28/11/2018 às 16h07min - Atualizada em 28/11/2018 às 16h07min

Os índios Kaingangs em Campo Erê

A história do contato entre os Kaingangs e os colonizadores europeus teve início ainda no século XVI, quando alguns grupos que viviam mais próximos ao litoral atlântico tiveram contato com os primeiros portugueses. Pelos escritos de Montoya, fica evidente que muitas populações indígenas foram atingidas por diversas epidemias deixando muitos mortos.
Os padres Ruiz de Montoya e Dias Taño visitaram os Gualachos e os Guaianá no alto Uruguai na época de uma dessas epidemias. Após a destruição das reduções jesuíticas aumentou a presença dos Kaingangs nas terras de planalto no Sul do país, desde o Estado de São Paulo aos Estados da região Sul. Na época expedições de reconhecimento e início das primeiras investidas contra os territórios indígenas provocaram violentas reações por parte dos habitantes Kaingang.
As primeiras tentativas de conquista e ocupação dos campos e florestas pertencentes aos Kaingangs começaram no Paraná, na segunda metade do século XVIII. Foram onze expedições organizadas entre 1768 e 1774, que tinham como objetivo reconhecer e tomar posse das pastagens naturais. Em 1770, a expedição chegou aos campos de Koran-bang-rê (atual Guarapuava). Os armamentos incluíam peças de artilharia e todas as armas de guerra da época. Os contatos com os Kaingang do Koran-bang-rê, como resultado da distribuição de presentes, foram inicialmente amistosos. Mas a reação indígena não tardou, ao desconfiarem que a amizade oferecida pelos brancos não fosse bem intencionada.
A expansão paulista é a ponta de lança para a conquista das terras indígenas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Uma estrada, ligando Palmas a Corrientes, na Argentina, foi iniciada em 1857. A estrada passava pelos Campos do Erê financiada pela Província de São Paulo. Essa estrada encurtava em muito o trajeto entre os campos de Corrientes e de São Paulo, grande comprador de animais na época. Era comum, habitantes de Campo Erê ter relações comerciais com a Argentina, onde se vendia erva mate e se comprava animais e porcos criados pelos “safristas”.
A ocupação dos Campos Gerais foi retomada em 1810, quando nova expedição retornou para os campos de Koran-bang-rê (atual Guarapuava), com o objetivo de obter a vitória contra os índios. Não se tratava mais de escravizar índios, mas sim de conquistar suas terras. Depois de três meses de guerras e batalhas sangrentas, os Kaingangs dos Koran-bang-rê foram derrotados.
Consolidada a vitória, fazendas foram instaladas nos territórios de Koran-bang-rê e a partir dos contatos estabelecidos com os índios vencidos, descobriu-se a existência de outros campos a oeste e sudoeste. Vários caminhos foram sendo abertos em direção ao Estado do Rio Grande do Sul. Em 1860 o governo autorizou a abertura de uma estrada entre Palmas e Corrientes, na Argentina, passando por vários territórios Kaingang, como Kampo-rê e Kavarú-koyá. Em 1865, este grupo foi contatado pela expedição do engenheiro Morais Jardim e, apesar da resistência à ocupação, foi derrotado pelo grupo de Kondá, que trabalhava para os brancos.
Kondá ajudou na conquista de Kampo-rê (SC) e de Nonoai (RS). Depois do rompimento com Virí, seu subordinado, foi viver nos campos do Chopim. Mais tarde, tornou-se o líder dos Kaingang de Nonoai e fez aliança com o governo do Rio Grande do Sul, fixando-se nos campos do Goio-en. Na condição de funcionário do governo, auxiliou na abertura de uma estrada ligando Kampo-rê (Campo Erê) a Kreie-bang-rê (Palmas) e na abertura da estrada ligando Palmas a Corrientes.
Os Kaingangs no Rio Grande do Sul foram catequizados e aldeados no mesmo tempo que os do Paraná e Santa Catarina.
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