Construir pontes, não muros
Coluna de opinião do jornal impresso
O programa Estrada Boa Rural, lançado pelo governo de Santa Catarina sob a liderança do governador Jorginho Mello, representa um avanço raro e necessário na infraestrutura catarinense. Não é exagero afirmar que poucas políticas públicas recentes possuem um potencial tão transformador para a vida no interior quanto esta. Levar asfalto a comunidades rurais significa desenvolvimento econômico, segurança, acesso digno e valorização das famílias que produzem e sustentam grande parte da economia do estado.
Na última sexta-feira, 5 de dezembro, um ato político realizado na Linha 12 de Novembro, que integra a Grande Taborda, no interior de Campo Erê, simbolizou mais que uma simples celebração: foi a prova prática de que quando a política olha para além das disputas partidárias, quem ganha é a população. Ali se comemorou o fato de que Campo Erê venceu a etapa burocrática de apresentação do projeto para o asfaltamento de quase 7 quilômetros entre a SC-160 e a comunidade de 12 de Novembro — um trecho estratégico para escoamento da produção agrícola e para a mobilidade das famílias.
Mas dois aspectos deste caso chamam especialmente a atenção.
O primeiro é que Campo Erê, um dos primeiros municípios da região a avançar no Estrada Boa Rural, é governado por Rozane Bortoncello Moreira, do PT, partido adversário do governador Jorginho Mello, do PL. Em um estado historicamente resistente ao petismo e politicamente polarizado, esse resultado quebra narrativas, cria pontes e mostra que, quando o interesse público prevalece, o benefício chega.
O segundo ponto — e talvez o mais importante — é entender por que Campo Erê foi um dos primeiros municípios a vencer essa etapa técnica. A resposta não está na sorte. Está no planejamento. Ainda em 2022, no seu primeiro mandato, a prefeita Rozane contratou estudo técnico e determinou que sua equipe de engenharia elaborasse o projeto de asfaltamento até a 12 de Novembro. Ela sabia que, para disputar recursos, seria preciso estar preparada. Sim, buscava naturalmente a reeleição — como todo gestor político — mas enxergou além dela: priorizou projetos estruturantes, como infraestrutura e construção de escolas. E colheu os frutos. A reeleição veio com folga porque o eleitor reconheceu trabalho concreto e visão de futuro em meio a um ambiente político desafiador.
Escrevo sobre isso porque o caso de Campo Erê e o Estrada Boa Rural reafirmam uma máxima que a política insiste em esquecer: para governar é preciso construir pontes, não muros.
O governador Jorginho Mello fez bem em lançar um programa que não escolhe cor partidária. A prefeita Rozane fez bem ao planejar com antecedência e garantir que seu município estivesse pronto quando a oportunidade chegasse. E ambos, cada um a seu modo, demonstram que o desenvolvimento só acontece quando a política abandona trincheiras e se dedica ao propósito de melhorar a vida das pessoas.
Se Santa Catarina quiser continuar avançando, precisará de mais iniciativas como o Estrada Boa Rural — e de mais gestores que entendam que o futuro não se improvisa. Planeja-se. Construindo pontes. Sempre.
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