20/04/2019 às 09h31min - Atualizada em 20/04/2019 às 09h31min

Professor, idealista, empreendedor...

As palavras acima são usadas por amigos para definir Adelar Maximiliano Zimmer, que já exerceu diversas atividades profissionais, superou graves doenças e é uma importante liderança de São José do Cedro e região
 
“Seis zeros não tem valor, mas quando colocamos uma unidade na frente passamos a ter 1.000.000. O Adelar é esta unidade. Mais que um grande amigo o Adelar é uma pessoa de espírito comunitário, um empreendedor” José Lario Zimmer.
Adelar Maximiliano Zimmer é nascido em Cerro Largo-RS na região das missões, do sítio arqueológico dos jesuítas. De lá saiu com apenas três anos, dia 21 de julho de 1953 veio para Cedro, hoje São José do Cedro. Foi nesta cidade no Extremo Oeste catarinense que plantou suas raízes, elas foram tão fundo que ao longo da vida Adelar negligenciou boas oportunidade de trabalho em grandes cidades.
Em São José do Cedro, Adelar fez o primário e o ginásio. Aos 16 anos foi para Balneário Camboriú-SC estudar num colégio agrícola, não gostou, especialmente pela distância. Acabou indo estudar em Ijuí-RS onde fez o Científico, [equivalente ao 2º grau de hoje] durante o dia e à noite técnico em contabilidade. A principal razão para buscar a transferência para Ijuí foram às férias de 1967.
Nestas férias foi para casa em São José do Cedro e viu uma menina muito bonita, comunicativa, simpática e que com poucos olhares e palavras laçou seu coração. Adelar conhecia a futura mãe dos seus filhos: Ana Maria Link. Ana morava em Santo Angelo e tinha vindo visitar os avós maternos, Reinaldo e Amália Wolkwais.
“Sempre sonhei ter uma família duradoura. Eu vi na Ana este futuro. Eu não tinha a intenção em casar logo, mas sim, que nos conhecêssemos bem para depois nos casarmos. Foi o que aconteceu. Depois de 10 anos de namoro, nós dois formados, ela em pedagogia e eu em Química Industrial e Química Pura nos casamos” lembra Adelar.
O casamento foi em janeiro de 1978, na Catedral de Santo Angelo. Desta união nasceram: Ana Carolina, Adelar Filho e Mateus Zimermann.
 
 
O significa família para você?
Tudo. É a base da relação e da felicidade na vida de um casal. Quando olho para trás me entristece o número de atividades que eu tinha durante a infância dos meus filhos. Eu saia de casa quando eles estavam dormindo e quando voltava eles já estavam na cama. Infelizmente não os curti quando eram pequenos. Depois que estavam maiores, pude tê-los mais por perto.
 
Há momentos da vida que o senhor eternizou na mente?
Adoro lembrar das viagens em família, das viagens com as turmas de escola. Nestas viagens eu e a Ana levávamos as turmas de formandos e nossos filhos iam junto. Normalmente íamos para o Campeche em Florianópolis. Outros momentos registrados na minha mente são a formatura dos meus filhos. Orgulho e felicidade.
Mas quando me lembro da formatura também lembro do corte do cordão umbilical com a família. Eles estavam grandes, adultos e foram atuar em outras áreas.
Também lembro das viagens para visitar os avós dos meus filhos. Era uma alegria colocar os filhos num chiqueirinho dentro de uma Elba e assim fazíamos os 380 quilômetros até Santo Angelo.
 
Porque escolheu Química?
Conheci um professor na área de química em Ijuí, a matéria de química me atraiu por ser uma ciência que me permitia entender a composição dos elementos. Compreender o mundo. Como em Ijuí eu já tinha feito o Científico de dia e Contabilidade à noite, no início dos anos 70 fui para Porto Alegre, onde prestei vestibular na Pontifícia Universidade Católica, a PUC, para Química Industrial. Lá tive oportunidade de à noite cursar Química Pura, esta me dava habilitação em pedagogia, na área do magistério. Eu vivia dentro da PUC, lá eu pegava ônibus as 6h da manhã, fazia uns 40 quilômetros, almoçava no RU (Restaurante Universitário) e também jantava por lá. E esta foi minha vida durante cinco anos.
 
O que traz da universidade, além da graduação?
Foi uma época que eu não me envolvia politicamente. Tinha colega meu que depois a gente descobriu que era do DOPs, era um funcionário da polícia federal. Mas foi lá que fiz grandes amizades, a exemplo da feita com os Irmãos Lassalistas, no colégio Nossa Senhora das Dores, onde fiz estágio e eventualmente dava aulas de química, substituindo algum professor.
Fiz muitos amigos por lá, mas em função da distância com o Oeste catarinense e também pela falta de comunicação as amizades foram se apagando.
 
Onde nasceu o seu tino comercial?
Na infância. Aos seis anos meu pai fez um banquinho na loja Zimmer, que ficava exatamente na esquina onde hoje estou construindo um prédio. Foi naquele banquinho que eu me colocava para pesar os diversos produtos: açúcar, erva, farinha, sal, sagu, pimenta, de tudo.
 
Que atividades o senhor já desenvolveu, com que já trabalhou?
Aqui no Cedro comecei como lojista, depois professor de química, diretor do educandário Colégio Cedrense de 1981 a 1985, químico responsável pela laticínio Trevisol, posteriormente laticínio Guarujá. Fui fundador do CDL/SPC, presidente do sindicato dos produtores rurais, vice-presidente da FAESC, produtor rural, colunista de jornal, e atualmente vice-presidente da cooperativa de crédito Sulcredi São Miguel.
 
Já teve problemas de saúde?
Um AVC em 1998, um câncer no intestino em 2010, e a amputação do pé direito em 2018 em razão de outro câncer.
Completei 69 anos em janeiro e foi enfrentando os problemas de saúde que aprendi o verdadeiro sentido de se ajudar. Percebi que na enfermidade a primeira coisa é a pessoa se ajudar. Eu ainda tenho a graça de estar no seio de uma família fantástica, que me apoia, me dá alegria, energia para superar tudo que aconteceu.
 
Como o senhor quer ser lembrado?
Pelas coisas boas que fiz. Quero ser lembrado por aquilo de útil que fiz pela minha comunidade. Eu sempre fiz o que fiz com muito amor, com dedicação. Quando dei aula, adorava, como químico, adorava, ajudei a trazer cooperativas de crédito a Cedro, aquilo me deu muito prazer, fiz com amor. Aprendi muito com as pessoas ao meu redor.
Diante daquelas pessoas que mais amo, quero que elas tenham a certeza que eu vivi por amor por elas e com elas.
 
O que te entristece?
A inatividade me deixa triste. Fiquei seis meses em casa, sem um pé, me recuperando para colocar uma prótese, aquilo me deixou mal. Foi minha família que me inspirou e deu forças para recomeçar e agora é no trabalho que encontro entusiasmo. Hoje com um pé de policarbono já ando sem bengala pela casa, viajo de carro, voltei a ter dignidade.
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