05/04/2019 às 08h25min - Atualizada em 05/04/2019 às 08h25min

Finalizada colheita da soja

Com quase 100% das lavouras colhidas a média de produção de sacas/hectare variou bastante entre os produtores da região

Quem passa pelos campos de lavoura da região já pode perceber que a colheita da soja está praticamente concluída. Nesta safra a variação de produtividade entre os produtores chamou atenção, com alguns colhendo em alguns pontos cerca de 50 sacas por hectares e outros chegando a marca dos 80 sacas.

Vilmar Schaeffer, de Campo Erê, plantou 114 hectares de terra com a expectativa de colher uma média de 70 sacas por hectare. “Mas não vai dar, acho que chegamos a 63/64 sacas por hectare. O meu problema foi em razão de muita chuva, variedade de soja e a ferrugem que foi danada”, conta.

O produtor, que é associado a Coopertradição, destaca que esse foi um ano muito propício para o desenvolvimento da doença da ferrugem. “Quando o inóculo está instalado na soja e dá 24h que ela fica com a folha molhada, é o clima ideal pra doença desenvolver. E teve um período que deu até seis dias seguidos de chuva então não teve muito o que fazer”, explica Vilmar.

Já na outra ponta da safra, o exemplo positivo vem do palmassolense Volnei Zandoná, que encerrou sua colheita na semana passada com uma média total de 71 sacas por hectare. Volnei plantou 750 hectares com o soja, mais ou menos a mesma quantidade que o ano passado. Ele explica que nesse ano iniciou o plantio no dia 28 de setembro, dentro da janela ideal de plantio. A colheita iniciou em 15 de janeiro sendo finalizada nos últimos dias de março. “Essa safra está variando muito, um pouco em função da chuva muito irregular. Tivemos estiagem entre o fim de dezembro e início de janeiro, com áreas que ficaram até 27 dias sem chuva, e também um período da chuva intensa, especialmente no início da colheita, o que causou bastante variação. Tem áreas que produzimos muito bem, alguns talhões chegaram a produzir 81 sacas por hectare, outras nem tanto, mas no fim isso acabou equilibrando a nossa média final”, detalha o produtor.

Sobre a qualidade do soja ele destaca que está boa, com o grão bem formado. “Ficamos satisfeitos com o resultado final da colheita. Quando fizemos o plantio estimávamos colher entre 70 sacas a 75/hectare, e ficou dentro disso.

Quanto à venda do soja, Zandoná explica que parte dela é feita com o contrato futuro. “Então a gente programa um valor pré-fixado para vender a soja lá na frente. Descontamos o custo dos insumos e pegamos, por exemplo, 30% da parte que iria sobrar, para fechar em mercado futuro. Se lá na frente o valor da safra do soja estiver mais baixo a gente ganha mais, se tiver mais alto que o previsto a gente deixa de ganhar. Mas de qualquer forma é um bom negócio para trabalharmos em cima de média, tanto de produção como de comercialização”, enfatiza.

O produtor colheu cerca de 3,5 mil toneladas de soja em terras plantadas em Palma Sola. “Acho que o ano foi bem produtivo, teve a questão das intempéries, mas temos o solo bem corrigido e dessa forma não chegou a atingir tanto a produção”, detalha.
O gerente da Coopertradição de Palma Sola, Valdenir Barbieri, destaca que a colheita da safra 2018/2019 está praticamente concluída. “Quem está colhendo mais nessa safra é quem plantou o soja no ciclo normal, ou seja, plantando do meio para o tarde”, explica.
Conforme Valdenir quem plantou soja do cedo foi mal, tendo lavouras em que está se colhendo em média 50 sacas por hectare, chegando a 60 no máximo 65 sacas. Já quem plantou milho do tarde está colhendo até 80/90 sacas de soja por hectare. “Mas ai são áreas isoladas, tem um material novo que foi lançamento no ano passado e nesse ano teve plantio em grande escala, que está se destacando, que é o Zeus, uma variedade de semente”, explica.

O gerente da Coopertradição explica ainda que na nossa microrregião há variações diferentes na produtividade e qualidade da soja. “O caso do Vilmar, por exemplo, enfrentou problemas com a ferrugem, mas todos os produtores passaram por esse período de chuva no fim de fevereiro, então sobre o que afetou a lavoura dele pode ser a questão da chuva, ou então a variedade, época do plantio, pode ser o momento da aplicação do fungicida, enfim tudo influencia no resultado final”, afirma.

Conforme Valdenir, o que se usa para avaliar o sucesso, ou não, da safra são os resultados dos produtores referência, que são aqueles que fazem tudo o que é indicado desde o preparo da terra até a colheita. “Mas o que podemos afirmar é que de maneira geral a expectativa dessa safra não foi frustrada, de maneira alguma. Com base na produtividade desses produtores referência o que podemos afirmar é que na nossa região foi plantada uma área menor de soja, já que alguns produtores optaram em plantaram mais milho, e isso influencia a nossa realidade de mercado”, explica.

Fazendo um parâmetro da produtividade dos últimos anos, Valdenir explica que em 2011 teve um período de estiagem muito grande que causou prejuízos nas lavouras da região e afetou muitos produtores. “Tivemos muitos casos de produtores que não conseguiram honrar seus compromissos por causa da estiagem, depois disso tivemos praticamente em todos os anos as safras cheias, ou seja, colhendo médias de 60 sacas por hectares para cima”, detalha.
 
Link
Tags »
Notícias Relacionadas »
Comentários »