O advogado Cleto André Marodin foi preso na manhã da última segunda-feira, dia 27 de julho. Servidor da Câmara Municipal de Vereadores de Palma Sola, ele é investigado por suposta prática de crimes envolvendo adolescentes. A investigação tramita em segredo de Justiça.
A reportagem do Jornal Sentinela conversou com o delegado responsável pelo caso, Victor Hugo Andrade Valência, que não se pronunciou oficialmente sobre a investigação específica desse caso. O delegado reforçou a necessidade de que o inquérito permaneça em segredo de Justiça por envolver menores de idade, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Embora delegado e polícia civil não deram nenhum esclarecimento específico sobre este caso, no município de Palma Sola este é o assunto que mais se comenta.
O Jornal Sentinela também conversou com o pai de uma das supostas vítimas. Visivelmente abalado, ele preferiu não tratar do assunto publicamente, mas afirmou que a família espera que a Justiça esclareça os fatos e adote as medidas cabíveis.
O que se sabe até o momento
Na manhã de segunda-feira, dia 27, a Polícia Civil cumpriu dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária contra o advogado Cleto André Marodin. Inicialmente, os policiais estiveram na residência do investigado e, em seguida, no seu local de trabalho, na Câmara Municipal de Vereadores de Palma Sola.
Nos dois locais foram apreendidos computadores, notebooks, celulares e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por perícia.
Por se tratar da prisão de um advogado, um representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanhou o cumprimento das medidas para garantir as prerrogativas da profissão e o devido processo legal.
Na segunda-feira, Cleto foi encaminhado ao Presídio Regional de São José do Cedro. Na quarta-feira, foi transferido para o Complexo Penitenciário de Chapecó, onde há cerca de 3,4 mil presos.
A defesa do advogado é feita por seu filho, o advogado Bruno Marodin. Procurado pelo Jornal Sentinela, nesta quinta-feira, ele redigiu a seguinte nota à imprensa.
O que diz a defesa
A defesa técnica do investigado informa que acompanha de maneira atenta e diligente o desenrolar das investigações conduzidas pela Autoridade Policial.
Ressalta-se que o investigado tem colaborado integralmente com todas as determinações policiais e disponibilizado as informações e esclarecimentos necessários para a elucidação completa e célere dos fatos — medida que é de seu absoluto e maior interesse.
A defesa reafirma a confiança nas instituições e no devido processo legal, destacando que a garantia constitucional da presunção de inocência deve ser rigorosamente respeitada ao longo de todo o procedimento, impedindo julgamentos antecipados.
Por fim, em respeito ao sigilo legal imposto aos autos e ao regular andamento das apurações, a defesa não emitirá novos comentários específicos sobre o teor dos fatos neste momento.
Nota oficial da Câmara
Também na quarta-feira, a Câmara Municipal de Vereadores de Palma Sola divulgou uma nota oficial informando que tomou conhecimento da prisão de um servidor e que solicitou às autoridades competentes acesso às informações sobre o caso para, posteriormente, adotar as providências administrativas cabíveis.
Caso os fatos sejam confirmados pela Justiça e haja condenação definitiva, o servidor poderá perder o cargo de advogado da Câmara por meio de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), observados o devido processo legal e a ampla defesa.
O que é uma prisão temporária
A prisão temporária é uma medida prevista em lei para auxiliar as investigações de determinados crimes. Nos casos de crimes hediondos ou equiparados, ela pode durar até 30 dias, podendo ser prorrogada por igual período, desde que haja decisão judicial fundamentada.
Ao término do prazo, o investigado deve ser colocado em liberdade, salvo se a Justiça decretar sua prisão preventiva. Diferentemente da prisão temporária, a preventiva não possui prazo determinado, mas deve ser reavaliada pelo juiz a cada 90 dias, conforme estabelece a legislação.