15/02/2019 às 08h04min - Atualizada em 15/02/2019 às 08h04min

Campo Erê soma cerca de R$ 10 milhões em prejuízos

Os prejuízos com o temporal de granizo que ocorreu no final da tarde de terça-feira, dia 5 em Campo Erê podem chegar aos R$ 10 milhões. Os levantamentos de perdas ainda não foram concluídos, mas o coordenador da Defesa Civil do município, Nelson Tressoldi, estima o prejuízo milionário a partir da área atingida, de aproximadamente 5 mil hectares de soja e 150 a 200 hectares de feijão. Ainda na manhã da quarta-feira, dia 6, havia gelo acumulado em alguns pontos atingidos pelo evento climático.
“No feijão a perda é de 100% e, na soja, a estimativa é de 50%. São entre 20 a 25 famílias que possuem áreas grandes e a maioria não tinha seguro, pois plantavam com recursos próprios. Esses produtores tiveram uma grande perda que vai refletir no movimento econômico do município. Foram atingidas as comunidades de Itatiba, Agroísa e Araçá, o que representa 20% da área do município”, disse Tressoldi.
Somente um produtor, Valmor Giacomin, calcula o prejuízo em 1,2 milhão. O produtor contabilizou todo o investimento e insumos colocados na lavoura para o plantio das duas culturas, soja e feijão. Foi contabilizado ainda o gastos com funcionários, maquinário, e o lucro que era esperado com a venda dos grãos. “No dia seguinte ao ocorrido nós ainda não sabíamos o quanto da cultura havia sido prejudicada, esperávamos que houvesse chance do feijão reagir, de alguma forma, já que estava pequeno ainda, mas com o passar dos dias vimos que não vai reagir”, lamenta Valmor.
Ao todo eram 100 hectares plantados com feijão. “Agora vamos replantar a lavoura de feijão com novas sementes, já que todo o plantio que tínhamos foi perdido”, afirma. Já na cultura do soja era 300 hectares plantados, e destes 200 foram perdidos. “O soja, diferente do feijão, não vamos conseguir replantar, porque já é muito tarde. Agora vamos aguardar para plantar a cobertura para o inverno com aveia, e depois em meados de setembro devemos plantar milho nesse espaço”, detalha.
Mesmo tendo enfrentado as diversidades do clima, o produtor destaca que continuará trabalhando com a agricultura. “O que me motiva é a certeza de que safras melhores virão. Essa não foi a primeira e nem será a última adversidade que vamos enfrentar”, salienta.
Apesar do prejuízo grande em Campo Erê a perda no cenário estadual é pontual e não afeta a previsão de uma boa safra, segundo o analista do Centro de Socieconomia e Planejamento Agrícola da Epagri, Haroldo Tavares Elias. “Tivemos um período de 15 dias de falta de chuva em dezembro, que prejudicou algumas lavouras de milho com perda de até 8% e lavouras precoces de soja em cerca de 10%. Mas isso foi compensado pelo bom desempenho em outras regiões. Não será uma safra cheia, mas dá para considerar normal”, afirma.

 
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