A suspeita sobre quem constrói
Coluna de opinião do jornal impresso
Há uma mudança silenciosa acontecendo no debate público. Ela não vem acompanhada de sirenes, nem de grandes anúncios oficiais. Surge aos poucos, em comentários de redes sociais, em discursos políticos, no fim da escala 6x1 e até nas conversas de esquina. É a crescente desconfiança sobre quem constrói patrimônio.
O cidadão que passou décadas trabalhando para comprar uma casa já não é visto apenas como alguém que alcançou um objetivo. Dependendo do olhar, passa a ser enquadrado como privilegiado. Se possui duas casas, torna-se alvo de questionamentos. Se tem uma empresa, surge a suspeita de que prosperou às custas de alguém. Se acumulou patrimônio, logo aparece quem procure explicar por que aquilo deveria ser redistribuído.
Curiosamente, durante muito tempo, a sociedade ensinou exatamente o contrário. Estudar, trabalhar, economizar e investir eram considerados virtudes. O sonho da casa própria era celebrado. Abrir um negócio era motivo de orgulho. Construir algo para deixar aos filhos era visto como um legado familiar.
Hoje, em alguns setores do debate público, parece existir uma inversão de valores. O patrimônio deixa de ser encarado como resultado de esforço e passa a ser tratado como evidência de privilégio. O lucro deixa de ser a recompensa pelo risco e passa a ser interpretado como sinal de exploração. A herança deixa de representar a continuidade de uma história familiar e passa a ser apresentada como uma injustiça social.
Evidentemente, toda sociedade precisa discutir impostos, desigualdade e oportunidades. Essas são pautas legítimas. O problema surge quando a crítica deixa de mirar abusos e passa a mirar a própria ideia de prosperidade.
Porque existe uma diferença enorme entre combater privilégios e punir o mérito. Entre criar oportunidades para quem tem menos e transformar em suspeito quem construiu mais.
A pergunta que fica é simples: que tipo de comportamento queremos incentivar?
Se a mensagem transmitida for de que trabalhar, empreender, investir e poupar resultarão apenas em mais impostos, mais críticas e mais desconfiança, não demorará para que muita gente conclua que o esforço não vale a pena.
Nenhuma sociedade se desenvolve glorificando a pobreza. Tampouco avança demonizando quem produz riqueza. O desafio sempre foi criar caminhos para que mais pessoas prosperem, e não transformar a prosperidade em motivo de culpa.
Afinal, quando o sucesso passa a ser tratado como um problema, o risco é que a próxima geração deixe de querer construí-lo. E uma sociedade que perde a admiração por quem constrói dificilmente encontrará alguém disposto a levantar as paredes do futuro.
Daqui a pouco quem tem patrimônio vai ser tratado igual criminoso. E quem não tem nada, vais ser tratado como herói nacional. O cara que tem uma casa é considerado ganancioso, o cara que tem dois carros é considerado ostentador. O cara que tem empresa é explorador. Você já percebeu?
Quanto mais o cara constrói, mais ele é atacado. E quanto menos o cara tem, mais o sistema quer proteger ele... só que isto está acelerando!
Estão taxando herança, estão colocando imposto sobre patrimônio, dividendo vai ser tributado. Tudo está apontando para a mesma direção: Que ter as coisas é errado, construir as coisas é suspeito e quem não faz nada é prioridade do sistema!
Aí o cara vai lá, trabalha 20 anos, constrói patrimônio na raça, e agora é o alvo. O patrimônio dele é considerado excessivo, a herança dele é considerada e injusta, o lucro dele é considerado acumulação.
E quem nunca fez nada é a vítima que precisa de proteção! Proteger do quê?
Proteger a “vítima” das escolhas que ela mesma fez a vida inteira!
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