12/01/2018 às 14h28min - Atualizada em 12/01/2018 às 14h28min

BPFron fecha 2017 com números recordes de apreensões

Apreensões realizadas no ano passado superaram as dos últimos quatro anos de trabalho da unidade. Somente de maconha foram 18,5 mil quilos retirados de circulação; cigarro se destaca entre os produtos contrabandeados, com 670 mil pacotes apreendidos

Responsável pelo policiamento ostensivo preventivo fardado, para a preservação da ordem pública, e por operações diversas na região de fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina, o Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron) encerrou o ano de 2017 com um saldo de apreensões expressivo. Ao todo, foram 18,7 toneladas de drogas, com destaque para a maconha, que totalizou 18,5 mil quilos até o fim do ano e cerca de 670 mil pacotes de cigarros contrabandeados. Em 2016, o número de cigarros apreendidos chegou a pouco mais de 611 mil pacotes, enquanto a maconha somou quase três toneladas.

riado há cinco anos para coibir diversos crimes, entre eles o contrabando, o descaminho e o tráfico de drogas, o BPFron atua no recobrimento das unidades já instaladas e apoiando outras forças de segurança pública. A unidade é formada por três companhias sediadas em Marechal Cândido Rondon, Guaíra e Santo Antônio do Sudoeste, sendo as duas primeiras na fronteira do Brasil com o Paraguai e a terceira na fronteira com a Argentina. No total, 139 municípios são atendidos pelos militares.

Entre os produtos apreendidos pela unidade em 2017 estão cinco mil quilos de agrotóxicos, 18 mil cartelas de medicamentos proibidos, 2.390 unidades de anabolizantes, 4.880 pneus contrabandeados, 5.993 munições, 107 armas de fogo, mais de R$ 63 mil em dinheiro e 17 mil unidades em volumes diversos. Somados a esses números estão as prisões realizadas pelos policiais militares. No total, 649 foram presas ou encaminhadas às autoridades judiciais competentes. Além disso, foram cumpridos 104 mandados de prisão e outros 61 de busca e apreensão.

Integração como peça-chave

Os resultados das ações do Batalhão, para o comandante da 1ª Companhia do BPFron, capitão Nairo Cardoso da Silva, são significativos. "O trabalho em 2017 foi bastante diferenciado em relação aos anos anteriores, com ações mais efetivas e números bastante precisos", destaca.

Na visão do capitão, os números foram diferenciados principalmente porque desde novembro de 2016 o BPFron passou, após uma normatização federal do Programa de Proteção Integrada de Fronteiras (PPIF), a atuar de forma mais integrada com outras forças de segurança. "Nós já fazíamos algumas ações integradas, mas eram mais pontuais, como as operações Fronteira Blindada e Muralha, além de outros trabalhos pontuais com a Polícia Federal", menciona.

A partir de então, o trabalho de policiamento de fronteira foi intensificado. Segundo o comandante, o Corpo de Operações de Busca e Repressão Anfíbio (Cobra), pelotão de ações aquáticas do BPFron, passou a atuar na Base Estaleiro, no Rio Paraná, com o Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom), da Polícia Federal, como também na Ponte Internacional da Amizade, em conjunto com a Receita Federal, desenvolvendo ações diuturnamente. "Esse trabalho de integração fez com que operássemos em conjunto com essas forças de segurança e os números das apreensões consequentemente aumentaram, como foi o caso da maconha", ressalta Nairo.

Conforme ele, as apreensões realizadas em 2017 pelo BPFron superaram os últimos quatro anos de trabalho da unidade. "Isso é prova de que essa sinergia das forças de segurança, em prol do mesmo objetivo, operando de forma conjunta e unindo esforços, é um diferencial. Mesmo que cada um faça o seu trabalho de forma específica, não teríamos os mesmos resultados", salienta.

Na concepção do comandante, não é possível falar em policiamento de fronteira sem falar em integração entre as forças de segurança. "Qualquer apreensão que o efetivo do BPFron faça vai ter como destino final as delegacias das polícias Civil e Federal, a Receita Federal ou, dependendo da ocorrência, até mesmo a Marinha", expõe.

Contrabando de cigarros é atrativo

Segundo o Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), o contrabando de cigarros ainda é o maior atrativo em áreas de fronteira.

Na fronteira entre o Brasil e o Paraguai o contrabando é uma maneira fácil de ganhar dinheiro, o que faz com que jovens ingressem no mundo do crime atraídos pela alta lucratividade ilícita. Com a promessa de mudar de vida, só se dão conta dos perigos quando já estão envolvidos e muitas vezes o caminho não tem volta e nem final feliz.

De acordo com o Idesf, o contrabando de cigarros é o mais atrativo nesta área de fronteira, pois, devido à alta rotatividade do produto e aos preços elevados, o trabalho é garantido diariamente. Atualmente, 30% do cigarro vendido no Brasil é ilegal e o contrabando do Paraguai lidera este percentual.

"As apreensões de cigarros nunca param. Inclusive o próprio crime organizado está migrando para o contrabando de cigarros e investindo na prática ilícita", diz o comandante da 1ª Cia do BPFron, acrescentando: "Hoje o cigarro oferece um lucro de 200%, por isso se continua investindo no contrabando, seja de cigarros, medicamentos ou outros produtos".

A logística do crime

O problema do contrabando no Brasil tem se agravado muito nos últimos anos, o que levou o governo federal a implantar diversas operações específicas para fortalecer a segurança nas fronteiras. São elas as operações Ágata, do Ministério da Defesa; Sentinela, do Ministério da Justiça; e Fronteira Blindada, do Ministério da Fazenda. Além disso, essa preocupação também já atinge os governos estaduais dos Estados fronteiriços, que criaram os Grupos Especiais de Fronteira para fortalecer a segurança nessas regiões.

Para o comandante da 1ª Cia do BPFron, o aumento nas apreensões de contrabando, principalmente de cigarros, não necessariamente indica que os contrabandistas estejam mais audaciosos, mas, sim, que estão buscando "arriscar" mais, principalmente pela própria crise econômica. "Às vezes, por questões financeiras, as pessoas acabam optando pela prática de algum crime ou uma contravenção. Não estou dizendo que isso justifica as ações, mas é preciso pensar que o atual cenário econômico pode ter feito com que mais pessoas migrassem para o crime", comenta.

Em 2017, o BPFron também tirou de circulação 578 veículos e recuperou outros 117. O Batalhão registrou ainda a apreensão de 73 embarcações e 48 motores de vários tamanhos. A maioria dos barcos era de grande porte e utilizado para o contrabando de cigarros ou outras mercadorias. "A apreensão dessas embarcações, que têm grande capacidade de carga, quebra de forma direta a logística operacional dos traficantes e contrabandistas", diz Nairo.

As ações, nestes casos, contam diretamente com a atuação do Pelotão Cobra, que faz patrulhamentos aquáticos nas áreas de fronteira. "Pela continuidade das nossas ações no Lago de Itaipu, os criminosos não tentavam passar com barcos grandes, mas com as cargas fracionadas, já com medo de serem flagrados", conta o capitão.

Ele reitera que a grande maioria dos veículos apreendidos são produtos de roubos. São famílias e pessoas que, conforme o comandante, talvez tenham morrido para que esses veículos chegassem nas mãos dos marginais. "A apreensão dos barcos e motores, assim como de caminhões, impacta diretamente na ação dos traficantes e contrabandistas, principalmente se avaliarmos a quantidade de droga e contrabando que pode ser transportada nesses veículos. Com isso, fazemos com que os meios de transportes sejam prejudicados, fazendo com que os criminosos tenham que conseguir outros meios e quem sabe até mesmo repensar a forma de operar, e nesse meio tempo nós agimos e fazemos a prevenção e repressão dos crimes", enaltece.

 

Fonte: Com Milena Rolim/opresente


Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »