04/04/2019 às 09h09min - Atualizada em 04/04/2019 às 09h09min

“Eu não tenho mais paciência”

A afirmação é do anchietense Delair Kovalski, que reivindica o conserto de uma estrada interiorana que dá acesso à casa de seus pais

Na edição da semana passada pulicamos na página dois uma nota a respeito de alguns vídeos que estavam circulando nas redes sociais com a reivindicação de um morador anchietense. Nos vídeos Delair Kovalski reivindica a melhoria em um trecho de 1,5 quilômetros de estrada de chão, que liga a casa dele à casa de seus pais, entre as comunidades de União da Vitória e Aparecida.

Delair, explica que a estrada tem aproximadamente três quilômetros de extensão, mas apenas parte dela está em situação crítica. “Pra eu ir lá no pai, vou por essa estrada por que é o caminho mais perto disponível. Tem outro acesso, mas o caminho é muito mais longo”, destaca.

No percurso o rio cruza a estrada duas vezes, e em ambos os locais não há mais ponte, no entanto a reivindicação do morar é de que a prefeitura arrume a estrada. “A gente entende que não é bem assim pra fazer uma ponte, tem custos, precisa de tempo e projeto. Se bem que já faz uns dois anos que estamos sem as pontes. Mas o que eu não entendo é a condição da estrada, que se eles vierem aqui com duas horas de trabalho bem feito arrumavam os 1,5 quilômetros que precisa ser arrumado”, detalha.

Enquanto isso, para poder usar o caminho mais perto, o morador vai até a casa dos pais de moto e traz eles até a sua casa para então pegar o carro e leva-los até a cidade. “Se não, eu tenho que passar na comunidade 25 de Maio, ir na Aparecida, passar no pai, subir pela linha Salete, pra daí ir na cidade. Eu tenho que fazer mais de 50 quilômetros de estrada”, afirma revoltado.

O morador explica que da casa onde mora até nos pais, ida e volta da cerca de 3 quilômetros, mas pelo caminho mais longo somente a ida já da 14, e da casa deles até Anchieta dá mais 12. “Ida e volta na cidade da 52 quilômetros. Sendo que quando eu consigo usar essa estrada aqui, ida e volta até Anchieta da 28 quilômetros, e ainda podemos ir maior parte do trecho pelo asfalto”, destaca.

No dia que gravou o vídeo a mãe de Delair tinha uma consulta marcada no posto de saúde. “Eu atravessei ela nas costas no primeiro rio e no segundo tentamos atravessar na moto, mas como a água estava com fluxo um pouco mais forte ela acabou caindo, tive que pegar roupa emprestada da minha mulher pra poder levar ela no posto. Minha moto tá aí, com pisca quebrado, o para choque do meu carro já foi arrancado numa das vezes que atravessei por essa estrada, e minha mãe tá até hoje com uma marca roxa do tombo. Ela e meu pai são idosos, os dois tem 78 anos, e se acontece alguma coisa mais grave que a gente precisa chegar rápido na casa deles, ou se eles tão passando mal vai fazer como, levar na moto? Se tivesse a estrada boa eu ia em questão de minutos com o carro, mas assim tenho que fazer todo o contorno pela outra estrada”, lamenta.

Conforme a família, essa estrada que precisa ser arrumada liga as comunidades de Aparecida, Linha Salete, União da Vitória e São Roque. “É um trecho curto, mas que fica na intersecção de quatro comunidades”, afirmam.

O morador afirma que já procurou a prefeitura antes. “Procurei, e há um ano atrás mais ou menos gravei um vídeo da ponte, me prometeram que iam arrumar, mas não vieram. Há alguns dias fui na prefeitura, fiquei mais de meia hora sentado esperando, me falaram que o prefeito ia descer falar comigo mas não desceu, e a gente que mora no interior quando vai pra cidade sempre tem um monte de coisa pra resolver. Ai chegou o chefe de obra e o Josemir que é vereador, me disseram que iam falar com prefeito. Procurei a vereadora Andriane, pedi pra dar uma mão, ela me falou que ia fazer o que pudesse, mas também não deu jeito. Fui na garagem três vezes, falei numa boa, e nada. Há uns 15 dias encontrei o chefe de obras que estavam arrumando a outra estrada que vai para a Aparecida, falei com ele, disse que era pra eu ficar tranquilo que assim que acabassem aquele trecho vinham aqui, mas nada. E daí tu não vai se indignar?”, questiona.

Delair enfatiza que a qualidade da estrada geral está boa, o que ele pede é que seja arrumado o trecho entre os rios e a estrada geral. “Eu não devo em prefeitura, não tenho o nome sujo no município de Anchieta, nem em lugar nenhum, eles que me devem obrigação de manter as estradas. Eu vendo quase 4 mil litro de leite por mês, tiro nota todo mês, compro os insumos e de tudo isso eu pago o imposto. É tudo em dia, então eu pago as coisas pra ter direito, não devo obrigação nenhuma a eles. Só peço que a prefeitura faça o papel deles, algo simples. Cadê os vereadores? Tem o Ivo Schaeffer que me ajuda a cobrar, e os outros? Eu não tenho mais paciência! Fiz aquele vídeo não só pro prefeito, mas pra todo mundo ver a verdade”, enfatiza.

O que diz o prefeito Ivan?

Entramos em contato com o prefeito de Anchieta, Ivan Canci, que nos enviou uma nota explicativa sobre o assunto. Segundo ele a prefeitura já tinha conhecimento da situação real e suas implicações:

“Prezada Jornalista, boa tarde. Este problema existe há mais de 10 anos. Ninguém está isolado ou sem acesso. A senhora do vídeo tem outros três caminhos com qualidade para ir até a cidade. O trecho de estrada está com mato pela baixíssima utilização da mesma. A Comissão Municipal de Defesa Civil estará visitando o local e fará um relatório. As pontes foram feitas na década de 90. De lá para cá, há uns 10 anos, a água levou embora e ficaram os tubos apenas e grande parte deles também foi transportada. Temos ciência do problema e durante este ano, a exemplo de outras cinco pontes, será também construído a ponte neste local. Tudo sem alarde e politicagem. Nosso foco é resolver os problemas e melhorar a vida das pessoas. Já estamos fazendo os devidos projetos. Solicitamos recursos para o INCRA, pois é um assentamento, e não obtivemos sucesso. Por isso, vamos fazer com recursos próprios. De novo, sem alarde e pirotecnia”, afirmou Ivan.
 
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