05/03/2021 às 08h26min - Atualizada em 05/03/2021 às 08h26min

Projeto voluntário trará mais conforto a Campo Erê

Preocupados com o conforto de famílias carentes, o Leo Clube participa do projeto Brasil Sem Frestas, que tem melhorado as condições habitacionais de centenas de pessoas

Da redação
Em várias cidades brasileiras, encontramos uma realidade que muitos desconhecem: famílias vivendo em condições precárias, vitimadas pela desigualdade social; casas construídas com madeiras simples, sem qualquer vedação contra o frio, chuva, tendo como fator preocupante a entrada de insetos e animais peçonhentos pelas frestas; entre outras. Numa sociedade muitas vezes individualista, chama atenção quando se ressaltam histórias de pessoas dispostas a ajudar sem querer nada em troca, apenas focadas na solidariedade.
Foi com esse intuito que o Leo Clube, de Campo Erê, adentrou no projeto Brasil sem Frestas, criado em Passo Fundo – RS. Em entrevista ao Sentinela, a coordenadora da atividade, Laura Trevisan, ao lado do vice-presidente Paulo Henrique, salienta que o programa tem a missão de reformular residências que apresentem estrutura precária, protegendo assim inúmeras famílias das mudanças climáticas. Cita o desígnio como futuro empreendimento, já que sua finalidade ainda não é executada no município.
 “Por enquanto, estamos recolhendo caixinhas. Assim que alcançarmos uma boa quantia, doaremos para o programa, com sede em Chapecó. Fazendo isso, teremos a oportunidade de conferir como as placas são feitas, adquirindo conhecimento para logo depois começarmos a fazer por aqui”, explica comentando que há pelo menos 8 mil embalagens estocadas e que a pandemia é um dos motivos para a doação ainda não ter sido feita.
Paulo esclarece que a ideia é que os organizadores venham até o munícipio e ensinem como executar a forração das casas, para que os integrantes do clube possam iniciar os trabalhos na cidade. Centraliza que há todo um processo por trás da aplicação, como limpeza, montagem, costura e medições. “Estamos tratando com a prefeitura para enviar o quanto antes o que temos, já que não é possível fazer agora no município, pelo menos conseguimos ajudar o pessoal de Chapecó”, frisa.
 
Impedições 
Segundo Laura, muitas das adversidades enfrentadas pelo clube rodam em torno da falta de recursos e colaboradores. Este projeto, por exemplo, só terá ênfase se reunirem uma grande quantia de embalagens e adquirirem os equipamentos necessários. Exemplifica que tudo que é promovido necessita de recursos, impossibilitando muitas ações. “Se fretarmos camionetes para levar as caixinhas, teremos que tirar dinheiro do próprio bolso, e assim por diante”, enfatiza.
 
O projeto
O programa Brasil Sem Frestas nasceu da preocupação de sua idealizadora, empresária e ex-professora Maria Luiza Camozzatto, em encontrar algo que pudesse ajudar as pessoas em situação de vulnerabilidade a se protegerem da chuva e do frio. Ciente de que as embalagens de leite longa vida poderiam demorar até 200 anos para se decompor no meio ambiente, despertou para uma solução que seria a matéria-prima perfeita para forrar paredes e impedir a passagem de água e vento pelas frestas encontradas na madeira.
A ação, portanto, retira do meio ambiente um produto de difícil decomposição, por meio de reciclagem direta, além de melhorar a saúde pública. Quando as embalagens chegam ao local, são separadas, higienizadas, retiradas as tampas, cortadas e costuradas. Após isso, são grampeadas em uma estrutura de madeira, formando assim as chapas de revestimento. A escolha das famílias que receberão o material leva em consideração a urgência de cada caso. Até hoje, já foram recicladas mais de 35 toneladas de embalagens e atendidas 273 casas e mais de 1700 pessoas. Após dez anos do projeto, atualmente existem 28 multiplicadores, ou seja, unidades do projeto, instaladas em diversos estados do Brasil.
 
Como doar 
A atividade depende de doações de embalagens Tetra Pack, principalmente caixinhas de leite e suco. A coleta acontece a partir da mobilização da comunidade, através de pessoas físicas e jurídicas. Para as doações, o ponto de arrecadação em Campo Erê é ao lado da Farmácia Farma Vip, numa sala comercial na sede da antiga rodoviária. A ação acontece no último sábado de cada mês, das 9h às 11h. As embalagens precisam estar limpas para evitar contaminação. Além de caixas de leite, o projeto também utiliza de suco, iogurte e água de coco.
Paulo ressalta que o recorte das caixinhas deve ser feito na parte superior, tirando o mínimo possível. “Caixas não limpas e não cortadas, não serão recebidas. O maior problema das caixas que não são limpas é porque o leite é muito residual, para depois ser colocado em uma casa, o cheiro fica muito forte”, sobressai acrescentando que é necessário, no mínimo, 2.500 embalagens para forrar uma casa pequena. Para fazer o descarte, deve-se cortar uma das extremidades até o final; lavar/enxaguar para retirar o leite; deixar secar e levar até o ponto de coleta.
O Leo Clube campoerense é composto por quase 30 associados, que ajudam na arrecadação, em forma de rodízio. Laura finaliza que reciclando, colaboramos com o meio ambiente e levamos mais conforto térmico para muitas famílias. O revestimento de uma Tetra Pack permite isolamento térmico de até 8°C.
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