13/08/2015 às 13h25min - Atualizada em 13/08/2015 às 13h25min

SSAEncontro de Jovens Empreendedores Rurais

Com incentivo pioneiro do Governo do Estado, jovens empreendedores estão investindo no meio rural catarinense

Redação
Santa Catarina
Secom/Alexandre Lenzi

Elizabeth Buss, 19 anos, abriu uma fábrica de bolachas artesanais em de São Bonifácio, resgatando receitas antigas da família. Rodrigo Ressel, 20, ajudou os pais no processo de transição da atividade de fumo para a produção leiteira da propriedade de Papanduva. Matheus Gurke, 24, montou um plano de negócio que garantiu recursos públicos para uma nova estrutura para cultivo de verduras na fazenda da família, em Riqueza, no Extremo-Oeste do Estado. Essas são apenas algumas das histórias dos mais de mil participantes do Encontro de Jovens Empreendedores do Meio Rural, realizado nesta quarta-feira, dia 12, em Lages, na Serra Catarinense.

Os incentivos do Governo do Estado aos jovens empreendedores buscam combater o histórico problema do êxodo rural e o envelhecimento da população do campo. Na década de 1950, 77% da população total de SC estava no meio rural. Hoje são apenas 16%. Por meio de capacitação técnica, os programas catarinenses estimulam a liderança, o espírito empreendedor e a sustentabilidade dos jovens, desenvolvem iniciativas que agreguem valor aos produtos catarinenses e inserem os produtores no mundo digital.

O encontro em Lages reuniu jovens que passaram pelos cursos de formação em Liderança, Gestão e Empreendedorismo promovidos pela Epagri desde 2013, com recursos do Programa SC Rural, vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca. Já foram realizados 26 cursos em 13 centros de treinamentos da Epagri. As formações duram de oito a dez semanas e são ministradas em etapas que mesclam teoria e prática. Para participar, basta procurar um escritório da Epagri para seleção, ter entre 18 e 29 anos e estar atuando no meio rural ou pesqueiro.

Até o final de 2015, a Epagri terá capacitado mais de 1.000 jovens – número que deve chegar a 1.500 em 2016. Eles recebem várias capacitações, desde uso de computadores, passando por noções de agronegócio até o gerenciamento de propriedades. Tudo voltado para que se possa montar o próprio negócio. Nos cursos são oferecidos treinamentos de qualificação no setor turístico, outro potencial do meio rural.

Após a formação, os jovens têm a oportunidade de elaborar projetos individuais ou comunitários, levando em conta os aspectos sociais, culturais, ambientais e econômicos envolvidos. As melhores propostas são selecionadas e recebem apoio financeiro do SC Rural. O secretário executivo estadual do SC Rural, Julio Cezar Bodanese, explicou que o valor total de recursos que o Fundo de Investimentos Sustentáveis do SC Rural (FIS) estará aplicando nesses projetos especiais de jovens é de aproximadamente R$ 5 milhões, recursos a fundo perdido.

O Governo do Estado garante 80% do valor previsto para os projetos selecionados e o proponente tem um compromisso de aplicar 20% restantes como contrapartida. Os valores máximos de apoio para projetos individuais é R$ 10 mil. No caso de projetos coletivos, o valor máximo é de R$ 15 mil para cada jovem participante do grupo.

Hoje, estão sendo apoiados os projetos de 300 jovens formados nos cursos de 2013 e 2014. Já os que estão cursando em 2015 e os futuros de 2016 somarão outros 600 projetos, totalizando 900 iniciativas até o final do programa, envolvendo cerca de 1.500 jovens. Desde o início do programa, já foram abertos 425 novos negócios, entre fábricas de produtos como queijo, salame, compotas, pães, bolachas.

 

Inclusão digital

Outra iniciativa voltada pelo mesmo público é o financiamento do kit informática para jovens rurais, implementada pela Secretaria da Agricultura e da Pesca em 2013. Por meio desta linha de financiamento do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), os jovens podem adquirir equipamentos de informática para utilização na propriedade, obtendo um valor de até R$ 3 mil. O jovem tem um ano de carência e deve pagar o financiamento em três anos, tendo o benefício de 50% de desconto se fizer os pagamentos em dia. São atendidos os jovens da agricultura familiar e prioritariamente os jovens dos cursos de empreendedorismo do SC Rural. Desde 2012, foram aplicados R$ 3,8 milhões no programa, beneficiando 1.592 jovens.

 

Zona livre de peste suína clássica

 No encontro, o governador Raimundo Colombo também entregou ao presidente da Cidasc, Enori Barbieri, a certificação que reconhece SC como zona livre de peste suína clássica. O documentou foi entregue ao Governo do Estado em maio deste ano, em ato na França, promovido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

 O status representa um importante diferencial na conquista de novos mercados para o produto catarinense. A produção de carne suína em Santa Catarina é referência mundial. O Estado é o maior produtor e exportador brasileiro do produto, conta com 10 mil criadores integrados às agroindústrias e independentes e produz cerca de 850 mil toneladas de carne suína por ano.

 Santa Catarina também já conta com outra importante certificação internacional: é o único Estado brasileiro reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status certificado em 2007 pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). 


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