03/10/2015 às 09h24min - Atualizada em 03/10/2015 às 09h24min

Irmãos caminhoneiros

A profissão de motorista surgiu na vida dos irmãos Vissotto na década de 70, como opção para sair das serrarias e ir morar na cidade

Analiza Vissotto
Palma Sola
(Foto: ASO/Analiza Vissotto) Reni (Sebo), Alderi, Valdenir e Valério moram em Palma Sola

Naturais do Rio Grande do Sul, os irmãos Vissotto, Valério, Valdenir, Alderi e Reni (Sebo), moram em Palma Sola há muitos anos. Foi o município onde o pai, Inné, que sempre trabalhou em madeireira junto da esposa Delmina, escolheu para viver na época da colonização do Oeste de Santa Catarina.

Em terras palmassolenses os irmãos ainda jovens trabalhavam junto com o pai em madeireiras do município. “O pai sempre morou no mato, porque foi criado assim, vivendo dentro de serraria. Por ele nos iríamos continuar vivendo no mato, e a oportunidade de ir para a cidade surgiu com a profissão de caminhoneiro”, explicam os irmãos.

O primeiro a fazer a carteira de motorista foi Alderi, que mesmo não sendo o mais velho da família, na época com 23 anos, foi aprendendo aos poucos os macetes da profissão. “Em 1977 eu ganhava 10 salários livres, o que era muito bom, pois não existia isso do motorista trabalhar comissionado”, lembra Alderi.

Foi então que os outros irmãos começaram a aderir à profissão de motorista. Após tantos anos já viajaram por muitos Estados do país e alguns também para o Mercosul, como o Chile, Argentina e Uruguai. Transportaram de tudo um pouco, em viagens que podiam durar apenas alguns dias e outras meses. Alguns produtos já transportados pelos caminhoneiros são: polietileno (plástico), banana, soja, milho, cabotiá, frango, suíno, arroz, feijão, sal, açúcar, madeira, farinha, adubo, ureia entre outros. “São tantos anos e tantas coisas que nem conseguimos lembrar”, afirmam aos risos.

Dos Estados por onde não estiveram, Valério lista apenas o Amazonas, Roraima, Macapá e Acre; Valdenir não foi para o Rio Grande do Norte, Macapá e Roraima; Alderi não esteve em Roraima, Amapá e Amazonas; e Sebo já viajou por todos os Estados do país, sendo que para levar batatinhas para Manaus, ficou por sete dias viajando em uma balsa.

Sobre os perigos das estradas ensinam que o bom motorista cuida de sua direção e também da dos outros. “As vezes é preciso cuidar mais ainda o outro do que você”, ensina Valdenir lembrando que ele e os irmãos por vezes foram professores na profissão. “Já treinamos alguns motoristas que estavam no início da carreira, ter alguém com prática ajuda a aprender a dirigir, principalmente carretas maiores e pesadas”, explica.

Ainda sobre os perigos da estrada, eles contam que nenhum dos irmãos se machucou gravemente em acidentes, mas afirmam que já auxiliaram em muitos. “É coisa triste de ver, mas sempre ajudamos quando pudemos”, afirmam.

Sebo é que tem uma história curiosa sobre os perigos da estrada, mas ocasionado pelo clima. Há cerca de 10 anos quando transportava frango de Batatais-SP para o Chile ficou preso em uma tempestade de neve em cima da Cordilheira dos Andes. “Estava -16°graus e eu e outros motoristas ficamos presos lá, então nos resgataram de helicóptero”, recorda.

Para os experientes motoristas que já dirigiram caminhão toco, carreta simples, trucada e bitrem a profissão foi escolhida pela necessidade da vida, e mesmo passando longos períodos longe da família para compensar, nas férias escolares os filhos eram companheiros. “Naquelas viagens para o Norte onde era muito quente e só tinha ventilador, ainda íamos rindo, pois todos estavam juntos”, afirmam os irmãos.

Os locais mais próximos de Palma Sola que tinha asfalto na época em que todos começaram a trabalhar (década de 70) era Pato Branco e São Miguel do Oeste. “Era uma época diferente, a profissão mudou demais, hoje em dia estrada boa é aquela que você paga pedágio, e onde não paga é ruim mesmo”, lamentam.

Outras mudanças elencadas pelos motoristas foi a criação da restrição de horário (exigida devido ao aumento e tamanho das carretas), do preço do combustível que ninguém reclamava e criação da comissão. “Quando começamos a trabalhar de caminhoneiro patrão ganhava bem e funcionário também”, afirmam os irmãos explicando que nenhum dos filhos se tornou caminhoneiro. “Se puder estudar, ou ter outra profissão que os jovens de hoje façam isso, porque financeiramente não compensa como antigamente, e também se vive muito longe da família”, opinam.


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