20/03/2021 às 10h29min - Atualizada em 20/03/2021 às 10h29min

Medo

Coluna de opinião do jornal impresso

Da redação
É só andar pelas ruas de Flor da Serra do Sul para perceber o medo da população sulflorense. O jornal Sentinela circula em Flor da Serra desde 2007, acompanhamos o dia a dia da cidade. Por ali as coisas sempre andaram num ritmo próprio de cidade pequena, todos se conhecem, na maioria das vezes conhecem gerações de uma família.
No domingo de manhã chegou a triste notícia da morte do ex-vereador Aquilino Dalla Valle, foi a sexta morte em menos de 72 horas. Infelizmente o anúncio da morte tinha sido premeditado um dia antes, era mais um que estava convalescendo para o Coronavírus.
Não vou aqui nomear todas as pessoas falecidas em Flor da Serra nos últimos dias, nem todas as famílias se sentem a vontade quando o nome vem parar no jornal. Mas presto minha sincera solidariedade aos familiares.
Eu conhecia o seu Adelino, entrevistei ele várias vezes. Entre agosto e setembro do ano passado lembro de falar com ele na rua. Em tom de brincadeira eu disse: “Seu Aquilino, o senhor já está velhinho, tem que usar máscara”. Ele - sem máscara - me responde: “Quem tem que usar é você que é novo. Eu já tenho idade e fiz minha parte. Os jovens é que tem que fazer a parte deles!”.
Não sei se nos últimos tempos o seu Aquilino estava ou não se cuidando, mas nem sei se isto vem ao caso. O fato é que as novas cepas do Covid-19 estão agressivas, matam mais, inclusive pessoas sem comorbidades e mais novas. Segundo o que uma médica me falou, o Aquilino estava com 73 anos, mas no seu prontuário não constava nenhuma comorbidade.
Segundo o registro feito no Cartório Guimarães, a média de óbitos dos últimos anos é de 28 por ano. A matéria completa está na página 5 desta edição, lá consta que em 2018 foram 30, em 2019 foram 23 e em 2020 foram 31, contudo em dezembro dois morreram em consequência do Covid. Neste ano de 2021 o número de mortes em Flor da Serra do Sul já chega a 16, dez foram por Covid e seis de outras causas. Quase o triplo da média.
Não tem como não se assustar.
 
Lockdown
Também na semana passada conversei com alguns prefeitos da região. A situação anta feia para o lado deles. De um lado profissionais da saúde e órgãos públicos exigindo lockdown e do outro comerciantes e trabalhadores autônomos lutando para continuar trabalhando, para continuar levando o sustento para dentro de casa. De um lado gente brigando para o governo liberar o auxílio emergencial, do outro gente brigando para continuar trabalhando.
Brasileiro sempre busca encontrar um culpado, mas este não é o caso. A questão é cada um fazer a sua parte, evitar aglomeração e qualquer coisa que possa disseminar o vírus. Nos últimos dias vi muita gente postando mensagens de luto, muitas delas estavam aglomerando em festa particular, em rios nos finais de semana. Falta de bom senso.
Também percebo que os gestores, sejam eles prefeitos, secretários e até a Justiça tentam jogar a responsabilidade para cima do outro. A decisão de fechar ou não fechar não é fácil, mas precisa ser tomada.
Não podemos ser hipócritas, é óbvio que se fechar tudo, teremos um grande recesso econômico e vai acabar faltando comida na mesa de quem mais precisa. Ao mesmo tempo estamos com a Saúde colapsada no Brasil.

Por: Igor Vissotto
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