02/05/2019 às 09h35min - Atualizada em 02/05/2019 às 09h35min

Após 10 anos de história a banda Pequena Place anunciou o fim das apresentações

Quem mora na nossa micro região e gosta do bom o velho rock já ouviu, em algum momento dos últimos 10 anos, uma música da banda anchietense Pequena Place. A banda anunciou o fim das atividades na semana passada com um agradecimento a toda a nação roqueira que acompanhou o grupo ao longo dos últimos anos.
Para marcar o fim das atividades, e relembrar um pouco dessa história, a equipe do Jornal Sentinela do Oeste procurou os integrantes da última formação, buscando fazer um resgate da história.  A Pequena Place surgiu em março de 2008 através de amigos que compartilhavam em comum o gosto pela música.

O início
Na primeira composição a banda contava com Guilherme Flach (guitarrista), Adilson Ribeiro (no baixo), Leandro, o Juca de Palma Sola (na bateria) e Paulo dos Santos, o Pinguim (nos vocais). Essa formação seguiu por cerca de seis meses, e depois entraram Peterson Contini (bateria) e Fernando Severo (no baixo), seguindo assim até 2017.
“Toda a trajetória da banda foi massa, mas o começo é sempre mágico. Apesar de sermos amigos antes da Pequena Place, o começo foi intenso. Foi como uma formação de família, ensaiávamos três a quatro vezes na semana, e então íamos tocar nos eventos da região. Eventos de moto, casa de shows, sítios, aniversários. Só guardo boas lembranças dessa época”, destaca o vocalista Paulo Pinguim.
Junto com Pinguim quem ajudou na fundação da banda foi Guilherme Flach. “O nome da banda Pequena Place, surgiu em referência à nossa cidade, ao nosso lugar, por que quando começamos a gente se reunia bastante na praça, pra trocar umas ideias e beber umas cervejas”, lembra Guilherme.
Ele conta que a influência musical veio um pouco de seu pai, Protásio Flach. “Meu pai sempre gostou muito de música. Ele ouvia Raul Seixas, Beatles, e o rock. Este conteúdo musical entrou na minha vida quando eu tinha uns 10 anos por aí. Além disso, teve um tio meu que me apresentou bandas clássicas como Led Zeppelin, AC/DC entre outras, e eu sempre curti muito o Life Style do rock, tanto que levava isso para os amigos também”, conta.
Conforme o baterista Peterson Contini, que esteve na banda por oito anos, o bacana foi o desafio de entrar na Pequena Place e ajudar a construir essa história. “Eu tinha pouca noção de bateria, mas mesmo com tão pouca experiência a gente traçou uma meta de gravar um CD autoral e um ano depois (2010) conseguimos. A gente vai ficando velho, o tempo vai passando e vamos ficando mais críticos, e mesmo com o decorrer dos anos eu ouço as músicas do primeiro álbum e vejo que ficou bom mesmo. Isso é gratificante”, afirmou.
O baixista Eduardo Rampanelli Pompermayer conta que o rock era para eles um estilo de contra cultura. “Queríamos ir contra o que a maioria ouvia, é difícil explicar, são coisas intensas. O rock simplesmente acontece. Sempre gostamos da liberdade que a música nos dava, e depois passou a ser um estilo de vida, fomos descobrindo que o universo da música é gigante e não precisamos nos fechar em apenas uma coisa. O rock nos atraiu pela liberdade do falar”, afirma.
Eduardo, que conhecia os integrantes mesmo antes da banda e sempre esteve presente de alguma forma na Pequena Place, conta que os amigos deram liberdade e apoio para que os projetos fossem concretizados. “Eu tenho muita gratidão por tudo isso, por terem confiado em mim para produzir o primeiro álbum em parceria com o Leomar Lazarotto (seco), e depois por eu poder fazer parte tocando na banda. O resultado foi bom porque a banda era boa. Acredito que nosso auge tenha sido logo depois do lançamento do primeiro CD que girou muito na região, chegávamos nos lugares e a galera estava ouvindo, conheciam nossas músicas, isso tudo foi muito bacana”, destaca.

O meio
O vocalista destaca o papel da banda na construção de sua musicalidade. “A Pequena Place representou para mim a amizade, a satisfação de se fazer o que gosta, liberdade, aprendizado e tudo de bom que a música faz. Forjou-me uma identidade que me orgulha muito. Por isso a todos que acompanharam nossa trajetória, deixo o nosso muito obrigado. Valeu mesmo, a todas as pessoas que nos ajudaram de uma forma ou outra, guardo todos no coração”, enfatizou Pinguim.
Sobre os momentos marcantes, Guilherme destaca a conquista de gravar o primeiro álbum. “Quando eu comecei a tocar guitarra jamais pensei que chegaríamos a gravar um trabalho próprio, ter músicas nossas. No nosso primeiro disco gravamos em estúdio os vocais e a bateria, já as guitarras e o baixo foi gravado na antiga casa dos meus pais. Eu acho que com o passar dos anos o que mais marcou foi a gente chegar para tocar em alguns lugares e ter uma galera pedindo para tocar as nossas músicas, gente que conhecia o nosso autoral. Das músicas que a gente gravou acho que a que tem essência do rock é a Ovelhas Negras, que tem uma letra muito significativa para todos nós e um instrumental incrível”, declarou.
Já para Peterson, o mais marcante foi poder compartilhar o amor pela música. “A banda representou para mim muita coisa, a mais importante, sem dúvida é o amor pela música, que permanece. Tocar, ouvir, sentir a música é uma terapia maravilhosa, e a galera da Pequena Place me ajudou a evoluir com isso”, salienta.
Eduardo Rampanelli Pompermayer, destaca que a gravação do segundo álbum demorou para sair por que a banda estava buscando criar algo tão bom quanto, ou melhor que o primeiro. “Quando começamos a pensar nesse segundo álbum sempre vinha a questão do o que queremos dizer com essas músicas, e no final foi aquela coisa do rock que fala de diversão, de reflexão. O nosso compositor é o Paulo Pinguim, eu acho que as letras são bastante interpretativas, ele deixou aberto pra isso e assim o ouvinte pode dar o significado que melhor compreende, por que talvez o intuito dele fosse fazer o ouvinte pensar”, afirma.

O fim
O último disco foi gravado ao vivo no estúdio, e lançado em 2018. “Foi uma experiência muito bacana, porque é um sistema de gravação que dificilmente se faz hoje em dia. O que posso dizer é que conheci muita galera através da Pequena Place, fiz várias amizades e acho que foi uma década muito legal. Só tenho a agradecer a todos que fizeram parte disso. Mas quem trabalha com cultura no Brasil sabe que é difícil, ainda mais a gente que tem uma banda de rock, e por mais que na nossa região tem bastante gente que gosta do estilo, de certa forma é um pouco desvalorizado. Para se ter uma banda e mantê-la há todo um custo que precisamos pagar, entre outras coisas envolvidas, e infelizmente, não estávamos mais conseguindo conciliar tudo”, comenta Guilherme.
Sobre o fim, Peterson Contini diz: “Eu saí da banda em 2017, mas acredito que não seja um fim, talvez apenas um ciclo que se encerrou, por que sei do gosto que a galera tem pela música, por levar o rock e conhecer pessoas. Acho que não se encerra, é talvez um novo começo para todo mundo. A minha gratidão é imensa”.
Quem entrou no lugar te Peterson, na bateria, foi Thiago Narezzi. Então, a última composição da banda tinha Pinguim no vocal, Eduardo no baixo, Guilherme na guitarra e Thiago. “O Thiago entrou como uma luva na banda, um baita músico que se tornou um grande amigo. E o Eduardo, que assumiu em 2016, foi nosso produtor desde o primeiro álbum, esteve junto conosco desde o início”, conta Pinguim.
Eduardo salienta que a Pequena Place continua com todos que gostam de suas músicas. “Não é um fim enquanto as pessoas ainda ouvirem o que produzimos. Não houve briga, não houve um rompimento, foi mais uma questão de logística que não deu mais pra levar. Tem muita coisa para falarmos, muita coisa mesmo por que afinal são 10 anos, uma década de história, mas acho que o que fica é aquilo que conseguimos produzir”.
O vocalista finaliza com um agradecimento. “Valeu nação roqueira. No momento a Pequena Place é um ciclo que se fecha, mas a música segue inserida na vida de cada membro da banda. Digo isso pela convivência que tivemos. Na minha vida a música é o que eu respiro, minha terapia, está impregnada em minha alma. Hoje a Pequena Place encerra suas atividades, mas a amizade continua e o rock n´roll prevalece”, finalizou Pinguim.
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