Canetas emagrecedoras ligadas à pancreatite

Alertas internacionais e dados da Anvisa indicam casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras, reforçando a importância de prescrição médica e acompanhamento em tratamento

Por Divulgação-Região

A pancreatite é uma inflamação grave do pâncreas que pode causar dor intensa, complicações severas e até levar à morte se não for diagnosticada e tratada rapidamente. (Foto: Divulgação)

A associação entre o uso de canetas emagrecedoras e casos de pancreatite aguda voltou ao centro do debate internacional neste mês, após o Reino Unido divulgar um alerta envolvendo usuários de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1. No país europeu, já são 19 mortes registradas em investigação.

No Brasil, dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontam ao menos seis mortes suspeitas e 225 casos suspeitos de pancreatite associados ao uso desses medicamentos desde 2018. As informações constam no VigiMed, sistema oficial de notificação de eventos adversos da agência.

As notificações envolvem diferentes princípios ativos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida, presentes em medicamentos amplamente utilizados no tratamento do diabetes e, mais recentemente, para emagrecimento.

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após as refeições. Ele atua aumentando a sensação de saciedade, retardando o esvaziamento gástrico e auxiliando no controle dos níveis de glicose no sangue, o que explica sua eficácia no controle do peso e do diabetes.

Além do Brasil e do Reino Unido, agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa também reconhecem a pancreatite como um possível efeito adverso relacionado ao uso desses medicamentos, ainda que raro, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo.

Especialistas e autoridades sanitárias destacam que os dados não indicam a necessidade de suspensão do uso das canetas emagrecedoras, mas alertam para o risco do uso sem prescrição ou acompanhamento médico adequado.

“A população precisa ser alertada. Esses remédios são importantes e salvam vidas, mas podem se tornar perigosos se usados por pessoas sem indicação ou de fontes duvidosas”, afirma Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Segundo a Anvisa, os 225 casos suspeitos de pancreatite foram notificados após o uso comercial dos medicamentos ou durante estudos clínicos. Os registros envolvem pacientes de estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.

A agência ressalta que os números são considerados suspeitos porque passam por análise técnica antes de qualquer confirmação definitiva. Além disso, o total pode ser maior, já que a notificação desses casos não é obrigatória por parte de médicos e hospitais.

Outro ponto destacado pela Anvisa é a existência de registros relacionados ao uso de canetas falsificadas, irregulares ou manipuladas, apresentadas como produtos originais, o que dificulta a identificação da real causa dos eventos adversos.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Entre os principais sintomas estão dor abdominal intensa, náuseas, vômitos, febre, inchaço abdominal e mal-estar geral, podendo evoluir para quadros graves se não houver tratamento adequado.

Diante do cenário, a Anvisa reforçou, em abril de 2025, a exigência de retenção de receita médica para a venda desses medicamentos. A medida busca garantir o uso seguro, com avaliação criteriosa e acompanhamento profissional, enquanto os casos seguem sob investigação.

 

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