O Centro de Educação Infantil (CEI) Anjo da Guarda, de Campo Erê, desenvolveu uma sequência de vivências/experiências voltada à valorização da cultura e da história local. A proposta envolve as turmas do Pré-2, nos períodos matutino e vespertino, e integra um planejamento realizado em rede pela Secretaria Municipal de Educação.
O trabalho foi pensado durante a semana pedagógica que antecedeu no início do segundo semestre, a partir do tema “Celebrar culturas, sons, sentimentos e movimentos”. No CEI Anjo da Guarda, a equipe definiu como foco a cultura de Campo Erê, aproximando as crianças das tradições, costumes e elementos que fazem parte da identidade do município.
Segundo a diretora Sãmelita Martins Trevisan, a proposta está alinhada ao currículo da educação infantil, que busca estimular o interesse e o respeito por diferentes culturas e modos de vida: “Foi um planejamento em rede, liderado pelas coordenadoras municipais e pensado em um tema coletivo para todo o município. A partir disso, nós planejamos as vivências que iriam acontecer aqui no espaço e priorizamos trabalhar a cultura local”, explicou.
Conhecendo a história do município
A professora Luciana Salete Jacovas, que atua com as turmas do Pré-2, destaca que as crianças terão contato com locais que, apesar de importantes para o município, ainda são desconhecidos por parte delas: “Nós fizemos uma exploração da história e vivenciamos momentos aqui no CEI. Agora vamos explorar o ambiente externo, que são os locais culturais e históricos do nosso município”, relatou.
Entre os pontos previstos estão a Igrejinha de São Roque, os muros históricos a Prefeitura Municipal, fórum, Aguinhas de São João Maria entre outros. Para Luciana, levar as crianças até esses espaços permite transformar o aprendizado em uma experiência concreta.
Cultura presente no cotidiano
A professora Joice Cristina Backes Rodrigues, explica que a vivência foi organizada a partir da realidade das próprias crianças. Durante o microcenário, foram apresentados elementos relacionados à cultura de Campo Erê, incluindo o hino do município, os principais cultivos e aspectos da história do município.
Entre os assuntos abordados estão a erva-mate e a araucária, com destaque para a colheita e comercialização do pinhão, atividade presente na realidade de diversas famílias. O artesanato produzido pelos moradores, como peças de pintura, crochê e costura, é outro elemento trabalhado com os alunos.
A educadora ressalta que a proposta busca ampliar a percepção das crianças sobre aquilo que é produzido e vivido no município, valorizando conhecimentos que fazem parte do cotidiano das famílias.
Crianças constroem o conceito de cultura
Antes de conhecer a história de Campo Erê, as crianças foram convidadas a refletir sobre o significado da palavra cultura. A professora Francielly da Rocha conta que uma das primeiras vivências foi a “Cabine da Escuta”, espaço individualizado em que cada criança respondeu à pergunta: “O que é cultura para você?.”
As respostas foram registradas pelas professoras e posteriormente compartilhadas com a turma. Os alunos puderam observar seus relatos escritos, apresentar suas ideias aos colegas e registrar o próprio nome no cartaz coletivo.
Na sequência, as professoras apresentaram às crianças um conceito de cultura adequado à faixa etária, relacionando o termo às tradições e costumes de um povo. A partir dessa compreensão, o trabalho foi direcionado para a história de Campo Erê: “Se a cultura é a tradição e o costume de um povo, nós pertencemos ao povo de Campo Erê. Então fizemos um grande resgate histórico da cidade”, explicou Franciele.
O estudo passou por temas como os primeiros imigrantes, a formação do município, as antigas ruas e espaços, além do brasão, da bandeira e do hino de Campo Erê.
Próximas etapas
A vivência realizada no CEI representa uma etapa do projeto que pretende ampliar o contato das crianças com a cultura local. Depois das atividades desenvolvidas dentro da instituição, a sequência didática seguirá para espaços externos, permitindo que os alunos conheçam presencialmente locais relacionados à história do município.
A proposta busca fortalecer, desde a infância, o sentimento de pertencimento e o respeito pela cultura construída pelas diferentes gerações que contribuíram para a a formação de Campo Erê.