18/07/2018 às 16h34min - Atualizada em 18/07/2018 às 16h34min

Sem vacina, doenças podem voltar

O alerta é de profissionais da Saúde que se mostram preocupados com as quedas nos índices de pessoas vacinadas

No Brasil, a vacinação das crianças é obrigatória desde os anos 70, garantida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas, dados do Ministério da Saúde divulgados no segundo semestre de 2017 mostram que a taxa de imunização foi a pior dos últimos 12 anos: 84%, ante a meta de 95% (recomendada pela OMS).
De acordo com o Ministério da Saúde, na vacinação contra a gripe, gestantes e crianças são as turmas que menos tomaram as vacinas nos postos de saúde, com cobertura de 76,4% e 73,6%, respectivamente.
Em Palma Sola a média de vacinação na campanha contra a gripe foi de 85%. “Tivemos muitos pais resistentes, mesmo sabendo que a vacina protege há 20 anos. Os números mostram que diminuiu internação, diminuíram mortes, e que a vacina veio para ajudar, isso já foi comprovado. A vacina é incapaz de desenvolver a doença, ela vem para proteger, e mesmo assim depois de 20 anos de campanhas ainda há pais que acreditam em boatos, em fontes que não são seguras”, afirma a coordenadora da Sala de Vacinas, na Unidade Básica de Saúde de Palma Sola, enfermeira Edite Cirino.
Os baixos índices de imunização de crianças no Brasil acenderam o alerta em especialistas. Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, um dos motivos que explicam é o fato de que as vacinas estão culturalmente vinculadas à percepção de risco da doença. “Doenças como rubéola, sarampo e poliomielite foram erradicadas, e não são mais vistas, dificultando que as pessoas enxerguem o risco”, explica.
Para a doutora Ana Escobar, não há dúvidas: o risco do retorno de doenças já erradicadas é uma das consequências dos baixos índices de imunização. “Observa-se que temos tido casos de sarampo aqui ou ali, que imediatamente é controlado com campanhas de vacinas. Importante saber que a única doença oficialmente erradicada do planeta é a varíola. Nem a poliomielite está erradicada totalmente. Portanto, baixas coberturas vacinais podem sim trazer algumas destas doenças de volta”, explica.
Campanha
A poliomielite ou paralisia infantil é uma doença infectocontagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia de início súbito. Atinge, em geral, os membros inferiores tendo como principal característica a flacidez muscular. No Brasil, não há circulação de poliovírus selvagem desde 1990.
No caso do sarampo, por exemplo, já há casos registrados no Brasil da doença nos últimos meses e os dados preocupam. “É outra doença que pode deixar sequelas, com complicações e podendo levar até a morte. É uma doença que já estava sobre controle e que agora está voltando”, explica Edite.
A coordenadora da Sala de Vacinas destaca que ao não vacinar as crianças, os pais estão colocando seus filhos em risco, e também as outras crianças. “Nós temos o controle do cadastro das crianças aqui na Unidade então temos como saber quem compareceu durante o mês e que não veio fazer a vacinação. Hoje vivemos uma situação alarmante, porque não temos a procura das vacinas que seria o ideal”, afirma.
Ela explica que está sendo feito busca ativa no caso onde os pais não levam as crianças para a vacinação, e quando necessário é acionado o Conselho Tutelar. “Receber a vacina é um direito da criança”, defende.
Por isso, devido a baixa taxa de vacinação o Ministério da Saúde antecipou para agosto o início da campanha de vacinação. Mas para a campanha ser efetiva é preciso que haja colaboração dos pais. “Devido ao risco de reinserção de doenças que já estavam erradicadas será realizada uma nova campanha que tem como foco o sarampo e a poliomielite, mas a gente já aproveita e verifica toda a carteira vacinal, se houver alguma outra vacina atrasada a gente vai atualizar”, afirma Edite.
Em agosto será feita a divulgação da campanha, com datas e horários para que os pais tragam os filhos para vacinação. “A vacina é gratuita, basta vir até a Unidade de Saúde com o cartão SUS para se vacinar. A campanha de agosto é para crianças de um ano a até cinco anos incompletos. Então fica desde já a recomendação para os pais para que tragam seus filhos e os protejam dessas doenças”, finaliza a enfermeira.
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