09/05/2019 às 10h55min - Atualizada em 09/05/2019 às 10h55min

Programa de sustentabilidade leiteira

Objetivo da parceria entre Epagri e Secretaria de Agricultura é auxiliar produtores a reduzir custos na produção de leite

A Secretaria de Agricultura de Palma Sola está desenvolvendo em parceria com a Epagri e 15 famílias produtoras de leite do municio, um projeto piloto de sustentabilidade leiteira.

O Secretário de Agricultura, Elber Pereira, explica que o Programa começou a ser pensado ainda em 2018, utilizando como base o projeto que a secretaria já desenvolvia em parceria com o Sebrae para a produção de mel no município. “Então sentamos com a Vanessa e o Marcos da Epagri e desenvolvemos essa ideia, tendo como base também um programa que já acontecia em São Miguel do Oeste, mas adaptado para a nossa realidade. Nossa ideia é focar o programa no leite, em como fazer paras conseguir reduzir custos na sua base de produção”, explica.

O secretário destaca que em Palma Sola são 320 produtores de leite. “Então é o nosso carro chefe na agricultura, que tem mais movimentação”, detalha, salientando ainda que o programa tem vários objetivos, dentre eles auxiliar os produtores a usarem adequadamente a água e o solo disponível na propriedade. “Mas o principal objetivo é conseguirmos auxiliar o produtor a diminuir o custo da produção do leite, por que não conseguimos mexer no valor de venda do litro de leite, mas podemos tentar diminuir os custos, pra assim conseguir uma margem maior de lucro e rentabilidade”, destaca.

O principal papel da Secretaria de Agricultura nesse programa é mediar as ações junto com a Epagri. “Fornecemos as máquinas e equipamentos necessários quando possível, mas também estamos atuando para cobrar o pessoal (Epagri e produtores) que sigam a execução do programa. No que conseguirmos vamos auxiliar esses 15 produtores que estão participando do projeto piloto. Então, após o período de um ano mais ou menos, vamos avaliar os resultados para ver se estamos conseguindo bons resultados para no ano que vem aumentarmos esse número, talvez manter esses 15 produtores e pegar mais alguns para implementar o programa”, explica Elber.

Já a Epagri participa do programa como responsável pela parte técnica. “Então a gente faz as capacitações e também pelas visitas. Ao todo serão seis capacitações, na parte da manhã trabalhamos a teoria e na tarde a prática, ou uma visita em alguma propriedade. O objetivo final é a gente conseguir passar em cada uma dessas 15 propriedades para ver sobre o assunto que foi estudado, o que a família pretende implementar. É um programa desenvolvido de acordo com a realidade de cada propriedade”, salienta a extensionista da Epagri, Vanessa Ramos.

A última aula do programa foi ministrada sobre o planejamento forrageiro, onde o professor explicou como mencionar a propriedade, onde localizar as categorias animais, o que seria o ideal. “Então hoje eu estou aqui na propriedade do Claudecir e da Marli Garguetti para explicar para eles o que seria o ideal, e então pensarmos juntos: do ideal o que eles querem e conseguem fazer nesse momento? Por que não é nada imposto, a gente coloca a sugestão ideal e eles avaliam o que podem ou querem fazer”, explica Vanessa.

Um dos principais pontos do programa é que a mudança acontece aos poucos. “Com essas capacitações a gente quer passar para eles a proposta da Epagri para a produção de leite a base de pastagem perene, que é oferecer pastagem de qualidade e em quantidade; piqueteamento fixo; oferecer água e sombra para as vacas nos piquetes. Esse conjunto de técnicas tem um fundo ambiental, que melhora a fertilidade e diminui a erosão da terra, e um fundo econômico para a família porque reduz custo de produção”, enfatiza.

Outro ponto abordado no programa com as famílias é a questão da mão de obra. “O que eu estou propondo para essa família é muita mão de obra nos próximos dois anos, que é o período de implantação. Mas depois a tendência é diminuir a mão de obra, por que será mantida a base de produção que eles estão construindo agora”, afirma a extensionista.

Claudecir e Marli Garguetti são uma das 15 famílias participantes do Programa. Eles possuem 24 hectares de terra localizados na Linha Brasil, onde tem 22 vacas, sendo destas 20 em lactação. Eles explicam que o que os fez participar do programa foi a vontade de buscar conhecimento para trabalhar a propriedade da melhor forma possível. “Nós queremos ter uma margem de lucro maior, afinal é disso que nós vivemos. A gente vê que há muito a melhorar na propriedade, isso nunca vai parar”, afirma.

Além da busca pelas adequações na propriedade, o casal começou a fazer um acompanhamento veterinário com os animais da propriedade. “O veterinário vem, faz ultrassom, e ajuda a identificar gestação ou não, se a vaca tem algum problema reprodutivo, ou algo assim. Fazendo estes investimentos nos animais, já percebemos melhorias no desempenho animal. As vacas estão entrando em cio de qualidade, não tem mais repetição de cio, diminuiu o índice de aborto. Então, como vemos melhorias, pensamos que esse melhoramento também seria possível na questão da produção de pastagem, e assim aderimos ao programa. Hoje percebemos que temos bastante área de pasto, mas não estamos produzindo todo o potencial, por causa dessa questão do manejo”, explicam.

O secretário de Agricultura, Elber, salienta ainda que esse programa é uma das ações que tem como fundo o objetivo de manter e auxiliar a continuidade dos jovens trabalhando com a agricultura no campo. “Quando falamos em sucessão familiar o Claudecir e a Marli são um jovem casal que resolveu permanecer no campo, em um espaço de terra que era da família do pai de Claudecir, para dar continuidade ao trabalho na agricultura. Eles estão construindo uma propriedade bem organizada, que dá lucro, tem rentabilidade, qualidade de vida e podem oferecer para as filhas um bom futuro na agricultura”, afirma.

Vanessa destaca que a Epagri atua também com esse viés, de oferecer qualidade de vida aos trabalhadores do campo. “A gente trabalha para que a sucessão familiar aconteça, mas a gente quer uma sucessão com qualidade”, finaliza.
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