Da dor à liderança: a trajetória de superação de Welinton Antunes da Silva
Após presenciar o assassinato da mãe aos oito anos, Welinton transformou a dor em força, encontrou na corrida um propósito e hoje inspira pessoas por meio da liderança e do esporte
Welinton Antunes da Silva transformou uma infância marcada pela dor em uma trajetória de liderança, superação e inspiração, usando sua história para motivar pessoas dentro e fora das empresas.
A vida de Welinton Antunes da Silva poderia ter sido marcada apenas pela tragédia. Até os oito anos de idade, Welinton acreditava viver uma infância comum. A família levava uma rotina aparentemente normal. A mãe era a principal responsável pelo sustento da casa, trabalhava, fazia artesanato e buscava garantir uma boa condição para a família. O pai cuidava das tarefas domésticas. Apesar das discussões motivadas pelo ciúme excessivo, Weliton conta que nunca presenciou agressões físicas contra a mãe e, como qualquer criança, via os dois como suas referências dentro de casa.
Mas o que parecia uma família comum mudou completamente em questão de minutos. Em um único dia, o ciúme e a violência romperam qualquer sensação de segurança. Diante dos olhos do filho, o pai assassinou a esposa com cinco tiros, dizendo: “Agora pode ir abraçar a sua mãe pia, agora ela está morta”. A cena interrompeu de forma brutal a infância de Welinton e transformou para sempre o rumo de sua vida: "Foi tudo muito rápido. Em um instante eu tinha uma família e, no outro, tudo havia acabado", relembra ao contar que aquela lembrança permanece viva em sua memória, e que poderia ter definido seu futuro. Em vez disso, tornou-se o ponto de partida de uma história de superação, disciplina e propósito.
Natural de São Lourenço do Oeste-SC, Welinton foi criado pelos avós maternos, que assumiram sua criação após a morte da filha. Durante três anos, passou por acompanhamento psicológico para lidar com o trauma, passou dificuldades, até porque na época a sua mãe era a única que tinha uma renda fixa, entre tantas outras situações que teve que passar na sua infância. Porém o que nunca lhe faltava era o amor, carinho e cuidado que seus avós tinham com ele. Hoje, aos 25 anos, afirma que a dor não desapareceu, mas ganhou um novo significado: "Hoje isso é força para mim. Eu uso a minha história para transformar a vida de outras pessoas", resume.
Desde cedo, decidiu que não permitiria que as circunstâncias determinassem quem seria. Aos 13 anos participou do programa Vereador Mirim, em São Lourenço do Oeste-SC, experiência que considera um divisor de águas. Foi vice-presidente da legislatura, conheceu o funcionamento dos poderes públicos, recebeu formação em oratória, ética e cidadania e descobriu o gosto pela liderança.
Aos 16 anos ingressou na DASS como jovem aprendiz. A rotina exigia esforço diário. Saía de casa ainda de madrugada, trabalhava durante o dia e estudava à noite. Muitas vezes precisava deixar a escola antes do fim das aulas para conseguir transporte até a comunidade onde morava, chegando em casa perto da meia-noite.
O esforço foi recompensado. Após o período como jovem aprendiz, assumiu cargos de liderança dentro da empresa, passou por diferentes funções, trabalhou na matriz, em Saudades-SC, e viajou por unidades da companhia no sul do país. Depois de retornar a Campo Erê, assumiu a gerência da unidade, cargo que ocupa atualmente há quase um ano.
Paralelamente à carreira profissional, encontrou na corrida uma nova forma de reconstruir a própria vida.
O esporte começou como um desafio pessoal, pois estava acima do peso, mas rapidamente se transformou em paixão. Com orientação especializada, evoluiu, conquistou resultados expressivos em provas regionais e nacionais e passou a enxergar que cada atleta carrega uma história diferente: “A corrida é onde o corpo cansa e a mente descansa”, comentou.
Para ele, a corrida deixou de ser uma busca por medalhas e passou a representar transformação: "Nem tudo é sobre tempo ou pódio. É sobre a história que cada pessoa carrega e o quanto ela conseguiu superar."
Essa visão deu origem ao DASS Runners, grupo que hoje incentiva dezenas de pessoas a adotarem hábitos mais saudáveis por meio da corrida. Embora organize o grupo e incentive os participantes, faz questão de destacar que os treinamentos específicos são elaborados por profissionais de Educação Física, enquanto sua missão é motivar, orientar e fortalecer o espírito coletivo.
Além da atuação profissional e da dedicação ao esporte, Welinton mantém forte envolvimento com ações sociais e voluntárias, atuou por cerca de quatro anos como bombeiro comunitário, experiência que considera fundamental para seu crescimento pessoal e pretende voltar a atuar nos próximos meses. Atualmente cursa Gestão de Recursos Humanos, participa do Núcleo do Jovem Empreendedor e já planeja iniciar uma graduação em Educação Física, unindo ainda mais sua atuação profissional ao esporte. Além das inúmeras ações sociais que realiza juntamente com os grupos de corridas em que participa.
Na liderança da empresa DASS, procura aplicar os ensinamentos construídos ao longo da vida. Defende que um líder precisa servir às pessoas e compreender as dificuldades de cada colaborador: "Se a dor deles não me comove, eu estou sendo um líder errado. Eu estou aqui para servir."
Mesmo ocupando uma posição de destaque, faz questão de reconhecer quem esteve ao seu lado desde o início: os avós, além de atribuir todas as suas conquistas e sua força de continuar lutando dia após dia a Deus. Segundo ele, foram eles que lhe deram estrutura para seguir em frente, mesmo sem compreenderem completamente a dimensão das conquistas que ele alcançava.
Ao olhar para o passado, Welinton diz que não procura respostas para tudo o que aconteceu. Prefere acreditar que cada dificuldade fez parte de um propósito maior.
Sua história mostra que a superação não significa esquecer o passado, mas encontrar forças para transformá-lo em combustível. Welinton passou a compartilhar sua trajetória em palestras motivacionais. Utilizando a própria história de vida, marcada pela perda da mãe ainda na infância e pela superação das dificuldades, hoje ele inspira colaboradores, corredores e jovens a acreditarem que, independentemente do ponto de partida, sempre é possível construir um novo caminho.
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