Marcelino Grimm, uma vida dedicada a Medicina
Em 46 anos de atuação, médico de Guarujá do Sul construiu uma trajetória marcada pelo atendimento humanizado, empreendedorismo, dedicação à comunidade e continuidade da profissão na família
Marcelino Grimm mantém, aos 73 anos, a dedicação à Medicina que marcou sua trajetória de 46 anos, atendendo pacientes e contribuindo para a saúde de Guarujá do Sul e da região.(Foto: Divulgação)
Aos 73 anos, o médico Marcelino Grimm mantém uma rotina que pouco combina com a ideia de aposentadoria. Depois de 46 anos de trabalho, ele reduziu o ritmo, mas continua atendendo pacientes e atuando principalmente nas áreas de Medicina do Trabalho e Clínica Médica na Clínica Laborgrimm, em Guarujá do Sul.
Nascido em 21 de abril de 1953, em Campina das Missões-RS, Marcelino é filho de Nathaniel Benedito Grimm e Alderica Grimm. Ainda jovem, mudou-se com os pais para Guarujá do Sul, município onde construiu sua vida pessoal e profissional. Formou-se em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e iniciou sua atuação no município no início dos anos 1980.
Ao longo da carreira, buscou constantemente aperfeiçoamento. Entre as formações de maior destaque estão a especialização em Medicina do Trabalho, onde possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE), realizada na PUC-RS, e o curso de Perícia Judicial. Também se especializou em Geriatria, área que continua presente em sua atuação clínica. Além do ter feito o Protocolo Coimbra, um curso intensivo em São Paulo-SP realizado pelo Dr. Cícero Coimbra.
A relação com a Medicina do Trabalho ganhou força ao longo dos anos e levou à criação da Clínica Laborgrimm, que possui mais de duas décadas de atuação. A estrutura nasceu a partir da crescente procura das empresas por profissionais habilitados para realizar exames admissionais, demissionais e periódicos. Atualmente, a clínica atende cerca de 250 empresas de Guarujá do Sul e municípios da região.
Uma carreira além do consultório
A trajetória de Marcelino passou por diferentes instituições de saúde do Extremo Oeste catarinense e do Sudoeste do Paraná. Ele participou da Administração e Gestão de hospitais, clínicas e empreendimentos voltados à saúde, além de atuar como médico perito do INSS durante cerca de uma década.
Como perito, fazia diariamente o deslocamento de Guarujá do Sul a São Miguel do Oeste-SC, saindo de casa ainda de madrugada para cumprir a jornada e, depois, retornar ao município e continuar os atendimentos. Atualmente, está aposentado da função de perito, mas segue trabalhando como perito judicial.
Paralelamente à Medicina, Marcelino se envolveu com o setor produtivo. Manteve investimentos ligados à agricultura, suinocultura, avicultura, produção de leite e criação do bicho-da-seda. Também teve participação na idealização, construção e funcionamento do Frigorífico de Guarujá do Sul, contribuindo para a geração de empregos diretos e indiretos.
Um médico que acompanhou gerações
Para a esposa, Maria Madalena Blau, uma das marcas mais fortes da trajetória do marido é a relação construída com os pacientes ao longo das décadas. Muitos chegaram ao consultório ainda jovens e, atualmente, retornam acompanhados pelos próprios filhos e até pelos netos.
No início da carreira, Marcelino realizava partos, cesarianas e cirurgias. Com a chegada de outros profissionais especializados, passou a concentrar sua atuação em outras áreas, mas manteve a proximidade com os pacientes e suas famílias.
Hoje, segundo Maria Madalena, aproximadamente 60% da atuação do médico está ligada à Medicina do Trabalho e 40% à Clínica Médica. Ele atende pacientes particulares e por convênios como Unimed e SC Saúde.
Mesmo com a redução da carga de trabalho, a disposição para atender permanece. Marcelino continua realizando atendimentos domiciliares, inclusive em situações de pacientes acamados ou com dificuldade de deslocamento. Quando necessário, avalia o paciente em casa, orienta o tratamento ou encaminha para atendimento hospitalar.
A rotina ainda é intensa. Em alguns dias, pode realizar cerca de 20 exames ocupacionais, além de consultas de convênio e particulares. Por isso, ao chegar em casa, o silêncio e o descanso acabam sendo necessários.
A medicina que atravessou a família
O legado profissional de Marcelino ganhou continuidade dentro de casa. Ele e Maria Madalena são pais de Suzanne Marie Blau Grimm e Ruth Ellen Blau Grimm, ambas médicas.
Suzane seguiu diferentes áreas, com formação ligada à nutrição, geriatria e gerontologia, além de atuar com procedimentos estéticos. Ruth, por sua vez, concluiu residência em Clínica Médica e atualmente está realizando formação em Medicina do Trabalho, justamente para futuramente dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo pai na clínica.
A escolha das filhas pela Medicina é motivo de orgulho para Marcelino. A família mantém, inclusive, uma troca constante de experiências profissionais. Quando surgem dúvidas ou casos mais complexos, pai e filhas conversam e compartilham conhecimentos.
Entre o trabalho e os momentos simples
Fora da clínica, Marcelino mantém hábitos simples. Gosta de começar as manhãs cedo, sentado em casa, tomando chimarrão e ouvindo música. Também acompanha notícias pelo YouTube e é apaixonado por futebol, especialmente pelo Internacional.
Os momentos em família ocupam espaço importante na rotina. Aos finais de semana, gosta de reunir-se com as filhas em casa e participar, de maneira mais tranquila, dos tradicionais churrascos de comunidades da região buscando a carne para ajudar as comunidades e partilhando em casa em família.
Para Maria Madalena, o marido sempre foi alguém muito ligado ao trabalho e à profissão. Mesmo depois de décadas de carreira, continua demonstrando satisfação em atender e permanecer ativo.
A história de Marcelino Grimm se confunde, em muitos aspectos, com a própria história da saúde de Guarujá do Sul. São mais de quatro décadas entre consultórios, hospitais, atendimentos domiciliares, perícias, gestão de instituições e projetos que ajudaram a ampliar a oferta de serviços na região.
Mais do que uma carreira médica, sua trajetória deixou marcas em diferentes gerações de pacientes e na formação profissional das próprias filhas. Aos 73 anos, Marcelino segue trabalhando, agora em ritmo reduzido, mas preservando aquilo que acompanhou grande parte de sua vida: o compromisso com a Medicina, com os pacientes e com a comunidade onde escolheu viver.
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