23/08/2019 às 08h37min - Atualizada em 23/08/2019 às 08h37min

“Desejo que o Brasil encontre seu caminho”

A afirmação é do petista e prefeito de Guarujá do Sul, Claudio Junior Weschenfelder, eleito em 2016 com 1.642 votos

Filho de Claudio e Maria Lurdes, Claudio Júnior Weschenfelder, hoje com 32 anos, é o prefeito mais jovem da região, comandando o município de Guarujá do Sul, onde conta com o apoio do irmão e vereador Cleber.
Nascido e criado na comunidade de Linha Barro Preto, próximo ao Pessegueiro, tem boas lembranças da infância e adolescência, vivenciadas com humildade e marcadas pela cooperação com os outros membros da comunidade. Oriundo de uma família com raízes profundas na política, Claudinho, como é mais conhecido, foi construindo seu nome como representante do município ao longo de toda sua vida.
Uma identidade marcada pela participação ativa em diversos setores da comunidade: Claudinho foi catequista, integrante da pastoral da juventude, do grupo de jovens, instruído como ministro da eucaristia e da palavra, participou da coordenação diocesana de Chapecó. Quando ingressou na faculdade de assistência social participou de serviços comunitários, integrou o diretório dos estudantes na universidade através do Movimento Estudantil, além de atuar no sindicato, na militância partidária do PT, partido no qual é filiado desde que fez o título de eleitor.
Na sua história destaca-se a criação da Cooperflor, fundada por Claudinho e por um grupo de 28 sócios agricultores. A cooperativa teve início em 2008 durante o plano de intervenção de estágio da faculdade de assistência social, que Claudinho cursava em São Miguel do Oeste. A Cooperflor surgiu de um projeto que relacionava a política de assistência social com a política de segurança alimentar e nutricional.
Essa participação ativa na comunidade foi tão ou mais importante que a bagagem acadêmica, do curso em Assistência Social concluído em 2009. Em 2016 Claudinho iniciou um mestrado, mas precisou trancar os estudos quando decidiu disputar o pleito eleitoral de 2016. Essa foi sua primeira candidatura a um cargo político, e ele conseguiu eleger-se prefeito com 1.642 votos.
Quando falamos em política, a veia petista de Claudinho pulsa forte, até mesmo na hora de conhecer a esposa, Gisele Vendrusculo. “A conheci durante um encontro da juventude do PT, em 10 de setembro de 2006. Mês que vem farão 13 anos de união”, comenta.
A política
O pai de Claudinho, Claudio Weschenfelder, já participava dos ambientes políticos, tendo sido vereador e posteriormente prefeito entre 2005 e 2008. No entanto o prefeito afirma que tomou gosto pela política quando percebeu o impacto nas decisões na vida das pessoas. Antes de assumir a cadeira de gestor do Executivo de Guarujá do Sul, sua experiência mais próxima havia sido com o Legislativo, no período em que foi assessor parlamentar do deputado Padre Pedro Baldissera (PT).
A eleição
Em abril de 2016 a Dilma tinha sido deposta do cargo de presidente e aquele se apresentava como um dos piores cenários possíveis para disputar uma eleição pelo PT. “Tivemos uma dificuldade de construir alianças, porquê embora as pessoas tivessem um apreço pela minha figura, havia um peso em carregar a bandeira do PT. Em outros tempos era uma vitrine, um trunfo, e em 2016 não”, afirma.
De 2013 pra cá, momento mais turbulento do Partido dos Trabalhadores, em algum momento você sentiu vergonha de estar filiado ao PT?
Vergonha eu não sinto, mas sinto que houve deslize. No entanto, acho que os acertos foram maiores que os erros. Quando questionavam se eu queria ser candidato e se não achava melhor sair do PT eu dizia que era só me indicar um partido honesto. Acredito que o PT tem uma história maior do que os deslizes que foram cometidos.
Enquanto político e enquanto petista o que o Lula representa para você?
Eu vejo o Lula como Nelson Mandela, e acredito que a história ainda vai dizer isso. Ele tem um grande significado. Cresci vendo as tentativas do Lula ser presidente. Vejo que alguns pecados foram cometidos, alguns relacionados a incapacidade ou a falta de vontade de fazer uma reforma política mais estruturante. Esse talvez tenha sido o grande pecado do PT: dar continuidade a máquina como ela vinha sendo exercida anteriormente. Tanto que quando a Dilma foi deposta, ministros que eram dela viraram o crachá e assumiram o ministério do Temer no dia seguinte.
O que a Dilma representa para você?
Eu considero ela uma pessoa muito íntegra, embora por vários momentos achincalhada, desprezada, humilhada. Do ponto de vista econômico atribuem a ela um fracasso na economia brasileira. Eu não considero dessa forma. Acho que o contexto da crise mundial de 2008 chegou ao Brasil mais tardiamente desembocando uma recessão econômica num ambiente de instabilidade política.
Atribuo a queda da Dilma justamente pelo fato de não se corromper. O que alguns chamam de incapacidade de articulação política, eu chamo de preservar as convicções que ela tinha, pois algumas coisas não se negociam.
Você acredita que o PT conseguirá desvincular a imagem de corrupto do nome do partido?
Acho que a história vai descontruir. Na verdade eu achei que levaria mais tempo, pensei que precisaria de alguma décadas, mas isso já está começando. Vejo que com a autonomia que o partido deu para a Polícia Federal de fazer seu trabalho e investigar, as coisas começaram a ser descobertas, e como o PT era o partido do governo acabou sendo o foco principal. Num primeiro momento as lideranças petistas foram o alvo das principais investigações e isso deu uma repercussão muito grande, principalmente por que o PT sempre foi um partido que defendeu a honestidade. Qualquer indício de corrupção é como se fosse uma mancha vermelha numa toalha branca. Quando tem um político corrupto é só mais um, mas quando é do PT é mais um do PT.
Esse patrimônio eu acho que não se recupera mais: a confiança do brasileiro no PT. Evidente que houve pessoas que se lambuzaram na máquina pública brasileira, e em alguns momentos o partido deixou de agir com efetividade, expulsando algumas pessoas...
Você acha que faltou reconhecimento por parte do partido de que havia algo errado?
Faltou humildade de abrir o jogo. As investigações atingiram núcleos históricos dos partidos grandes do país. Hoje vemos que os partidos utilizaram-se do que era público para operar caixa dois de campanha. Dessa forma quem se elege não é quem tem as melhores intenções e sim quem tem maior volume de recurso.
Na tua definição onde se faz política?
A política se faz em vários espaços. Ela é uma ferramenta de fazer o bem comum. Se as pessoas boas não se envolvem na política, as ruins vão tomar conta dela. Então vejo que estar na política não necessariamente significa estar em algum espaço institucional, mas se dedicar de alguma forma ao bem comum.
É através da política que se consegue construir maior condição de igualdade, de justiça social. Quando falamos em mudar o mundo e em educação é preciso esclarecer que a educação é um ato político, na medida em que permite que o indivíduo se liberte de uma condição de aprisionamento, inclusive intelectual.
A política tomou um espaço muito maior na vida das pessoas nos últimos anos, saindo dos centros políticos e ganhando espaço nos almoços de domingo de todas as famílias, abalando tanto relações sociais entre amigos como dentro das próprias famílias. Como você avalia esse cenário?
É preocupante, pelo surgimento de um elemento que há muito não se via no Brasil que é a incapacidade de convivência com o diferente, a intolerância. Eu tenho minhas convicções, mas outras pessoas tem outras, e todos deveriam conviver. Independente do governo A ou B, estou preocupado com os próximos passos que o Brasil vai dar. Quando um grupo começa a não admitir o diferente, se caminha para uma situação de extremismo que pode levar à barbárie.
O que espera para o Brasil?
Desejo fidedignamente que o Brasil encontre seu caminho, pra que nós, enquanto prefeitos possamos concluir nosso mandato com a maior decência, dignidade e com conquistas. Para isso precisamos que o Brasil vá bem, com uma política oferecendo segurança para a economia. Eu enquanto prefeito preciso que o Brasil ande nos trilhos, volte a crescer gerando riqueza, renda, emprego, para termos receita, poder fazer investimento e concluir esse mandando com o maior número de conquistas possível.
Claudinho, após dois anos e oito meses de governo, se pudesse conversar com o Claudinho que estava sentando no gabinete de prefeito no dia 1º de janeiro de 2017, o que falaria para ele?
Eu falaria para ele dosar o entusiasmo.
Você está satisfeito?
Estou satisfeito com a minha capacidade de aceitar esse desafio como uma missão, para a qual estou me doando. No entanto não estou satisfeito com as condições e com as realizações que o governo consegue proporcionar pelas expectativas que eu tinha e pelas expectativas que as pessoas tinham quando depositaram um voto de confiança em mim.
2020 é ano eleitoral, você é candidato?
Não, ainda. Não posso me furtar desse compromisso, pois a candidatura é um processo quase que natural. Causaria até estranheza um prefeito não ir à reeleição e eu não vou me furtar de defender aquilo que construímos nesses últimos quatro anos. Nossa eleição em 2016 se deu porque, embora o ambiente nacional fosse um, aqui em Guarujá era favorável.
Mas não estamos governando pensando na eleição do ano que vem, e isso vai seguir até o fim de 2019. Não vamos antecipar o debate eleitoral, pra não comprometer a situação de diálogo entre os partidos, que é possível graças a essa postura de governo que nós estamos tendo. Até quando isso vai se sustentar? Pelo menos até o início do ano que vem!
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