A campanha Maio Laranja está mobilizando Palma Sola com ações de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha é uma parceria entre o Conselho Tutelar, CRAS, Assistência Social, Secretaria de Educação, escolas municipais e estaduais e da Casa da Cidadania de Palma Sola.
De acordo com a coordenadora do Conselho Tutelar de Palma Sola, Camila Hartmann dos Santos, a programação inclui decoração temática na Casa da Cidadania, mural informativo, distribuição de panfletos educativos em parceria com o CRAS, ações nas escolas e divulgação nas redes sociais.
Segundo ela, o objetivo é ampliar o acesso à informação e incentivar a denúncia de casos de violência. “O Maio Laranja é o momento de dar visibilidade a um tema que muitas vezes é cercado de tabus”, destacou.
A psicóloga do CRAS, Giana Carla Scaratti, afirmou que a campanha é desenvolvida todos os anos e envolve ações conjuntas e individuais entre os setores da rede de proteção.
Conforme Giana, uma das atividades previstas é uma apresentação com crianças do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, com música relacionada ao 18 de Maio, além de visitas às escolas da educação infantil do município. “A gente fala em Maio Laranja, mas é um tema que a gente tem que estar alerta o ano inteiro, não somente no mês de maio, onde ganha mais visibilidade”, ressaltou.
A psicóloga explicou que a intenção é levar orientações de forma lúdica para as crianças, além de distribuir materiais informativos para que o assunto chegue até as famílias.
Camila explicou que o trabalho do Conselho Tutelar acontece tanto na prevenção quanto na proteção das vítimas. “Trabalhamos de forma preventiva, levando informação clara sobre direitos e limites do corpo, e de forma repressiva e protetiva, ao receber denúncias e aplicar as medidas necessárias para interromper o ciclo de violência”, afirmou.
Entre os sinais de alerta que podem indicar abuso estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, agressividade, regressão de etapas, medo excessivo de determinadas pessoas ou lugares e queda no rendimento escolar.
A coordenadora orienta que crianças e adolescentes procurem adultos de confiança em situações de risco. Ela reforça que denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, diretamente ao Conselho Tutelar ou ao CRAS, de forma anônima e sem julgamentos.
Outro ponto destacado por Camila é a importância do diálogo dentro de casa. Conforme ela, as famílias devem ensinar sobre limites do corpo e garantir que a criança tenha liberdade para relatar situações que causem desconforto. “O papel principal é o diálogo. A família deve ensinar a criança sobre o semáforo do toque, onde pode e onde não pode ser tocada, e garantir que ela tenha liberdade para contar qualquer coisa que a deixe desconfortável”, ressaltou.
Ela alertou sobre a subnotificação dos casos e os riscos presentes no ambiente digital. “Muitos casos deixam de chegar ao Conselho por medo, tabus ou porque acontecem dentro do ambiente familiar. Outro ponto de alerta é o uso inadequado da internet e das redes sociais, que têm se tornado portas de entrada para o aliciamento e a exploração”, comentou.
Quando uma denúncia é recebida, o Conselho Tutelar verifica a situação, aplica medidas imediatas de proteção e encaminha o caso aos órgãos competentes, como Ministério Público, Polícia Civil e rede de atendimento psicossocial.
Ao final, Camila deixou um apelo à comunidade. “Esquecer é permitir, lembrar é proteger. Neste Maio Laranja, pedimos que cada morador de Palma Sola seja os olhos e a voz das nossas crianças. Proteger o futuro deles é um compromisso que assumimos hoje”, concluiu.