27/03/2019 às 10h57min - Atualizada em 27/03/2019 às 10h57min

Treino: aliando teoria e prática

O palmassolense Claudinei Gheno se destaca nas redes sociais e na consultoria que realiza com seus alunos em Chapecó

Personal trainer, professor de educação física, policial militar e atleta de musculação. Essas são algumas das definições do palmassolense Claudinei Gheno, natural do distrito Cerro Azul, que atualmente mora em Chapecó onde trabalha e treina seus alunos. Com mais de 15 mil seguidores no Instagram, Gheno está criando um perfil de treinamento diferenciado, o que atrai alunos de diversos lugares do Brasil para a consultoria on line. O que todos querem? Uma orientação especializada para obter os melhores resultados em treinamento.
Mas antes de ser reconhecido dentro da profissão, Gheno atuou alguns anos em Palma Sola, dando aula nas escolas Catharina Seger e Claudino Crestani. Depois focou na área de academia e passou a dar aulas em Dionísio Cerqueira. “Meus pais ainda moram aqui no interior, são agricultores. Eu morei com eles até os 19 anos, lidando com vaca de leite. Confesso que não gostava muito não. O que eu gostava era de música, foram alguns anos tocando moda em bailão. Meu pai era gaiteiro e eu comecei a tocar também, era mais como uma forma de ganhar renda extra nos fins de semana. Mas com o passar do tempo não deu mais de sustentar, ainda mais quando entrei pra faculdade, não teve jeito era uma coisa ou outra”, conta.
Sobre a escolha do curso de educação física, Gheno é sincero em dizer. “Era a única coisa que eu podia pagar. Mas eu pensei que era melhor estudar educação física do que não fazer nada, e eu já gostava um pouco de musculação. O esporte já estava na minha vida desde antes, mas nada de futsal, futebol ou essas coisas. Eu acompanhava fisiculturismo e essas coisas, era o que me chamava atenção, mesmo sem ter muitas referências aqui na cidade”, comenta.
Quando entrou para a faculdade, pode conhecer pessoas que já estudavam e praticavam o fisiculturismo há mais tempo. “Aprendi bastante e aplicava em mim as coisas que estudava. Foi a forma que eu encontrei para aprender melhor, por que quando você estuda na teoria e consegue aplicar na prática fica tudo mais significativo e a gente não esquece, se torna algo mais sólido. Eu treinava aqui em Palma Sola, já passei por todas as academias daqui, mais por conta dos horários, visto que trabalhava de dia e estudava à noite, era complicado. Tinha épocas que eu acordava para treinar 5h30 da manhã, foi por um bom tempo isso: treinar de madrugada, ir dar aula e a noite faculdade”, lembra.
Assim que começou a faculdade já conseguiu vaga para atuar como professor. “Eu tinha 18 anos, era recém formado no ensino médio. Foi estranho por que eu era amigo dos alunos do tempo que eu estudava então não era fácil controlar a turma, era uma loucura”, conta.
Gheno explica que a graduação em educação física é extremamente superficial. “Se pegar como base a parte mais fisiológica por exemplo, a quantidade de horas de anatomia e fisiologia é ridícula. Você aprende um pouco sobre os esportes, um pouco sobre o corpo humano, mas aprofundado mesmo você não aprende nada, apenas passa a saber que existe, ter uma noção de como são as coisas. E quando eu comecei havia muitos formados e acadêmicos da área em Palma Sola, então tinha muita gente que até me desmotivava porque ‘se der um chute embaixo de uma pedra salta uns 10 professores de educação física’ diziam pra mim”, lembra.
A ideia inicial era estudar para ser professor, mas após alguns contratempos com as aulas do estado que dava nas escolas em Palma Sola, Gheno começou a atuar como personal em Dionísio. “Eu até trabalhei um tempo aqui na academia da Lima, mas o público é pequeno, para ela não compensava me manter ali, era mais pela parceria mesmo. Tinha noites em que eu estava sozinho na academia. Em Dionísio tinha um pouco mais de público, comecei a atuar como personal e em pouco tempo eu tinha alunos das 6h à meia noite todos os dias. O meu principal objetivo era aplicar o que eu havia aprendido e estudado tanto”, comenta.
Desde a época da graduação a teoria e prática sempre andaram juntas. “Eu lia livros, via métodos que achava interessante, testava por um dois meses e depois analisava o que eu achava daquilo. A maior dificuldade que enfrentei era o desgaste de ir até Beltrão estudar, chegar por volta da meia noite e tinha que pegar a moto e descer até no Cerro Azul, dormir lá por 1h da manhã e às 7h45 ter que estar na escola para dar aula. Não foi fácil esse período, e tinha ainda as pessoas que me zoavam por eu treinar todos os dias, mas eu não dava muita bola. Depois, alguns desses que me incomodavam, até viraram meus alunos”, lembra.
Mesmo estudando bastante Gheno comenta que perdeu um tempo considerável fazendo coisas erradas. “Fiquei batendo a cara na parede sem sair do lugar, por muito tempo. Eu treino há quase 10 anos e minha maior evolução foi de três ano para cá. Por um lado foi bom, pelo aprendizado e experiência. Hoje sei que preciso respeitar o período de adaptação dos alunos. Tem muitos que fazem aquilo que eu chamo de ‘queimar a largada’ e acabam zoando o metabolismo para a vida toda. São pessoas que vão atrás de produtos milagrosos, ou não respeitam o tempo de adaptação que o corpo precisa. É preciso entender que nada substitui o tempo e a constância no treinamento”, afirma.
O profissional enfatiza que quando se fala em treino, cada pessoa vai ter uma reação diferente, por conta da genética, da rotina que consegue manter e mesmo da própria personalidade. “Cada pessoa é diferente. Existem comprimidos onde o pessoal deposita muitas expectativas e dinheiro. Muitos falsos profissionais se aproveitam dessas situações para ganhar dinheiro, mas o que funciona mesmo é tempo, treino e alimentação adequada”, salienta.
Em 2015 Gheno fez o concurso para a Polícia Militar, foi fazer a prova por que alguns amigos foram, como ele diz: foi no susto, não era um sonho. “Dois anos depois do concurso fui chamado para o treinamento e para assumir, eu havia até esquecido que tinha passado no concurso. Entrei em 2017, e hoje trabalho em Paial, uma cidade próxima de Chapecó. Embora seja uma rotina puxada, consigo conciliar bem”, afirma.
Em busca de mais conhecimento para aprimorar os treinamentos, Gheno começou a cursar nutrição. “Minha primeira graduação foi no susto, mas eu peguei gosto pela coisa. Agora estava em dúvida entre psicologia e nutrição, fiquei quase um ano pensando sobre qual das duas cursar. Acabei optando pela nutrição, mesmo sabendo que a adaptação não é só física, ela é mental também. O treino e o resultado tem um fundamento no psicológico, eu diria que cerca de 50%. Você precisa aprender a gostar do processo para ter o corpo que quer. Quanto mais você almeja maior o custo que terá que pagar por isso”, enfatiza.
Sobre suplementação para quem treina, Gheno afirma que ela é dispensável na grande maioria dos casos. “Tem gente que desiste da academia por não ter dinheiro para bancar o suplemento. Mas é preciso saber que esse não é o fator x para ter o resultado, é algo que vem para complementar aquilo que você não consegue somente com a alimentação. Se você come adequadamente o suplemento é dispensável. Mas tem ainda outras coisas envolvidas, por exemplo, o esporte para mim representa disciplina. É estar afastado de muitas festas e bebida, por que são coisas que interferem no resultado. A falta de sono adequado, o álcool, atrapalham o seu rendimento”, afirma.
Para quem realmente deseja conseguir resultados, Gheno destaca três pontos principais. “Primeiro procure bons profissionais, uma orientação que faça a diferença. Depois tenha paciência, pois é fácil se frustrar. E por fim aprenda a gostar do processo, curtir aquilo que você está fazendo, e se não gostar faça mesmo assim, seja resistente e persistente”, destaca.
Aos 25 anos a vida já está bem diferente daquilo que ele poderia imaginar, foi uma conquista diária. “O que posso dizer para quem está começando a treinar é que busque uma rotina que vai conseguir manter a vida toda, ache o seu limite e tente aprimorá-lo, saia de sua zona de conforto, e saiba que pra ter resultados vai ter que abrir mão de algumas coisas, mas que vai valer a pena”, salienta.
Quando se fala no mundo de academia, Gheno destaca que não há caminho fácil para o resultado. “Anabolizantes, por exemplo, são coisas que sempre existiram na indústria farmacológica. São hormônios que existem para aumentar a performance, não só na musculação mas em todos os outros esportes. Mas tem duas coisas que precisamos deixar claro: anabolizantes sozinhos não farão nada, você vai ter que treinar e ele só vai potencializar o desempenho, é como se fosse a cereja do bolo; e outra, se quer utilizar essas substâncias procure um médico, faça a coisa certa da forma certa, porque o que funciona para o seu amigo de academia não vai funcionar pra você. Lembre que só tem um corpo, e precisa cuidar dele”, finaliza. 
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »