Após enfrentar duas epidemias de dengue nos últimos anos, em 2026 nenhum caso da doença foi confirmado em Palma Sola, resultado atribuído ao trabalho contínuo de monitoramento, ações preventivas e à colaboração da população no combate ao mosquito Aedes aegypti.
De acordo com a enfermeira e coordenadora do programa de controle do Aedes aegypti, Edite Cirino, o município mantém vigilância permanente para evitar novos surtos. O histórico demonstra a evolução da doença ao longo dos últimos anos: foram 41 casos positivos em 2020, nove em 2021, 12 em 2022, sete em 2023, 327 casos em 2024 e 55 em 2025.
Segundo ela, o ano de 2024 foi o mais crítico, quando o município decretou epidemia após o aumento de casos importados e contraídos dentro do próprio município: “Foi um período de grande sobrecarga para o sistema de saúde. Intensificamos os atendimentos aos pacientes com sintomas, realizamos mutirões de limpeza, aplicação de inseticida, campanhas de conscientização e suspendemos parte dos atendimentos de rotina, para priorizar o enfrentamento da dengue. Felizmente conseguimos controlar a situação e não registramos nenhum óbito”, destacou Edite.
Ela explica que o acompanhamento do paciente começa antes mesmo da confirmação laboratorial. Assim que o médico identifica sintomas compatíveis com dengue, a equipe realiza a notificação, coleta de exames, orienta o uso do repelente e inicia a investigação dos locais frequentados pela pessoa: “As agentes de saúde visitam a residência, o local de trabalho ou estudo, para eliminar possíveis criadouros e interromper a cadeia de transmissão. Quando o caso é confirmado, é realizada a aplicação de inseticida nas áreas onde o paciente permaneceu por mais tempo”, explicou.
Desde março deste ano, o município passou a utilizar um novo sistema de monitoramento, considerado mais eficiente pelas equipes de vigilância. A agente de combate às endemias Jeisi de Fátima Barbosa, explica que atualmente são 51 armadilhas distribuídas entre a cidade e o interior, sendo 44 na área urbana e sete na zona rural. As armadilhas permanecem instaladas durante alguns dias e são recolhidas mensalmente para análise: “Até agora não encontramos nenhum ovo do mosquito nas armadilhas. Caso sejam identificados, o sistema gera automaticamente um mapa de calor indicando as áreas prioritárias para visitas e ações de combate”, explicou.
O novo método permite concentrar o trabalho nas regiões de maior risco, tornando as ações mais direcionadas e eficazes. Conforme a agente de combate às endemias Vanessa Redemsk, anteriormente era necessário percorrer praticamente toda a cidade. Agora, as equipes atuam conforme os resultados das armadilhas.
Mesmo com o cenário controlado, a Secretaria de Saúde reforça que a prevenção depende principalmente da participação da comunidade.
A orientação é dedicar pelo menos 10 minutos por semana para vistoriar o quintal, eliminar recipientes que possam acumular água e verificar calhas, ralos, vasos de plantas, pneus, garrafas e outros objetos: “As pessoas muitas vezes acreditam que o mosquito não se reproduz em uma tampinha de garrafa, mas isso acontece. São atitudes simples que fazem toda a diferença para evitar novos focos e proteger toda a comunidade”, reforçou Jeisi.
A equipe lembra que embora o município esteja sem casos confirmados neste ano, o Aedes Aegypti continua presente e a manutenção dos cuidados é essencial para impedir uma nova epidemia.