Excesso de chuva traz prejuízo a lavoura

Trigo perde qualidade, soja apresenta problemas de germinação e agricultores enfrentam atrasos no plantio e no desenvolvimento das lavouras. Neste mês de setembro choveu 80% a mais que em setembro de 2025

Por Laura G. Gritti

Espiga de trigo apresenta sinais de germinação ainda na lavoura, provocada pelas condições de umidade
Espiga de trigo apresenta sinais de germinação ainda na lavoura, provocada pelas condições de umidade excessiva. O fenômeno compromete a qualidade dos grãos e pode reduzir o valor comercial da produção. (Foto: Divulgação)

As fortes chuvas que o Extremo Oeste de Santa Catarina e o Sudeste do Paraná estão causando prejuízos à agricultura. O excesso de umidade dificulta a colheita do trigo, atrasa o plantio da soja e prejudica o desenvolvimento das culturas já implantadas.

Segundo o gerente da Coopertradição de Palma Sola, Leandro Possebon, a sequência de dias chuvosos afeta diferentes etapas da produção agrícola, desde o plantio até a colheita, com impactos na produtividade e na qualidade dos grãos.

 

Trigo sofre perdas na qualidade

Um dos setores mais afetados é o do trigo. Com a chuva constante, muitos produtores não conseguem colher o trigo no momento adequado. Parte dos grãos já está germinando na própria espiga, ainda na lavoura, comprometendo a qualidade do produto.

Além disso, a umidade favorece o aparecimento de doenças fúngicas, que podem reduzir a produtividade e prejudicar a qualidade dos grãos. O trigo que está sendo colhido também apresenta, em alguns casos, peso hectolítrico (PH) abaixo do padrão esperado de 78, índice de referência para o trigo destinado à produção de farinha tipo A.

Quando a qualidade diminui, o valor comercial também pode cair, reduzindo o retorno financeiro do agricultor. Dependendo da classificação, o trigo pode sofrer desvalorização ou ser destinado à categoria de triguilho.

 

Problemas na soja e no milho

As dificuldades também atingem as culturas de verão. Segundo Leandro Possebon, o excesso de umidade provoca problemas na germinação da soja já plantada, enquanto o milho enfrenta dificuldades para se desenvolver.

O solo encharcado prejudica a oxigenação das raízes, e a falta de sol limita a fotossíntese, processo essencial para o crescimento das plantas.

Outro problema é a impossibilidade de entrar nas lavouras para realizar a limpeza, controlar plantas daninhas e aplicar inseticidas e outros produtos necessários. Com o atraso nos cuidados, aumenta o risco de perdas na produtividade.

 

Chuvas acima da média preocupam agricultores

O agricultor Heinbert Sand, do município de Campo Erê, realiza registros pluviométricos há quase 40 anos. Segundo Sand, que possui propriedade na Linha Agroísa, o acumulado de chuva em outubro chegou a 251 milímetros até o dia 12, sendo que 199 milímetros foram registrados entre os dias 8 e 12. A média histórica para todo o mês de outubro, considerando os últimos 37 anos, é de 312,8 milímetros.

Em julho deste ano, foram registrados 314,6 milímetros de chuva, volume 122,6% acima da média histórica, que é de 141,3 milímetros. Em agosto, o acumulado chegou a 226,8 milímetros, diante de uma média de 142,6 milímetros. Já em setembro, choveu 313 milímetros, enquanto a média histórica é de 169 milímetros, representando um volume 85% acima da média.

Em agosto, embora os dados informados inicialmente indiquem 82% acima da média, o cálculo com base nos volumes registrados aponta que a chuva ficou aproximadamente 59% acima da média histórica.

Os números mostram que o excesso de chuva vem se repetindo há meses, dificultando os trabalhos no campo e aumentando a preocupação dos agricultores com as perdas na produção e o desenvolvimento das próximas safras.

 

Atraso no plantio aumenta os prejuízos

Além dos danos às culturas já implantadas, as chuvas atrasam o plantio dos próximos grãos, soja, feijão. Com o solo encharcado, os agricultores não conseguem realizar as operações no momento adequado, o que pode comprometer o calendário agrícola.

O resultado é uma soma de prejuízos: perda de qualidade do trigo, problemas na germinação da soja, desenvolvimento prejudicado do milho e atraso nos próximos plantios.

Os agricultores aguardam uma sequência de dias firmes para retomar os trabalhos e reduzir os impactos sobre a produção.

 

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