02/04/2020 às 08h52min - Atualizada em 02/04/2020 às 08h52min

Santa Catarina entra na terceira semana de quarentena com desafios pela frente

NSC

Os catarinenses entram na terceira semana de quarentena por conta do coronavírus a partir desta quarta-feira, 1º de abril, quando oficialmente passa a vigorar o novo decreto do governo do Estado que prevê isolamento social e fechamento de estabelecimentos comerciais em Santa Catarina. Serão mais sete dias de regras de restrição que começaram no dia 17 de março com a publicação de um decreto e da declaração de situação de emergência. Neste período, haverá desafios importantes para as pessoas e autoridades.

O primeiro deles está diretamente ligada à volta das atividades econômicas. Assim como vem dizendo o governador Carlos Moisés da Silva em suas entrevistas coletivas, o Estado terá pela frente uma "convivência com o vírus". Com o avanço do período de quarentena, a retomada se aproxima ainda mais. A tentativa inicial do governo, adiada com um recuo na semana passada, agora será desenhada com participação de entidades, prefeituras e representantes da Alesc em reuniões diárias.

Diferentemente do primeiro plano, abortado pelo Estado sob a justificativa oficial da falta de estrutura médica, a nova programação do governo precisa ser certeira e sem erro estratégico de anúncio ou antecipação de um cenário. Moisés evitou cravar qualquer mudança na coletiva de terça-feira (31), postura importante. O momento exige ponderação, ainda mais com a criação de um grupo específico para discutir a flexibilização da quarentena. Toda cautela agora é importante. O Estado ainda tem sete dias para analisar a questão.

Empresas e trabalhadores clamam por apoio financeiro. Enquanto o processo no governo federal ainda é lento, o governo estadual fez anúncios na primeira semana de quarentena. Mesmo assim, empresários de bares e restaurantes, por exemplo, dizem que ainda falta ajuda do Estado e das prefeituras.

Estruturação da Saúde

Para que a retomada ocorra sem percalços, entretanto, entra o segundo desafio: a estruturação da rede de Saúde em Santa Catarina. O governo decidiu focar nos hospitais catarinenses e descartou a montagem de "grandes hospitais de campanha". A promessa é de 713 leitos de UTI até maio. O momento pede pressa e agilidade na resolução. Faltam kits de teste, por exemplo.

A dependência do governo federal para o abastecimento de materiais e equipamentos é um dificultador. Isso exigirá interlocução constantes para a aceleração da logística, enquanto a própria secretaria de Saúde catarinense faz a sua parte com a montagem das estruturas locais. Uma rede completa e à altura da retomada será fundamental para a reabertura da atividade econômica. O catarinense precisa estar seguro da estrutura que vai encontrar em caso de necessidade diante da proliferação da doença.

Papel fundamental

O terceiro e último desafio está diretamente ligado às pessoas. Apesar do clima nas ruas, um ponto deve estar claro: a recomendação é pelo isolamento. Aglomerações como as que se formaram em pontos de caminhada e corridas como a Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, nos últimas dias, são desaconselhadas. Entende-se a ansiedade diante de um longo período de isolamento, mas o momento exige uma dedicação maior contra o vírus.

Uma das grandes lições da doença será a mudança comportamental em relação à saúde. E isso começa agora, com o respeito às regras de restrição. Os próximos sete dias terão desafios para as autoridades, mas as pessoas precisam fazer a sua parte.


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