06/08/2015 às 08h28min - Atualizada em 06/08/2015 às 08h28min

Descredenciamento do SUS gera polêmica

Hospital Santo Antônio, de Campo Erê, solicitou descredenciamento e deve para de atender pelo SUS

Redação
Anchieta
ASO/Igor Vissotto

Na última segunda-feira, dia 3, foi realizada em Campo Erê uma audiência pública com autoridades regionais e a população para debater a situação do Hospital Santo Antônio. A previsão é que em novembro desse ano o hospital deixe de atender pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O município já contou com dois hospitais, mas atualmente apenas o Santo Antônio permanece funcionando. Conforme os proprietários a decisão de deixar de atender pelo SUS se dá devido à inviabilidade financeira. “Os valores repassados são defasados e na maioria das vezes, com atraso”, lamenta o diretor do Hospital, Olides Lunardi.

Na abertura da audiência, o prefeito de Campo Erê, Rudimar Borcioni, destacou o objetivo da reunião. “Queremos buscar uma alternativa para que o Hospital Santo Antônio continue prestando serviços do SUS para a comunidade, e que os empregos que a entidade gera sejam mantidos”, declarou.

A secretária de Saúde, Juceli Damasio, explicou alguns repasses que o município fez para o Hospital, pelos serviços prestados. “Em 2014 foram R$ 433 mil, sendo que a média mensal ficou em R$ 35 mil”, explica. Além dos valores repassados, existem ainda os plantões, cerca de 30 por mês. “A média dos plantões no ano passado ficou em R$ 36 mil”, explicou.

O diretor do Hospital, Olides Lunardi, falou que há 16 anos o Governo Federal não reajusta os valores da Autorização de Internação Hospitalar (AIHs). “Todos os repasses da Prefeitura ajudam a amenizar o prejuízo econômico, mas só isso não é suficiente. Há três anos iniciamos as tratativas com as Prefeituras da região para encontrarmos uma solução. Mas hoje não há mais como manter uma instituição hospitalar atendendo com qualidade pelo SUS apenas com os valores que são repassados pelo próprio Sistema Único de Saúde”, declarou.

Lunardi falou ainda sobre a situação dos hospitais no Estado. “Atualmente existem 78 hospitais em Santa Catarina solicitando o descredenciamento do SUS. É uma questão de tempo para que outros hospitais da região também solicitem o descredenciamento”, salientou.

A gerente Regional de Saúde da SDR de São Lourenço, Maria da Graça, admite que os valores repassados via SUS não foram reajustados nos últimos anos e de fato estão defasados em relação ao salário mínimo e a inflação. “Dentro das novas portarias do Ministério da Saúde, há uma que diz que hospitais com menos de 49 leitos não serão mais considerados hospitais. Para ser considerado hospital precisa de anestesista, cirurgião, clínico geral, obstetra e um médico rotineiro. Essas exigências trazem dificuldades financeiras para manter um hospital em pequenas cidades, uma vez que um hospital pequeno não tem, necessariamente, as demandas de todos estes profissionais”, explica.

A médica Marta Lunardi comentou a portaria do Ministério da Saúde. “Com essa perspectiva o paciente terá que aguentar viajar dezenas de quilômetros até o grande hospital mais próximo. Se as coisas continuarem como estão infelizmente os pequenos municípios terão de se preparar para a ambulância-terapia”, lamentou.

Na audiência pública ficou clara a preocupação das lideranças e da população campoerense em ficar sem um hospital. “A proposta que gostaríamos que saísse dessa audiência é que o Estado assuma a administração do Hospital Santo Antônio, mas que mantenha o espaço para atendimento particular, igual ao sistema que já existe em Chapecó”, completou Marta Lunardi.

No final da audiência, o prefeito Rudimar Borcioni apresentou uma proposta para ser analisada e encaminhada para as autoridades políticas e médicas do Estado e do Ministério da Saúde, uma vez que o secretário regional da SDR de São Lourenço do Oeste, Walmor José Pederssetti, e o secretário de Estado da Saúde, João Paulo Kleinubing, foram convidados, mas não compareceram.


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