07/02/2019 às 11h25min - Atualizada em 07/02/2019 às 11h25min

Colheita da soja já começou

Na segunda quinzena de dezembro a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) trouxe uma estimativa para a safra brasileira de colher 120,1 milhões de toneladas de soja. No entanto, as adversidades climáticas vão cada vez mais preocupando os produtores brasileiros. A nova temporada tem perdido potencial produtivo diariamente e, segundo relatos de produtores e especialistas, o volume inicialmente projetado não deverá ser alcançado.
Conforme o fisiologista Elmar Floss, os problemas não começaram a aparecer só agora, mas no início da nova safra. “No Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná primeiro tivemos aquele excesso de chuva no plantio, temperaturas mais baixas do solo, o que aumentou o tempo de germinação das sementes. Esse excesso de chuvas facilita o aparecimento de muitos fungos e então a morte repentina de plantas foi grande”, diz Floss.
Conforme a Conab está prevista a ocorrência de perdas na produtividade da oleaginosa, principalmente para aquelas lavouras semeadas mais cedo, atingidas pelas adversidades climáticas no estágio de enchimento de grãos, a fase mais suscetível. “Acredita-se que para algumas lavouras os danos serão irreversíveis, uma vez que a ocorrência das condições climáticas adversas, particularmente na parte Oeste do estado, coincidem com o fato da maior parte das lavouras estarem nos estágios de floração e frutificação”, diz a Conab.
Em Campo Erê, uma das propriedades que apostou no plantio mais cedo da semente foi a da família Viccari. Conforme João Vicente Palagi Viccari, que é engenheiro agrônomo e responsável pela propriedade da família, são 500 hectares de lavoura, localizada às margens da SC 160. Ele explica que na época do plantio, especialmente no mês de outubro, o grande volume de chuva dificultou um pouco. “Nós já havíamos antecipado o plantio para setembro justamente devido à essas previsões de chuva para outubro. A chuva atrapalhou um pouco na plantação, já que era pra gente ter conseguido plantar um pouco mais em outubro e não conseguimos, mas a princípio fechamos dentro da janela ideal de plantio”, detalha.
Ele explica ainda que a colheita começou no dia 25 de janeiro e a expectativa é de conseguir colher até o fim da semana a parte da lavoura que foi plantada precocemente. “A lavoura é escalonada, começamos a plantar as variedades mais precoces de ciclo mais rápido primeiro e vamos fechando a medida que vai aumentando o ciclo da cultura. Pra facilitar o plantio e a colheita, que assim não chega tudo num momento só. Ai facilita também o processo de aplicação dos defensivos”, explica João Vicente.
Conforme ele a expectativa era colher 70 sacas por hectare, mas por enquanto não conseguiram chegar a isso. “A seca no mês de dezembro judiou bastante, ficamos 26 dias sem chuva e teve uma perda significativa, que pode chegar a até 15%. No entanto o restante da área está boa e acredito que com o que vamos começar a colher agora podemos até mesmo passar da expectativa de 70 sacas. Mas só vamos conseguir saber depois que fechar a colheita”, enfatiza.
Já quanto a qualidade do grão colhido, ele destaca que está muito boa. “Como a gente arriscou o plantio mais cedo, e enfrentamos a seca justo na fase de formação do grão, esses primeiros mais precoces perderam produtividade, mas o restante deve compensar, especialmente o que foi plantado em novembro, que está vindo muito bem. No fim acreditamos que vai dar uma boa safra”, destaca.
Em todo o setor de produção do Brasil esse foi um ano de tentar reduzir custos na produção, para aumentar a margem de lucro. “Trabalhamos com uma margem apertada, mas acredito que vamos ter uma boa liquidez na safra”, finaliza Viccari.

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