05/08/2015 às 09h12min - Atualizada em 05/08/2015 às 09h12min

Presidiários trabalham em empresa de São José do Cedro

Seis presos do regime semiaberto da Unidade Prisional Avançada (UPA) trabalham na empresa Disamóveis.

Analiza Vissotto
São José do Cedro
ASO/Analiza Vissotto

 

Está em funcionamento em São José do Cedro, um convênio estadual, onde a empresa Disamóveis emprega presos do regime semiaberto da Unidade Prisional Avançada (UPA). Atualmente seis presos participam do programa, trabalhando em diversas funções. Eles recebem um salário mínimo (R$ 788) e também diminuição da pena. A prisão voltou a funcionar no município em abril de 2014, e o programa está funcionamento desde junho do ano passado.

Atualmente a cadeia de Cedro está com aproximadamente 50 presos, sendo apenas oito no regime semiaberto, o restante está no regime fechado ou aguardando condenação. Os outros dois, que também são do regime semiaberto, realizam trabalho voluntário dentro da prisão. 

Conforme o diretor da UPA, Luis Henrique Paludo, a intenção é que mais presos participem do projeto. “Eles desempenham a função normalmente dentro da empresa, como qualquer outro funcionário”, explica Paludo afirmando que tudo está baseado em lei. “Todos os presos têm autorização do juiz da Comarca e do Departamento de Administração Prisional (Deap) para realizar os trabalhos”, diz.

Da remuneração que recebem 75% fica para eles, ou por escolha pode ser destinado a família, o restante 25%, é para uso da UPA, que utiliza o valor em gastos de manutenção. O valor utilizado pela UPA é administrado pelo Conselho da Comunidade.

O diretor da UPA, Paludo, que trabalhava na cadeia de Chapecó, explica que este tipo de trabalho ressocializa. “Devagar o preso acaba regressando para a sociedade, é algo gradativo, mas todos querem trabalhar, infelizmente não temos vagas. Dentro da cadeia eles ficam ociosos, pensando em maldades, e quando estão trabalhando ocupam a mente de maneira produtiva”, opina Paludo.

Sobre a possibilidade de fuga, Paludo, informa que ela existe. “O risco de ele cometer um crime na empresa, é o mesmo ao redor da unidade, pois são presos do regime semiaberto. Semanalmente vistoriamos o trabalho que realizam na empresa, e mantemos contato com os proprietários, mas da experiência que tenho nunca tivemos um problema até hoje”, afirma.

Segundo relato de um dos presos que trabalha há seis meses na Disamóveis, é bom ocupar o tempo e não ficar ocioso na prisão. “Eu já trabalhei em madeireira, então gostei de trabalhar aqui. Já está meio acertado que quando eu sair da prisão, vou continuar trabalhando”, afirmou. Segundo o diretor da UPA, o detento foi condenado há 10 anos, e em alguns meses estará em liberdade. “Esse é um caso em que o bom comportamento e remissão deram certo”, afirmou Paludo.

 

 

Empregador

O diretor da empresa Disamóveis, Marciel Augusto Barato, aconselha outros empresários a participarem do projeto. “Eles realizam a função de serviço geral, e sempre trabalharam muito certo. Vão e voltam para a UPA com transporte da empresa, e nunca incomodaram. O serviço que prestam é muito bom”, garante.

Marciel informa ainda que dois ex-detentos, atualmente são contratados fixos da empresa. “Eles saíram da prisão, ou seja, pagaram o que deviam para a sociedade, e desempenhavam bem sua função, vieram pedir para serem contratados, e foi o que fizemos”, explica.

Segundo Marciel, a empresa que atualmente 180 funcionários, também é beneficiada pelo tipo de contrato de trabalho, onde o Estado incentiva a contratação dos presos. “Nesse tipo de projeto não temos despesas com encargos sociais, pagamos somente o salário”, finaliza Marciel.

 


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