16/04/2021 às 16h58min - Atualizada em 16/04/2021 às 16h58min

Conscientização sobre o autismo

Estima-se que o Brasil tenha aproximadamente dois milhões de autistas, em níveis diferentes de intensidade

Da redação
Divulgação
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) reúne desordens do desenvolvimento neurológico presentes desde o nascimento ou começo da infância. Seu diagnóstico, tanto realizado pelos médicos quanto a observação feita pela própria família pode ser confusa nos três primeiros anos de idade da criança, pois cada uma apresenta um desenvolvimento específico nessa fase. Sendo assim muitos descobrem tardiamente o motivo da dificuldade na comunicação, os comportamentos repetitivos, dentre outros sintomas, que acompanham a pessoa no decorrer de sua vida.
Em Guarujá do Sul, Cauê Miguel Miola Rocateli, de oito anos, foi o primeiro a ser diagnosticado com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) no município. Na época, Cauê, já estava com com quatro anos de idade, a mãe Josiane Luisa Miola, lembra que aos dois anos o filho não falava, só apontava com o dedo para as coisas, resmungava, não tinha medo de nada, nem do perigo, fazia movimentos repetitivos, não interagia com as pessoas, nem com outras crianças, selecionava muito os alimentos (isso acontece até hoje), gostava de brincar sozinho e só com um brinquedo.
Pessoas com autismo podem apresentar déficit na comunicação social ou interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, como movimentos contínuos, interesses fixos e hipo ou hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Todos os pacientes com autismo partilham estas dificuldades, mas cada um deles será afetado em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares.
“O Cauê gosta muito de música, mas quando o volume está alto o incomoda, sofre muito com barulhos de foguetes e buzinas. Ainda é muito seletivo com os alimentos e qualquer mudança em sua rotina acaba o afetando. Também apresenta bastante dificuldade de interação com outras crianças”, sintetiza Josiane.
Devido as dificuldades encontradas por seu filho, a partir dos dois anos de idade, a família e psicopedagoga da creche suspeitaram que havia algo estranho com Cauê. Josiane solicitou através do SUS, consulta com uma fonoaudióloga. Assim que conseguiram realizar a primeira consulta, o profissional informou aos pais que Cauê era possivelmente autista. “Eu fiquei em choque, pois nunca imaginei que teria um filho especial. Hoje muitas mães vêm até mim quando observam em seu filho certas dificuldades e tem dúvidas sobre o assunto”, relata a mãe de Cauê.
Diagnosticado com autismo de nível leve, Cauê faz uso de medicação somente para auxiliar na sua ansiedade e memorização. Está no terceiro ano do ensino fundamental, e participa da APAE duas vezes por semana.
“Com o Cauê eu aprendi que se vive um dia de cada vez. Ele é a minha criança especial, e me ensinou que todos nós somos iguais, que não existem diferenças que não possam ser trabalhadas. Meu filho foi a melhor coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Ele é tudo pra mim!”, Josiane.
 
 
Sintomas comuns em crianças com TEA
No geral, uma criança do espectro autista apresenta os seguintes sintomas: Dificuldade para interagir socialmente, como manter o contato visual, expressão facial, gestos, expressar as próprias emoções e fazer amigos; Dificuldade na comunicação, optando pelo uso repetitivo da linguagem e bloqueios para começar e manter um diálogo; Alterações comportamentais, como manias, apego excessivo a rotinas, ações repetitivas, interesse intenso em coisas específicas, dificuldade de imaginação e sensibilidade sensorial (hiper ou hipo). Quando ainda bebês pode-se notar a falta de contato visual, onde o bebê não consegue olhar nos olhos das pessoas, inclusive, no da mãe, durante a amamentação.
Por outro lado, o diagnóstico de TEA pode ser acompanhado de habilidades impressionantes, como facilidade para aprender visualmente, muita atenção aos detalhes e à exatidão; capacidade de memória acima da média e grande concentração em uma área de interesse específica durante um longo período de tempo. Cada indivíduo dentro do espectro vai desenvolver o seu conjunto de sintomas variados e características bastante particulares. Tudo isso vai influenciar como cada pessoa se relaciona, se expressa e se comporta.
Apesar de ainda ser chamado de autismo infantil, pelo diagnóstico ser comum em crianças e até bebês, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.
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