09/06/2020 às 13h52min - Atualizada em 09/06/2020 às 13h52min

Campanha busca redução dos números de violência em Palma Sola

O confinamento vem revelando diversos comportamentos sociais, dentre eles: a tendência de aumento dos índices de violência doméstica, de feminicídio e contra crianças e adolescentes

A população mundial acompanha diariamente com espanto e temor o aumento vertiginoso dos números de contaminações e mortes por Covid-19. Diante deste cenário de incertezas, os governos adotaram medidas extremas recomendadas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo a quarentena. Reconhecido, em todo o mundo, como essencial para combater a rápida disseminação do vírus, o confinamento vem revelando diversos comportamentos sociais, dentre eles: a tendência de aumento dos índices de violência doméstica, de feminicídio e contra crianças e adolescentes.
Corroborando essa observação, foi registrado nos últimos dias pelo Ligue 180 um aumento de 40% no número de denúncias de vítimas de violência doméstica e familiar. Pensando nisso, a secretaria de Assistência Social, Polícia Civil e Militar, CRAS e Conselho Tutelar de Palma Sola lançaram na semana passada, uma campanha contra a violência, intitulada “Diga não à violência”, que tem como objetivo alertar e informar às vítimas de que elas possuem uma rede de atendimento para procurar proteção, pois neste período de isolamento, as vítimas podem estar ainda mais vulneráveis, já que na maioria dos casos crianças, adolescentes, idosos e mulheres são violentados dentro do próprio ambiente familiar.
 
Para a polícia
Segundo o 3º sargento e comandante da Polícia Militar de Palma Sola, Roberto de Ré, 90% das ocorrências repetidas ou que envolvem a mesma família, se dá pela dependência financeira. “É por isso que o trabalho de psicólogas e profissionais dessa área são importantes, porque eles podem levar até essas famílias um novo mundo e mostrar que existem outras formas de enfrentar, e que essa pessoa não precisa conviver com aquela violência por ser um familiar”, destaca complementando que a PM está atendendo um aumento de violência em todos os âmbitos, seja contra adolescentes, crianças, casais ou idosos.
“Em porcentagem não temos o número do quanto aumentou em Palma Sola, pois muitos casos não são registrados, mas vimos que com essa campanha e as ações que estamos fazendo, aumentaram os registros. Este trabalho vem no sentido de buscarmos amparo e orientação aos que sofrem tais violências, pois muitos casos ocorrem e não são trazidos para apurações ou acompanhamento de profissionais. Como percebemos que com o isolamento os números aumentaram, principalmente os casos familiares, viu-se a necessidade de ampliar parcerias e buscar medidas para auxiliar essas pessoas, dizendo que há profissionais preparados para ajudá-las e que devem trazer a nós esse fato e registrá-lo, para que possamos coibir as agressões”, esclarece.
 
Para a psicóloga Eduarda
Conforme a psicóloga da Assistência Social do município, Eduarda Ceriolli, o aumento dos casos de violência com crianças e adolescentes se dá também pelo fato das escolas estarem fechadas, pois muitas vezes ela é o único meio daquele aluno manifestar um comportamento e estar fazendo uma ‘denúncia’. “Às vezes, para nós do Social em especifico, que trabalhamos com a violação de direito, é o último lugar que as pessoas procuram. Elas vão primeiro na polícia, no conselho e em outros meios, e agora isso também está restrito. A importância dessa divulgação também se dá para que eles vejam que há outros meios”, explica a psicóloga.
Eduarda destaca que a Assistência Social trabalhará com a proteção, onde não farão punições ou denúncias, exceto em casos de crianças e adolescentes que é obrigatório. “Uma mulher que é vítima de violência pode procurar os serviços pois trabalhamos com outra perspectiva: que é a de acolher e ajudar na superação. As vezes as pessoas deixam de nos procurar por uma questão de preconceito social, ou porque tem medo de denunciar o agressor”, esclarece complementando que o momento é propício para ‘pensar no coletivo’.
“É momento de isolamento, mas não de relações. Se você é vizinho e está suspeitando que está havendo atos deste sentido, você deve sim fazer a denúncia, muitas vezes o agredido não tem acesso ao celular ou a outros meios. Muitas vezes meter a colher significa proteção. As violências não podem voltar a ser como antigamente, onde acontecem no âmbito familiar e ponto; os serviços de proteção e punição estão aí pra isso”, enfatiza.
 
Para a Assistência Social
“Estamos preocupados, pois tanto se fala em isolamento, em ter que ficar em casa, e as pessoas acabam por pensar que os profissionais também estão desta forma, parados. Ao mesmo tempo que se tem um aumento nas denúncias, a procura da Assistência e do CRAS diminuiu. Começamos a pensar que poderia ser porque eles não sabiam que estávamos atendendo e nisto se reunimos para organizar essa campanha, que tem como objetivo dar maior visibilidade aos serviços e mostrar que estamos aqui para atendê-los. ‘Pode estar isolado, mas não está sozinho’”, relata uma das integrantes da Assistência Social, Alessandra Ardenghy, ressaltando que apesar dos profissionais envolvidos trabalharem em funções distintas o objetivo é o mesmo: a diminuição desses casos.
De acordo com a secretária da pasta, Ivania Dapper, a violência geralmente é contra os mais fragilizados e dependentes: crianças, adolescentes, idosos e mulheres. “Quem deveria proteger, zelar é o que geralmente violenta”, destaca enfatizando que os idosos também podem estar procurando a pasta, pois há maneiras para ajudá-los. “Estamos nos adaptando com o novo normal”, esclarece.
 
Para o CRAS
Segundo a coordenadora, Dalvana Anschau, a campanha [vídeo divulgado nas redes sociais] foi uma maneira encontrada para reinventar o trabalho, principalmente para o CRAS. “Antes do isolamento tínhamos encontros semanais com as crianças e mensais com os pais, onde passávamos as informações necessárias. Além do vídeo, criamos um grupo de WhatsApp para divulgar as campanhas e as orientações, porque todo mês criamos movimentos diferentes. As famílias que não possuem internet tentamos fazer visitas, tomando todos os cuidados necessários. Antes era mais fácil, porque você recebia uma denúncia e podia ir até a pessoa, agora não. Tem uma série de orientações que precisamos levar em consideração. E ainda precisamos criar uma séria de estratégias para não parar”, esclarece.
 
Novo número 
O Concelho Tutelar do município, destacou a importância das denúncias ressaltando que um novo número de WhatsApp está circulando para atendimento das ocorrências: (49) 3652-3265 ou (49) 9 8437-7760.
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