O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, confirmou na última quarta-feira, dia 15, que a estatal está negociando um empréstimo de cerca de R$ 20 bilhões com bancos estatais e privados, com garantia do Tesouro Nacional, para equilibrar as contas em 2025 e 2026 e viabilizar o retorno ao lucro em 2027.
Segundo Rondon, os termos do financiamento ainda estão em negociação e passarão primeiro pelo aval do conselho de administração da empresa, que deve analisar o plano até 24 de outubro. A garantia da União reduz o risco para os bancos, permitindo condições mais vantajosas de juros e prazos.
A medida faz parte de um conjunto de ações da estatal para recuperar a saúde financeira, que incluem corte de despesas, diversificação de receitas e renegociação de contratos com grandes fornecedores. Um novo programa de demissões voluntárias será oferecido a funcionários de setores com desempenho insatisfatório, reduzindo a pressão sobre a folha de pagamento.
Além disso, os Correios manterão o programa de venda de imóveis ociosos. Entre os destaques recentes está um prédio em Salvador, com lance inicial de R$ 109 milhões e valor máximo estimado em R$ 145 milhões. A empresa também aposta em um marketplace, criado em parceria com a Infracommerce, com mais de 500 mil itens à venda.
O rombo nos Correios já é bilionário: no primeiro semestre, o prejuízo chegou a R$ 4,3 bilhões, mais que o triplo do mesmo período do ano passado. A empresa enfrenta queda de receitas e despesas crescentes, e críticos afirmam que ajustes anteriores foram lentos e insuficientes.
A mudança no comando da estatal, anunciada em setembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), trouxe Emmanoel Rondon, economista e servidor de carreira do Banco do Brasil, substituindo o advogado Fabiano Silva. O novo presidente enfatiza que o empréstimo e as medidas de reestruturação são fundamentais para tornar a operação dos Correios sustentável e prepará-la para voltar a ter lucro.