20/05/2019 às 09h17min - Atualizada em 20/05/2019 às 09h17min

Sambaqui: Reencontrar é viver

Pensando nisso, os amigos integrantes do grupo de carnavalescos Sambaqui, de São José do Cedro, realizou um reencontro

Na década de 70 havia um grupo de amigos que convivia juntos em São José do Cedro e que decidiu se reunir para criar um bloquinho de carnaval. Eram cerca de 20 pessoas nesse primeiro bloco chamado de Turma do Funil. “Ai o nosso bloco foi crescendo e na década de 80 criamos o bloco Tuti Fruti. Era por causa de um chiclete de tuti fruti que marcou a época, era muito gostoso. Só que o bloco foi crescendo, as meninas completavam 15 anos, debutavam e começavam a participar com a gente no carnaval, todos amigos e conhecidos”, relembra Cleusa Cadó.

Até que, no fim dos anos 80 e início da década de 90, surgiu o Sambaqui. “Aí nós criamos músicas próprias, marchinhas e fantasias para começar a concorrer com o grupo que era nosso rival, o Batuca Som. A gente começava a se juntar em dezembro, por que durante o ano estudávamos fora, para planejar o carnaval, arrumar a roupa e preparar os desfiles. Era dezembro e janeiro voltados para a preparação e em fevereiro a festa de carnaval”, conta.

Ela conta que era sempre o mesmo grupo e aos poucos os novos integrantes iam surgindo. “E no Batuca Som também era bastante gente daqui. Éramos dois grupos, tinha rivalidade, competição e muita alegria. A cidade se dividia, uns torciam pra nós e outros para o Batuca Som, era uma disputa maravilhosa. Época de carnavais maravilhosos no clube, olhando as fotos a gente não acredita que um carnaval desses acabou”, lamenta.

Cleusa conta ainda que havia toda a preparação para o desfile. “Então bolávamos a fantasia, o desfile e nos planejávamos para a festa. Participávamos das quatro noites, fazíamos os concursos e nós sempre tirávamos o segundo lugar. Por um tempo isso nos motivou a caprichar mais na roupa, fazer carro alegórico, planejar os desfiles da nossa rainha, tudo pensando em conseguir o primeiro lugar, mas nunca veio”, conta rindo.

Conforme ela, a grande aposta do último ano, foi investir e caprichar no desfile. “A gente tinha uma diretoria, pagava uma mensalidade durante o ano para termos dinheiro pro bloco, e então na apuração do nosso último ano dois integrantes do nosso bloco participaram, o Mauro e o Trajano, eles dois entraram na hora de abrir os envelopes para acompanhar. Eu me lembro como se fosse hoje de um deles falando que havia um envelope rasurado, e depois soubemos que foi trazida uma jurada de Florianópolis, amiga de um dos componentes da diretoria do Batuca Som. Mais uma vez ficamos em segundo lugar, ai desistimos de participar aqui no Cedro, por que a gente estava muito bem naquele ano e mais uma vez perdemos”, relembra.

Daquele ano em diante começaram a participar de carnavais em outros municípios da região, como em São Carlos, onde tinha carnaval de rua, em ginásio e tudo mais. “Então começamos a ir pra lá, ficávamos acampados como bloco e continuamos a festa do carnaval. Mas infelizmente foi diminuindo o carnaval, a cada ano começou a ser diferente, mais difícil de promover e não conseguíamos mais participar como antes”, lamenta.

Sobre as lembranças das melhores épocas do carnaval, ela conta que era muito divertido. “Éramos todos muito amigos, desde o tempo de colégio, tinha uma integração muito grande entre nós. Nunca aconteceu um episódio triste, era sempre divertido, entre amigos, virávamos uma grande família. Tanto que aconteceu namoro de carnaval, casamento entre integrantes do bloco e tudo mais”, afirma.

O reencontro

A irmã de Cleusa, Clea Link, que mora em Palma Sola e também participava do bloco, falou sobre o reencontro que aconteceu em Cedro no começo do mês. “O reencontro foi na ABB lá do Cedro. O que motivou esse encontro foi justamente poder rever os amigos depois de tantos anos. Essa festa motivou antigos integrantes do bloco a partilhar momentos significativos durante esse tempo que passamos sem nos ver. Foi um encontro de amigos, uma família que voltou a se unir, mesmo estando distantes. O nosso reencontro foi em meio a muitos abraços, embalado ao som de músicas dos anos 80, MPB e marchinhas de carnaval. Anos que vem vamos realizar o segundo encontro, por que recordar é viver”, finaliza.
 
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