Metalpox detalha situação da Creche Doce Infância
Responsável pela execução da Creche Doce Infância de Guarujá do Sul, a Metalpox enviou nota técnica ao Sentinela, afirmando que os problemas apontados na creche não são estruturais
Em julho de 2025, o Sentinela publicou a matéria: “Creche Doce Infância enfrenta problemas estruturais”. Conforme a empresa, não há laudo técnico apontando comprometimento estrutural. (Foto: Igor Vissotto)
Em julho de 2025, na edição 843, o jornal Sentinela do Oeste publicou a seguinte matéria: “Creche Doce Infância enfrenta problemas estruturais”, abordando situações relatadas pela direção da unidade e pela Secretaria de Educação de Guarujá do Sul. Entre elas, dificuldades no sistema de captação de água da chuva, infiltrações, estufamento de pisos e outras necessidades de manutenção observadas após o início das atividades da creche.
A Creche Municipal Doce Infância, localizada na Rua Antônio Duarte da Rosa, foi entregue à comunidade em julho de 2023, porém as atividades só iniciaram no início do ano letivo de 2024. Construída em modelo modular, a creche atende crianças de quatro meses a 2 anos de idade. A obra custou em torno de R$ 3 milhões aos cofres públicos e foi executada pela empresa Metalpox Indústria e Comércio de Móveis Ltda., de Xanxerê-SC.
Recentemente, o engenheiro mecânico da Metalpox, Gabriel Eduardo Calza, procurou a redação para apresentar uma nota técnica e documentos referentes ao sistema construtivo utilizado na obra. Segundo a empresa, embora os apontamentos mencionados na reportagem tenham motivado vistorias e intervenções corretivas, a expressão “problemas estruturais” não representaria adequadamente a situação técnica da edificação.
Conforme a empresa, não há laudo técnico apontando comprometimento estrutural ou risco à segurança dos usuários. A construtora sustenta que as situações relatadas referem-se principalmente ao sistema de captação de água da chuva, pontos localizados de infiltração, drenagem e elementos de acabamento.
A Metalpox informou que realizou vistoria técnica após ser notificada pelo município, executou reparos corretivos e apresentou relatórios e ensaios técnicos relacionados à resistência mecânica, estanqueidade, desempenho termoacústico e resistência ao fogo do sistema construtivo utilizado na obra.
A seguir, o Sentinela do Oeste publica a nota técnica encaminhada pela empresa na íntegra.
Nota técnica na íntegra
“Inicialmente, a empresa reforça seu compromisso com a qualidade, segurança e funcionalidade da obra executada, bem como sua postura colaborativa junto à Administração Municipal desde o recebimento das notificações relacionadas a ajustes e manutenções corretivas identificadas após o início das atividades da unidade escolar.
Assim que formalmente notificada, a METALPOX realizou vistoria técnica no local em 04 de abril de 2025, data anterior à publicação da matéria, iniciando imediatamente os atendimentos necessários e mantendo diálogo permanente com o município para apuração das causas e execução das medidas corretivas cabíveis.
Entendemos importante esclarecer um ponto específico relacionado ao título da reportagem publicada: “Creche Doce Infância enfrenta problemas estruturais”. Sob o ponto de vista técnico, a expressão “problemas estruturais” pode induzir o leitor à interpretação de que a edificação apresenta comprometimento de estabilidade, risco estrutural ou insegurança aos usuários, circunstância que não corresponde aos fatos atualmente apurados e aos próprios pontos descritos na matéria.
A estrutura modular utilizada na Creche Doce Infância, desenvolvida pela METALPOX, passou por diversos ensaios técnicos e processos de validação antes de sua comercialização, atendendo e, em diversos critérios, superando os requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15.575, norma que regulamenta o desempenho de edificações.
O sistema estrutural da edificação foi devidamente dimensionado com fatores de segurança compatíveis às exigências técnicas aplicáveis, assegurando plena estabilidade, funcionalidade e segurança aos usuários da unidade escolar. Até o presente momento, não há qualquer laudo técnico conclusivo que indique comprometimento estrutural da edificação ou risco à integridade dos usuários.
As situações mencionadas na reportagem referem-se, principalmente, a questões relacionadas ao sistema de captação de água, pontos localizados de infiltração, ajustes em elementos de acabamento e estufamento pontual de piso laminado, não havendo, até o presente momento, qualquer laudo técnico conclusivo que indique comprometimento estrutural da edificação ou risco iminente aos usuários da creche.
A utilização da referida expressão, especialmente em destaque na manchete, pode gerar interpretação equivocada por parte da comunidade, associando indevidamente os fatos narrados à segurança estrutural do sistema construtivo modular utilizado na obra e à qualidade técnica das edificações executadas pela METALPOX.
Dito isso, detalhamos os problemas relatados de forma técnica:
Com relação ao sistema de reaproveitamento da água da chuva, esclarece-se que o projeto original prevê captação por gravidade até a cisterna e posterior bombeamento para uma das caixas d’água da edificação, destinando a água ao reuso em vasos sanitários e torneiras externas. As causas da ausência momentânea de água presente no reservatório não necessariamente classificam uma falha em seu funcionamento, visto que a água armazenada é direcionada por meio de bombas elétricas a uma das duas caixas de água instaladas ao lado da edificação, o fato da cisterna estar vazia pode significar que ela está bombeando água corretamente.
Para entender se existem problemas na alimentação da cisterna é preciso de uma análise técnica do sistema como um todo, conferindo os sistemas de drenagem, a existência de água na caixa de água da cisterna, a realização de manutenção periódica, entre outros.
Quanto aos pontos de umidade e estufamento observados em algumas salas, a empresa esclarece que, durante a vistoria técnica, foi identificada a existência de grama sintética instalada sobre o sistema de drenagem pluvial da edificação, situação que pode comprometer o escoamento adequado da água e contribuir para aumento de umidade nas áreas adjacentes ao prédio. Além da grama sintética, foi identificado uma tubulação marrom proveniente dos ares condicionados, fatores que somados, obstruem o sistema de drenagem e favorecem o acúmulo de água.
Também foram identificadas intervenções posteriores na cobertura da edificação, especialmente relacionadas à instalação de placas solares por empresa terceirizada. Conforme laudo técnico previamente emitido pela própria METALPOX, a instalação deveria observar critérios específicos de fixação estrutural. A inobservância dessas orientações pode contribuir para deformações localizadas na cobertura e possíveis ocorrências de infiltração.
A empresa esclarece ainda que todos os reparos corretivos já foram executados, incluindo substituição de pisos laminados em salas de aula e biblioteca, reforço de vedação e adequações técnicas em pontos específicos da edificação.
Atualmente, não existem indícios de risco estrutural iminente na obra, conforme laudos e vistorias técnicas já realizados.
A METALPOX reforça que permanece à disposição da Administração Municipal para continuidade dos acompanhamentos técnicos necessários, sempre pautada pela boa-fé, transparência e compromisso com o interesse público.
Por fim, a empresa agradece ao Jornal Sentinela pela abertura ao diálogo e pela oportunidade de complementação das informações técnicas, contribuindo para que a comunidade tenha acesso aos fatos de forma ampla, equilibrada e contextualizada.
Reiteramos nossa total disposição para colaborar com a Administração Pública, sempre em estrita observância à legislação vigente, às boas práticas da engenharia civil e aos princípios que norteiam o interesse público. Também nos colocamos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais.”
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