27/03/2019 às 10h37min - Atualizada em 27/03/2019 às 10h37min

Economia de R$ 5 mil por mês

Mercadista de Flor da Serra do Sul financiou R$ 170 mil e instalou painéis fotovoltaicos que terão vida útil de pelo menos 25 anos
         
O empresário e mercadista Nilton Francisco Moroni é um dos sulflorense que instalou painéis de energia solar sobre o teto da sua empresa em 2018. De setembro para cá, Moroni, economizou pelo menos R$ 23 mil na sua fatura de energia elétrica.
Moroni é um exemplo entre pelo menos duas dezenas de pessoas que instalaram painéis fotovoltaicos para geração de energia proveniente do sol em Flor da Serra do Sul e Palma Sola. O valor investido em painéis, inversores, cabeamento e instalação foi de aproximadamente R$ 177 mil. Moroni financiou mais R$ 30 mil para substituir e fortalecer o telhado do seu mercado para suportar o peso dos painéis.
A empresa que Moroni escolheu para fazer a instalação dos seus painéis é de Cascavel. “Eles me deram garantia e manutenção do equipamento por 1 ano” conta Moroni explicando que há alguns meses um inversor queimou: “só este inversor deve custar uns R$ 18 mil. Eles vieram e trocaram, tudo na garantia”.
A manutenção do equipamento exige que estas placas sejam lavadas de tempo em tempo, especialmente se a região sofrer com muita poeira e fuligem. Moroni compara o sistema de painéis fotovoltaicos com sistema de aquecimento de água por serpentina. “Na minha casa tenho piscina aquecida por serpentina, hoje eu faria tudo com painéis fotovoltaicos, porque só com a claridade do dia já está gerando energia” explica falando da eficiência dos painéis fotovoltaicos. Moroni indica a instalação dos painéis fotovoltaicos para consumidores com faturas a partir de R$ 800 por mês.
No mercado, Nilton Moroni instalou 144 placas fotovoltaicas, dois inversores, conversor e demais componentes que garantem a segurança e estabilidade da energia gerada. A energia excedente vai para a rede da Copel e retorna como crédito que Moroni tem até 5 anos para consumir. Todo o fluxo de produção e consumo de energia é acompanhado através de um software instalado no celular, ali Moroni tem relatórios de consumo por mês, dia, ano, bem como geração de energia e economia gerada até o momento: R$ 23.732,00.
O financiamento dos R$ 200 mil foi feito num banco ao custo de aproximadamente 11% ao ano, a serem pagos em 62 parcelas. O cálculo feito por Moroni é que o seu equipamento se pagará em 5 anos, mas que o sistema terá vida útil e irá lhe gerar uma economia por pelo menos mais 25 anos, o que significará R$ 1,5 milhão a menos no pagamento de energia elétrica.
Estes números atraem a atenção de muita gente e cresce o número de empresas e pessoas instalando, vendendo painéis e todos os equipamentos. Uma destas pessoas é Alex Ferraz, que representante a empresa N1 Fotovoltaica, integradora da WEG: “aqui na nossa região as instalações de sistemas de painéis fotovoltaicos iniciaram de verdade na metade de 2018 para cá” garante Alex.
 
Energia solar no Brasil
A quantidade de energia elétrica proveniente do sol ainda corresponde a cerca de 1% da capacidade de geração do país. Contudo, a capacidade instalada em energia solar no Brasil fechou 2018 perto de 2,5 gigawatts, um crescimento de 115% em relação a 2017, de acordo com a ABSolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica). Além disso, a entidade estima que até 2050 praticamente metade da matriz energética nacional será solar.
Essa confiança nos números tem uma explicação natural. Com grande parte de seu território localizado na região tropical, o Brasil tem um potencial solar imenso. O país tem uma incidência solar média maior do que a maioria dos países europeus e sem grandes variações entre as estações do ano. Em resumo: aqui faz sol e calor em praticamente todo o país na maior parte do ano. Além disso, a crescente utilização das placas solares em todo o mundo, com a diminuição dos custos e a necessidade de diversificação de energia ajudam a explicar essa popularização.
Ainda há a explicação econômica. As empresas brasileiras devem retomar o crescimento nos próximos anos – o que naturalmente está atrelado ao aumento no consumo de energia. Dessa forma, a demanda por energia aumentará consideravelmente e será necessário investir em energia solar para complementar a geração de energia térmica e hídrica, evitando um colapso do setor energético nacional. A vantagem das placas fotovoltaicas é que as empresas podem produzir sua própria energia, ficando imunes aos constantes aumentos nas tarifas de eletricidade.
O que falta para a energia solar crescer no Brasil ainda é a criação de políticas públicas inteligentes que tornem o setor mais atrativo do ponto de vista financeiro. Os incentivos fiscais ainda não são suficientes para alavancar o mercado. O país precisa olhar para outros mercados, verificar os erros e acertos, melhorar o que foi implementado por lá e aplicar por aqui. A sociedade norte-americana é um exemplo de sucesso: lá, houve a possibilidade de leasing para as empresas adquirirem as placas, além de um incentivo do governo federal de bonificação de até 30% do valor do sistema. Na Alemanha, qualquer autoprodutor pode vender o excedente de energia e ter uma renda extra.
Com apoio ou não, a energia solar é a fonte que mais cresce em todo mundo e, sem dúvida, ficará ainda mais popular nas próximas décadas. É uma necessidade concreta e imediata, já que os derivados do petróleo estão com os dias contados. O Brasil, mesmo com toda a sua capacidade, chegou atrasado a este mercado. Agora, resta correr para se adequar a este novo momento. Afinal, fonte limpa e não-poluente é o caminho natural da humanidade.
 
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