabalho, perdas, recomeços e muita persistência. Natural da Linha São Bento, interior de Salgado Filho-PR, ela mora em Flor da Serra do Sul desde 24 de outubro de 1998, e aos 58 anos, continua encontrando na costura uma forma de complementar a renda e seguir em frente.

Antes de chegar ao município, Teresinha trabalhava na agricultura. Sem experiência em outra profissão, conseguiu emprego em uma empresa de confecção, onde permaneceu por 14 anos. Depois passou por outra empresa do setor até decidir buscar uma oportunidade em Francisco Beltrão-PR.

Foi durante esse período que sua vida mudou. Pouco tempo depois de começar em um novo emprego, sofreu um grave atropelamento enquanto atravessava a rua. O acidente deixou sequelas que permanecem até hoje, como problemas na cabeça e um desvio no nariz provocado pela fratura da cartilagem.

De volta à Flor da Serra do Sul, enfrentou outro desafio, a dificuldade para retornar ao mercado de trabalho. Segundo ela, passou cerca de dois anos e meio sem conseguir emprego e aguardando a definição da situação junto ao INSS. Ao fim do processo, recebeu aposentadoria definitiva.

Mesmo aposentada, Teresinha explica que o benefício não é suficiente para cobrir todas as despesas. Foi então que surgiu uma nova oportunidade. Com a ajuda do filho, que mora nos Estados Unidos, ela conseguiu comprar as primeiras máquinas de costura e começou a fazer consertos em casa. Há cerca de quatro anos, montou um pequeno espaço para atender clientes.

Sem formação específica na área, aprendeu praticamente tudo sozinha. O conhecimento adquirido nas confecções serviu como base, mas foi em casa que desenvolveu as técnicas para desmontar, ajustar e remontar as peças de roupa.

Hoje realiza barras, troca de zíperes, ajustes em vestidos, calças, jaquetas e diversos outros reparos. O trabalho exige paciência e atenção aos detalhes, principalmente em peças mais complexas, que podem levar horas, ou até dias, para serem concluídas.

Apesar da dedicação, ela afirma que o retorno financeiro nem sempre acompanha o esforço. Além do custo com linhas, óleo para as máquinas, energia elétrica e materiais, ainda enfrenta situações em que clientes retiram as peças e não efetuam o pagamento.

Outro desafio é a falta de previsibilidade. Em alguns períodos o movimento aumenta, especialmente com a troca de estação, quando muitas pessoas retiram roupas guardadas e procuram pequenos reparos. Em outros meses, o serviço praticamente desaparece.

Mesmo assim, Teresinha não desanima. Ela conta com o apoio do filho que mora com ela, com quem divide as despesas da casa, e segue trabalhando dentro das limitações impostas pela saúde. Além das sequelas do acidente, convive atualmente com problemas de pressão e episódios de tontura, fatores que a fizeram deixar de lado o sonho de produzir roupas para se dedicar apenas aos consertos. Questionada sobre o futuro, responde com simplicidade. Diz que tudo depende da saúde e da vontade de Deus, mas espera continuar lutando enquanto puder.

Sem buscar reconhecimento ou protagonismo, Teresinha representa tantas outras pessoas que transformam pequenos trabalhos em grandes demonstrações de perseverança. Entre linhas, agulhas e remendos, Teresinha segue costurando não apenas roupas, mas uma história construída pela coragem de recomeçar sempre que a vida exige.

 

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