17/06/2020 às 15h18min - Atualizada em 17/06/2020 às 15h18min

Moradora de Romelândia recolheu das ruas mais de 100 cães

50kg de ração são consumidos por dia e em dois anos, um investimento superior a R$ 30 mil foi realizado por Juliane Vergütz, apenas para mantê-los aquecidos e protegidos

Juliane Márcia Vergütz, 37 anos, servente de pedreiro e apaixonada pelos animais. Esse é o pequeno histórico da moradora da Linha 35, interior de Romelândia [22km de Anchieta], que há dois anos resgata todos os animais que vê pelas ruas, independentemente de sua cor ou raça. Para ela, os seus bichinhos são como filhos, e a família só passa a crescer a cada dia, já que hoje, ela possui mais de 100. Os cães possuem um espaço de meio hectare, onde recebem alimentação e muito amor.
“Fui filha única até os meus 10 anos e morava com meus pais que eram agricultores, morávamos em uma casa distante de vizinhos e não havia crianças para brincar. Acabava que os cachorros eram meus coleguinhas. Quando completei sete anos, foi a primeira vez que sai de perto dos meus pais e dos cachorros por mais tempo, e foi só para ir à escola. Eu chorei praticamente o ano todo, porque eu tinha dó de deixar os cachorros sozinhos na roça. Cheguei a reprovar o primeiro ano, porque eu não escutava nada do que a professora ensinava e só sabia chorar de saudade dos cachorros”, conta Juliane.
Segundo ela, todos os cães foram recolhidos das ruas, casas e bairros onde há presença de maus tratos e alguns foram encontrados nas rodovias. “Quando vamos principalmente a São Miguel do Oeste encontro animais pelas ruas. Já resgatei pelo menos três na beira do asfalto. Forneço alimentação e cuidados especiais quando ficam doentes, e acabam por não serem vacinados. Minha chácara é composta por eles, no momento os mantenho em quatro divisórias, mas ainda preciso construir galpões para protege-los principalmente em dias de chuva”, relata.
 
Doações e alimentação
Muitas doações de rações são recebidas, principalmente vindas de São Miguel do Oeste, Guaraciaba e Chapecó. Além desses, Anchieta, Palma Sola, São José do Cedro, Maravilha, Romelândia, Iporã do Oeste, Descanso e Iraceminha já foram grandes doadores. “Trabalho o dia todo fora como servente de pedreiro. Meu dia começa às 5h e termina às 23h. Ainda cuido da casa e de todos os animais quando chego do meu trabalho. É uma rotina cansativa mas só de chegar em casa e ter todas essas caudas abanando pra mim já é meu maior presente. Tem alguns que só eu chego perto, porque são ferozes com os demais e pra mim, pulam nos meus braços e me enchem de lambeijos”, destaca.
Ainda conforme Juliana, 50kg de ração são consumidos por dia e nesses dois anos, foi necessário investir mais de R$ 30 mil para construir casinhas, galpões, divisórias e cercados para proteger os cães. “Eu cuido deles com todo amor, os protejo e os resgato de pessoas maldosas que os machucam. Cuidar e os manter alimentados não é nada fácil, por esse motivo peço para os que podem, que me ajudem com doação de ração, pois eles são muitos e comem muito; eu vivo louca atrás de ração aqui. Eu e eles agradecemos”, finaliza.
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