19/05/2020 às 15h59min - Atualizada em 19/05/2020 às 15h59min

Quatro casos de coronavírus foram registrados em Anchieta

Após a confirmação do primeiro, o município iniciou uma série de testes rápidos em pessoas próximas ao paciente. Nesta ação é que se confirmou mais três

Na última semana, a equipe da Secretaria de Saúde de Anchieta confirmou três novos casos de coronavírus no município. O primeiro havia sido confirmado na terça-feira, 12, em uma paciente de 19 anos. De acordo com o secretário da pasta, Martinho Scantamburlo, todos os confirmados possuem ligação, pois após a confirmação do primeiro, iniciou-se uma série de testes rápidos em pessoas próximas a paciente. Nesta ação é que se confirmou mais casos. Sobre a idade dos novos confirmados, a equipe de Saúde informou que no momento não será divulgado.
Segundo o secretário, todos os confirmados e seus familiares estão em isolamento domiciliar, sendo monitorados diariamente pelos órgãos responsáveis. Os testes nas pessoas próximas ainda estão sendo feitos, e o pedido é para que a população redobre os cuidados. "Pedimos que as pessoas somente saiam de casa se for preciso, e que saia apenas uma pessoa por família, e também, que a população se proteja com o uso de máscaras", reforça.
 
Casos e testes rápidos
Até o fechamento desta edição na terça-feira pela manhã, o município anchietense havia confirmado quatro casos de Covid-19; 18 suspeitos em isolamento; 51 monitorados, que tiveram contato com pacientes suspeitos; 30 curados e nenhum exame encaminhado ao Laboratório Central (Lacen) em Florianópolis. Conforme Martinhos, outros testes serão feitos e novos casos podem aparecer.
“Os testes rápidos são feitos em pessoas com os sintomas apresentados há pelo menos seis a sete dias. Se a pessoa não estiver bem, ela deve ligar para o posto de Saúde e passar sua situação para uma enfermeira ou médica, e assim a chamaremos para a realização do teste. O que não podemos, é fazer em todos os que pretendem, mesmo sem sintomas, e não adiantaria, pois ele dará um falso negativo. A pessoa ficará tranquila e se aparecer os sintomas verdadeiros, ela não terá o mesmo grau de preocupação anterior ao exame realizado”, esclarece Martinhos ressaltando que o município segue um protocolo ministrado pelo Ministério da Saúde, onde constam os critérios obrigatórios a serem seguidos.
Anchieta recebeu do Estado nos últimos dias, 80 testes rápidos, para serem utilizados nos profissionais da saúde. Com recursos do município, foram adquiridos mais 100, que estão sendo utilizados na população. Devido aos exames já feitos, o município está buscando comprar uma quantidade maior de exames, para que se tenha em estoque, se acaso novos munícipes precisarem.
 
Recursos ao município
De acordo com o prefeito, Ivan Canci, o município tem tido uma queda de receita muito grande, em função da pandemia que atinge a economia de forma brutal. “Essa queda não atinge só Anchieta, mas todo o país. Em função disso, estimamos que teremos uma perda de receitas de abril a setembro, na faixa de R$ 700 mil, no mínimo”, esclarece complementando que pela aprovação do Plenário do Senado, o município receberá em quatro parcelas R$ 768 mil para recompor as perdas.
“Torcemos para que esse valor seja equivalente. Estamos cuidando ainda mais dos gastos, muito embora, recursos para a saúde e para quem precisar, buscamos fortemente que em nenhum momento falte. Estamos fazendo disso uma prioridade, porque a saúde das pessoas deve prevalecer”, destaca Ivan enfatizando que o Governo Federal entregou ao município R$ 16 mil para a compra de equipamento de proteção individual (EPI) aos profissionais, como máscaras, álcool em gel, jalecos e outros.
“Também recebemos do Governo R$ 26 mil, que só poderá ser usado em consultas e exames feitos neste período de pandemia. E precisa-se ser feito de acordo com a tabela do SUS. Também recebemos R$ 35 mil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, que já foi utilizado na compra de materiais aos profissionais”, enfatiza.
“Não avançamos muito na questão dos respiradores, o município não tem estrutura e nem possibilidade de ter um respirador. Esse papel deve ser feito em um hospital regional. Toda a região está emanada para que o Governo de Santa Catarina coloque mais respiradores no hospital regional de São Miguel do Oeste, que é referência no tratamento do Covid-19”, ressalta.
 
Materiais necessários
Conforme o secretário Martinhos, no primeiro momento, quando recebida a notícia da pandemia, foi reunido toda a equipe da saúde para reuniões e feito treinamentos com todos, para que pudessem atender os pacientes de forma correta. “Compramos EPIs para todos e ensinamos o uso correto desse material. Foi remanejado consultórios. Feito o distanciamento das poltronas de espera. Na Unidade de Saúde Central, foi separado os consultórios, hoje há um para os suspeitos e outro para os demais. Além disso, diminuímos a quantidade de pessoas nos veículos da saúde; não foi lotado nenhum desde março até então”, esclarece.
“Criamos uma sala de vacina paralela ao posto, devido a campanha de vacinação, para evitar as aglomeração. Realizamos uma barreira sanitária por três dias. Estamos fazendo várias divulgações pela cidade, sobre os cuidados e orientações. São várias ações continuas. Neste momento, a preocupação é bem maior, ainda mais que já temos casos confirmados. As pessoas devem fazer a sua parte e andar junto da saúde”, conta enfatizando que nos dois últimos meses as consultas eletivas foram suspensas, e exames sem urgência e emergência foram parados, para que os precisos fossem priorizados.
“O trabalho da saúde não parou. Nosso pronto atendimento está trabalhando por 24 horas, com médico presidencial. Estamos ainda com um médico na Unidade de Saúde e nesta semana, outra médica começou a atuar. Todos os que precisam da saúde são atendidos, mas pedimos aos que não precisam ir ao posto, que não vão. E se precisar fazer renovação de receitas, ligam a nós e faremos essa renovação a vocês, e se for preciso, encaminharemos a foto. Todos os dias estamos buscando mais prevenção e orientação para todos, mas ainda não se tem cura para esse vírus. Precisamos fazer o distanciamento, o uso correto da máscara, a higienização das mãos e procurar os serviços tanto na área da saúde, quanto no comércio, somente se tem necessidade e uma pessoa da família”, explica Martinhos.
Conforme ele, a compra de EPI está difícil, devido a grande procura, os preços aumentam constantemente. “Sofremos e temos grande problema em adquirir esses produtos, viemos todos os dias tentando comprar o que se tem no mercado, estamos pagando um valor bem elevado, por isso está se gastando tanto. E além disso, a dificuldade de adquirir os testes rápidos é imensa, compramos o que conseguimos e viemos comprando todos os dias o que tem e o que nos oferecem. Comparamos os preços e procuramos comprar pelo menor valor, o que é muito difícil. Estamos tranquilos quanto a quantidade que já temos de materiais aos funcionários, mas viemos sempre estocando”, continua.
De acordo com o prefeito, Ivan Canci, mais de 2 mil máscaras foram confeccionadas e doadas por costureiras do município. Além delas, outras foram adquiridas através da Assistência Social e de empresas locais.  “Temos ainda cerca de 500 no Cras e na Assistência que poderão ser buscadas pela população. Uma pessoa por família pode ir e buscar para todos os integrantes. É de forma gratuita. Estamos junto da Ameosc adquirindo mais máscaras para serem distribuídas aos profissionais, para ter em estoque digamos assim e também para a população”, explica.
Um novo decreto será homologado, fazendo com que, o uso de máscaras seja obrigatório ao sair de casa. “Antes era apenas nos lugares públicos, agora, todos deverão usar ao andar na rua, assim podemos assegurar mais segurança a todos. Máscaras serão doadas para que todos possam utilizar”, continua o prefeito.
 
Isolamento e fechamento de comércios
Conforme o secretário de saúde, o isolamentos está sendo realizado com o paciente e com os familiares de sete a 14 dias. “Eles precisam assinar um termo de que vão cumprir, e nisso vamos acompanhando e ligando diariamente. Eles recebem as informações necessárias e nos informam como estão. Temos fiscais responsáveis e que estão cuidando para que seja realizado o isolamento e se não for, eles são notificados. As pessoas que vem de fora é interessante que comuniquem a Secretaria para que os responsáveis possam fazer o monitoramento”, explica.
De acordo com o prefeito, no momento, os comércios não serão fechados, mas se não for cumpridas todas as orientações propostas nos decretos estaduais e municipais, o órgão fiscalizador do município e do estado tem o poder de multar e até de tomar medidas drásticas referente aos estabelecimento. “Acreditamos na compreensão e do cuidado desses espaços, tanto pelos clientes, quanto pelos donos. Pedimos que todos sigam as orientações. Caso houverem problemas, podem comunicar a polícia, bombeiros, saúde e poder público, estaremos indo até os locais e tomando as medidas necessárias”, esclarece.
 
Privacidade: qual o limite para a divulgação de dados?
As informações são muitas. Verdadeiras e falsas. A pandemia tem provocado uma difusão, talvez mais rápida do que a da própria doença, de números, cuidados e orientações. Muitas das informações envolvem dados particulares de pacientes – mais do que isso, dados sensíveis, relacionados à sua saúde, que possuem tratamento diferenciado na legislação. Para pesquisadores dois parâmetros devem ser observados: a relevância de determinada informação para a saúde pública e a necessidade de identificação do portador dessa informação.
O governo federal, com a chancela dos ministérios da Justiça e da Saúde, publicou no dia 6 de fevereiro deste ano a lei 13.979, que discorre sobre as determinações nacionais por conta da pandemia. No que se refere à proteção de dados, a lei especifica que “é obrigatório o compartilhamento entre órgãos e entidades da administração pública de dados essenciais à identificação de pessoas infectadas, com a finalidade exclusiva de evitar sua propagação”. O texto também estende a difusão de informações ao setor privado quando solicitado e diz que o Ministério da Saúde manterá os dados “públicos e atualizados”, resguardando “o direito ao sigilo das informações pessoais”.
Conforme Martinhos, a divulgação dos nomes não é autorizada. “Não temos autorização para liberar dados neste sentido, apenas informar a todos como está a situação do município. Não devemos publicar informações pessoais dos confirmados e isolados. E se isso fosse possível, teríamos um grande problema, pois as pessoas passariam a se proteger dos nomes publicados e não se cuidariam do restante. Devemos nos cuidar de todos e não só daqueles que estão com os sintomas”, destaca.
“As informações que postamos diariamente sobre a situação do município são verdadeiras, jamais esconderemos os dados, tanto na dengue quanto no vírus. Os dados são divulgados por uma enfeira responsável por isso, que tem a obrigação de fazer a notificação ao Estado e ao Ministério. O que é divulgado é o que está realmente acontecendo”, finaliza.
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