11/03/2016 às 13h47min - Atualizada em 11/03/2016 às 13h47min

R$ 2 milhões em oliveiras

CVT foi apresentado para representantes de 20 municípios onde os estudos também serão realizados

Na sexta-feira, dia 4, foi apresentado no Colégio Agrícola – Cedup – de Campo Erê o projeto do Centro Vocacional Tecnológico das Oliveiras (CVT) para representantes de 20 municípios da região. O CVT é um programa desenvolvido, em Campo Erê, que conta com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia através do recurso de R$ 2 milhões.

O encontro contou com a participação de funcionários da Prefeitura Municipal, Epagri, Cedup, Sebrae, Sala do Empreendedor, ADR de São Lourenço do Oeste, secretário de Estado da Agricultura em exercício, Airton Spies e do especialista em oliveiras, da Epagri, Dorli da Croce.

Segundo explicou o agente Nelson Tresoldi, está incluso no projeto o estudo das espécies e viabilidade de mercado, para além de Campo Erê, mais 20 municípios. “Também contaremos com uma nova parceria através do Instituto Federal de Santa Catarina (Ifsc)”, adiantou Nelson explicando que o CVT será instalado no próprio Cedup, como uma área experimental de produção de mudas, assistência técnica, industrialização, comercialização e qualificação técnica da rede de produção.

 “Acreditamos nas oliveiras e principalmente na rentabilidade que essa nova cultura traz para os agricultores”, comentou o especialista em oliveiras, Dorli, explicando como a proposta do CVT pode trazer através do cultivo das oliveiras uma grande renda aos agricultores.

Após a apresentação e discussão de alguns pontos de instalação do projeto que está em fase inicial de estudos, os participantes da reunião foram fazer uma visita ao projeto de avaliação de cultivares de oliveira desenvolvida da Escola Agrícola. 

 

ENTREVISTA – Airton Spies é filho de agricultor familiar e natural de Itapiranga. Doutor em Economia dos Recursos Naturais, pela University of Queensland da Austrália e Mestre em Ciências Agrícolas pela Lincoln University da Nova Zelândia. Graduado em Agronomia e Administração de Empresas. É secretário de Estado da Agricultura e da Pesca de Santa Catarina em exercício e secretário adjunto na mesma pasta. Pesquisador e extensionista da Epagri há 33 anos. Exerce atividades docentes, sendo professor em cursos de pós-graduação e extensão da Universidade Federal do Paraná.

 

Qual é a importância do cultivo de oliveiras para Santa Catarina?

É uma atividade que tem um potencial de geração de renda de grande densidade em pequenas áreas e propriedades. É uma atividade da qual o Brasil é um grande consumidor hoje, tanto na forma azeite de oliva, como também azeitonas.

Essa é uma oportunidade a mais para a nossa agricultura familiar, porque é uma daquelas atividades que são intensas em consumo de mão de obra e são capazes de gerar grandes rendas em pequenas áreas, que é exatamente o que a agricultura familiar precisa.

 

Como foi o trabalho das lideranças políticas para que a Secretaria de Agricultura apoiasse este projeto?

Nós tivemos a Epagri que é nosso braço de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Pesca, e a extensão rural, trabalhando há mais de 10 anos neste projeto no Cedup. Trouxemos mais de 40 variedades de oliveiras oriundas de países com alta produção, como Chile, Portugal e distribuímos essas variedades em vários locais do Estado. Essa pesquisa trouxe aqui resultados específicos e hoje aprovados como viáveis pela condição de clima e solo.

Agora o projeto entra na fase do fomento que é a de tirar do campo de pesquisa e levar para a produção. Isso depende além da orientação aos produtores, de fornecimento, de mudas, orientação em tecnologia, de uma estrutura de negócio que seja capaz de industrializar e levar esse produto ao mercado. Aí surgiu o Cedup e a Prefeitura do município que foram buscar recursos junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia para instalação do CVT.

 

Qual a viabilidade desta produção de azeite de oliva na região?

O consumo no Brasil é alto e a produção é principalmente importada. O desafio é grande, pois vamos precisar produzir um azeite de oliva de alta qualidade, a custo que consiga competir com um produto importado. Quanto ao que se refere à produção de azeitonas, esse produto é de mais peso e volume, afetando o custo do frete de importação, mesmo assim enxergamos competitividade.

Para ambos, acredito que com tecnologia e empreendedorismo vamos conseguir converter e gerar um grande volume de renda para os agricultores da região, esse projeto se encaixa muito como microempresa.

A oliveira é uma planta segura, ela resiste muito bem à seca e as adversidades climáticas. Uma vez instalada no pomar tem uma vida longa, é um investimento em longo prazo, não é como plantar alface. Temos que pensar no lema pequenas propriedades, grandes negócios, que é exatamente o diferencial de Santa Catarina. A agricultura familiar não é um sinônimo de agricultura pobre porque utilizamos tecnologia de ponta, e somos capazes de gerar grandes rendas em pequenos espaços, por isso a oliveira vem em boa hora, como mais uma opção.

3,8 de PIB decrescem e a agricultura 1,8 de crescimento, agricultura no país, em Santa Catarina crescemos 4,4% 


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