29/01/2019 às 14h42min - Atualizada em 29/01/2019 às 14h42min

Os Fuscas e os aventureiros

Muitas pessoas gostam de viajar, conhecer lugares e viver aventuras, mas há aqueles que gostam mesmo é de desafios. Compondo esse último grupo temos alguns guarujaenses que decidiram conhecer a Patagônia,  de Fusca!
Elcio Blau, um dos aventureiros, conta que a expedição tinha como viajantes Adair Hoffmann e Cleusa, Edmilson Machado (Misso), Ana Gnoatto e Letícia G. Machado, Léo Carlos Grimm, Elcio Blau e Maria Eduarda Blau. Eram quatro fuscas e oito pessoas programadas para a viagem. “Já viajei de moto pela região da Patagônia e como é muito linda pensei que deveria compartilhar essa beleza com mais pessoas, em especial minha filha. Todos os participantes têm bons carros na garagem, mas fomos de Fusca para dar um gostinho de aventura, uma adrenalina a mais durante a viagem”, conta Elcio.
Sobre a preparação para a expedição, Elcio, que já fez diversas viagens de moto pela América do Sul, conta que sempre que volta já começa a pensar no próximo roteiro. “Na verdade dá para planejar uma viagem em pouco tempo, mas o ato de planejar também faz parte, faz a gente sonhar, querer viajar através dos mapas e relatos de outros viajantes. Começamos a pensar em tudo em março de 2018, chamamos de Expedição pela Carretera Austral. O planejamento foi recheado de muitos jantares e sonhos”, conta.
Na ida o grupo passou por Santa Fé, na Argentina, San Luis, San Rafael, San Martin de Los Andes, Villa La Angostura, entraram no Chile pelo Paso Cardenal Antônio Samore, seguiram até o Vulcão Osorno, depois Puerto Varas, Puerto Montt onde inicia a Carretera Austral, considerada a ruta mais bonita da América Latina. Elcio conta que a Carretera Austral termina em Villa O' Higgings no Extremo Sul do Chile. “A partir desse ponto não existe mais estrada. Existem pontos não pavimentados em quase toda a extensão da Carretera Austral, com poucos recursos e apenas pequenas vilas. Para viajar por lá tem pontos que precisamos usar balsas, cruzando parte do oceano Pacífico e grandes lagos. A segunda balsa que pegamos levou aproximadamente seis horas para fazer a travessia de Hornopiren a Caleta Gonzalo. Foi nessa travessia que avistamos baleias”, lembra.
No trajeto o grupo visitou as Capillas Del Marmol, em Puerto Rio Tranquilo. São formações de mármore no Lago General Carrera, que Elcio descreveu como espetacular. Seguiram ainda pelo Ventisquero Colgante uma geleira no alto de uma montanha que com o seu degelo forma uma gigantesca cachoeira seguido de um lago, no Parque Queulat. “Pernoitamos num vilarejo chamado Caleta Tortel, não existe ruas na vila, por isso deixamos os veículos num estacionamento. Tivemos que percorrer a vila por corredores feitos de madeira sobre a água de uma laguna. Lá as habitações e comércio estão incrustadas nas montanhas”, detalha.
A vila O' Higgings, o último povoado do Sul do Chile, foi descrito como um lugar muito aconchegante, no meio das montanhas com os picos cobertos de neve. “A cada curva nos surpreendíamos com as belezas ímpares do trajeto. Era um sonho, uma beleza sem limites”, afirma.
Quando perguntado se saiu tudo como o planejado Elcio conta que foi melhor que o esperado. “Deu tudo certo, perfeito. Os fuscas, os participantes, as belezas, o carinho do povo, tudo numa sincronia. Tivemos alguns pequenos problemas mecânicos, mas que foram resolvidos e não interferiram na viagem que durou 19 dias. Visitamos tudo o que programamos, mas com certeza é uma região que oferece muitíssimo mais do que vimos, creio que uns 40 dias pela Carretera Austral seria de bom tamanho”, conta.
Sobre o significado da viagem e da experiência, Elcio conta que foi muito marcante. “Foi uma experiência ímpar. Acredito que fará um bem danado a todos, principalmente para minha filha Maria Eduarda e para a Letícia (filha do Misso e da Ana) que tiveram essa oportunidade que poucos têm. O que nos marcou muito foi a receptividade que tivemos, tanto na Argentina como no Chile. Nunca fui tão bem recebido em viagem alguma. Os Fuscas (Escarabajos, assim são chamados lá) fizeram com que o povo todo, em qualquer lugar, se aproximasse para saber da Expedição”, relembra.
Elcio conta que o ponto alto do carinho recebido das pessoas locais foi no desembarque da barca onde passaram seis horas. “Tivemos uma despedida emocionante onde a tripulação toda da embarcação nos aplaudia enquanto o capitão fazia soar a buzina do navio. Já em terra continuava os aplausos que vinha do povo nos dando boas vindas, coisa de cinema! Segundo o capitão fomos os primeiros Escarabajos a concluir toda a Carretera Austral, um motivo de orgulho para nós”.
Elcio conta ainda que a viagem foi econômica, e que saíram preparados para acampar todas as noites fazendo a própria comida. No fim da Carretera enfrentaram dias de muito frio, com neve nas montanhas sem parar, então foram quatro noites sem poder acampar, dormindo em pousadas, mas no fim a viagem custou em torno de R$ 10 mil por Fusca. “A gasolina foi o que mais pesou. Na Patagônia Argentina o preço é reduzido em relação ao resto do país, já no Chile quanto mais pra dentro mais cara a gasolina. Para fazer a Carretera é preciso tomar precauções, fazer uma direção bastante cuidadosa devido ao relevo e condições da ruta. É muito perigoso por causa dos penhascos e curvas estreitas na estrada, mas no fim vale muito a pena”, finaliza.
Os viajantes farão um DVD sobre a viagem, com registros e relatos, que será disponibilizado para quem tem interesse.
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