O Ministério da Saúde está implementando mudanças no rastreamento do câncer do colo do útero, com a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular DNA-HPV. Em Flor da Serra do Sul, a enfermeira Diana Silvestro, que atua no posto de saúde e em programas como a Clínica da Mulher, explica que a mudança busca ampliar a detecção precoce do vírus e melhorar a prevenção da doença.
O novo teste identifica a presença do papilomavírus humano (HPV), especialmente os tipos 16 e 18, associados ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. Diferentemente do Papanicolau, que detecta alterações nas células, o teste molecular pode identificar o vírus antes do surgimento de lesões, permitindo que a paciente receba acompanhamento conforme a necessidade.
Segundo Diana, alguns tipos de HPV podem levar de 10 a 15 anos para provocar alterações. A expectativa é que o novo método contribua para reduzir os casos graves e as mortes causadas pela doença. A enfermeira destaca que a vacinação contra o HPV representa outro avanço importante na prevenção.
Coleta seguirá critérios do Ministério da Saúde
Durante a transição, o município continuará realizando o Papanicolau conforme as orientações do Ministério da Saúde, priorizando as mulheres que estão no período recomendado para a coleta. Após dois exames anuais consecutivos com resultados normais, o intervalo passa a ser de três anos.
Segundo Diana, a equipe verifica o histórico da paciente para avaliar a necessidade de uma nova coleta. Mesmo fora desse período, as mulheres podem procurar a unidade para consultas, orientações e avaliação de sintomas, como corrimentos.
Novo exame terá intervalo de cinco anos
A faixa etária prevista para o rastreamento de rotina com o DNA-HPV é de 25 a 64 anos. A implantação será gradual, começando por determinadas faixas etárias e avançando conforme a disponibilidade dos testes e a organização dos serviços de saúde.
O procedimento de coleta será semelhante ao atual, mas utilizará um meio líquido, com envio da amostra ao laboratório. O mesmo material poderá ser utilizado para o teste molecular e, quando indicado, para a realização do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau.
Se o resultado do DNA-HPV for negativo, a previsão é que a próxima coleta ocorra em cinco anos. Em caso positivo, a paciente passará por avaliação para definir a necessidade de exames complementares e acompanhamento ou tratamento, conforme os protocolos clínicos.
Diana ressalta que a coleta deverá ser realizada com técnica adequada, devido à importância de aproveitar corretamente cada amostra. A equipe aguarda orientações e capacitações específicas para a implantação do novo método no município.
Cuidados devem continuar
A enfermeira reforça que as mulheres devem manter o acompanhamento de saúde mesmo quando não estiverem no período de realizar o exame preventivo. Consultas, orientações sobre contraceptivos, avaliação da saúde reprodutiva e verificação da necessidade de mamografia continuarão sendo realizadas conforme cada caso.
A necessidade de rastreamento após a retirada do útero depende do procedimento realizado e do histórico clínico. Mulheres que tiveram câncer do colo do útero precisam seguir acompanhamento especializado, enquanto outros casos devem ser avaliados individualmente pela equipe de saúde.
Diana orienta, ainda, que a prevenção inclua a vacinação contra o HPV, alimentação equilibrada, atividade física e cuidados com os hábitos de vida, evitando o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e outras práticas prejudiciais à saúde. A recomendação é que as mulheres procurem o posto de saúde para esclarecer dúvidas e manter os exames em dia, conforme as orientações dos profissionais.