5ª Regra – Educar é um ato de amor

Coluna de opinião do jornal impresso

Por Igor Vissotto

Continuo aqui, a trazer mais uma das regras do livro: 12 Regras para a Vida, um antídoto para o caos, de Jordan Peterson. Nesta segunda-feira, ao passar resolver uma questão na casa de uma ex-professora e amiga, tive a felicidade de encontrar outras três ex-professoras. Todas fizeram parte da minha vida durante a escolarização do ensino fundamental e médio. A felicidade em encontrá-las juntas, num ofício solidário, foi enorme. Mas enfim, voltamos ao livro:

Há regras que não se ensinam no quadro-negro. Elas se revelam na vida, quase como um sussurro antigo que só ganha sentido anos depois. A quinta regra de 12 Regras para a Vida, de Jordan Peterson, diz: “Não deixe que seus filhos façam coisas que façam você deixar de gostar deles.” Em outras palavras, educar é um ato de amor firme, daqueles que moldam caráter, limites e humanidade.

 

Mas quem disse que essa regra termina na infância?

Nesta segunda-feira, 30 de março, em Palma Sola, ela parecia viva — não em teoria, mas em lã, em suco de maracujá feito direto da fruta e em risadas que carregam mais de 4 décadas de história.

Estas quatro mulheres que, um dia, me ensinaram dentro da sala de aula, estão aposentadas; contudo, continuam ensinando — sem lousa, sem chamada, sem prova. Nilza Suffredini, Marilete Maria Schneider, Cleusa Spenassato e Cleci Pires trocaram os cadernos pelo tricô, mas não abandonaram aquilo que sempre fizeram melhor: cuidar de gente.

Toda segunda-feira, das duas às cinco da tarde, elas se reúnem para produzir toucas de lã destinadas a pacientes em tratamento contra o câncer. Um gesto simples, quase silencioso. Mas carregado de intenção, como uma aula bem dada.

 

Há algo profundamente simbólico nisso.

A regra de Peterson fala sobre formar pessoas que saibam conviver, respeitar limites e não se tornarem um peso para o mundo. Essas quatro professoras fizeram exatamente isso durante anos. E seguem fazendo. Só mudaram o formato. Antes, moldavam futuros. Hoje, aquecem presentes frágeis.

Uma delas enfrentou o câncer. Conhece, na pele, o frio que não vem do clima, mas da incerteza. Talvez por isso cada ponto de lã tenha um peso maior. Não é só uma touca. É quase um abraço que atravessa cidades levando algo que nenhuma medicação prescreve: dignidade.

Entre um chimarrão e outro, elas continuam educando. Não mais crianças e adolescentes, mas a todos nós que, apressados, esquecemos que viver em sociedade exige mais do que existir — exige responsabilidade pelo outro.

A quinta regra fala sobre criar pessoas que sejam agradáveis ao mundo. Olhando para elas, fica claro: deu certo.

E talvez a maior prova disso seja essa.

Décadas depois, um ex-aluno entra em uma sala — agora improvisada entre novelos e garagem de carros — e percebe que ainda está aprendendo. Não mais sobre gramática, números, esportes ou artes. Mas sobre algo mais essencial.

Sobre como se tornar alguém que aquece o mundo, em vez de esfriá-lo.

 

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