01/08/2015 às 14h42min - Atualizada em 01/08/2015 às 14h42min

Criminalidade aumenta por falta de policiais civis

Em Palma Sola faltam policiais civis, os índices de criminalidade aumentaram, mas o efetivo é o mesmo de 30 anos atrás. Leia nesta entrevista o quê o delegado Eduardo Mattos diz a respeito

Igor Vissotto/Analiza Vissotto
Palma Sola
ASO/Igor Vissotto

Em entrevista ao jornal Sentinela do Oeste ainda no mês de junho, o delegado que atende o município de Palma Sola, Eduardo Francisco de Mattos, falou sobre os índices de homicídio de Palma Sola, que neste ano é um dos maiores da região, e em como a falta de efetivo da Polícia Civil influencia no aumento da criminalidade.

Até o final do mês de junho o delegado, Eduardo, além de atender a comarca de Dionísio Cerqueira que abrange Palma Sola, também estava respondendo pelos municípios de Anchieta, Romelândia, Maravilha, Tigrinhos, Iporã do Oeste, Iraceminha e São Miguel da Boa Vista.

 

Temos apenas uma policial civil trabalhando diariamente em Palma Sola. Pessoas presas logo são liberadas pela justiça e o aumento no número de furtos e roubos aumenta a sensação de insegurança entre os palmassolenses. É possível apontar a raiz desta insegurança?

Bom, eu acredito que são vários os fatores e causas da finalidade que poderiam ser estudados. Desde órgão social, desestruturação familiar, causas de ordem econômica que existe no município, como a desigualdade social, má distribuição de renda, que acaba principalmente fomentando os crimes patrimoniais, e que agora começaram a eclodir no município.

Percebemos que houve um aumento da criminalidade nesse ano, por exemplo, quatro homicídios para uma cidade como Palma Sola é algo que foge da normalidade. E se você parar para ver, os casos estão relacionados ao consumo excessivo de álcool, e também 80% deles, são relacionados a questões familiares que é difícil de você fazer uma prevenção. Como a polícia vai prevenir os conflitos familiares? Por exemplo, a questão do álcool poderia ser feito algum projeto específico nas Prefeituras, algo pra combater esse problema.  

 

O quê o senhor tem a dizer sobre os índices de criminalidade em Palma Sola?

Palma Sola está com índices maiores que Dionísio Cerqueira, que é a sede da Comarca. Lá foram dois homicídios. Está maior que em São Miguel do Oeste, também. Os furtos, tínhamos um grande problema há um ano e meio, devido a questão do tráfico. Havia uma organização que estava no tráfico e isso sim fomentava furtos, roubos crimes patrimoniais, porque o viciado não tem dinheiro e vai furtar para trocar por droga. Ao invés de combatermos o furto que não mantém ninguém preso, focamos no tráfico que eram as causas dos furtos, e fizemos uma operação muito grande. Prendemos quase 15 pessoas, entre eles 95% ainda estão pagando pena em regime fechado.

Algumas condenações já saíram e alguns investigados estão com penas de 13 anos. Na época isso foi um santo remédio, reduziu muito, porque a instituição Polícia se fez presente. Contamos com o apoio de toda a região. E para o cumprimento da operação tivemos a participação de policiais do Estado inteiro. Naquele contexto essa ação surtiu efeito, os bandidos e criminosos foram presos, mas o tempo passa e surgem outros. Se eu falar que tem uma policial lá [Palma Sola é atendida atualmente somente pela agente investigadora da Polícia Civil, Deise Luciana Bordin], você acha que vamos conseguir dar atenção aos 50 furtos que já ocorreram esse ano no município? É uma ilusão, você acha que vai fazer o Boletim de Ocorrência, e vamos conseguir localizar os acusados? Para resolver tantos casos precisaríamos de um efetivo muito maior.

 

Enquanto sociedade organizada, o quê os palmassolenses podem fazer para aumentar o efetivo da Polícia Civil?

Palma Sola conta com uma Delegacia Municipal com comarca em Dionísio, então uma solução seria ter uma Comarca em Palma Sola. População e índice criminal para isso já tem, é o caso de Campo Erê entre outros. Mas para isso teria que apresentar esses dados a cúpula civil, que seria o secretario de Estado de Segurança Pública, César Grubba. Também poderia ser procurado o Ministério Público para entrar com uma ação civil pública. Acho que já corre uma ação civil aqui por Dionísio. Tendo os dados estatísticos, que são públicos, e apresentar a eles.

 

Outro caso que a população estranhou foi o que aconteceu em abril de 2014, quando a Agência do Correio foi assaltada a mão armada. Sendo uma instituição federal, a Polícia Federal investigou e em poucos dias o crime foi solucionado, e os envolvidos presos. Diante dos últimos furtos, das pessoas presas e soltas o cidadão se sente inseguro, afinal a polícia civil não teve a mesma eficácia e agilidade.

A vida não está atrelada a Município, Estado ou Federação. Focamos nos crimes contra a vida por que são os crimes que o código penal atribui a maior pena, são os crimes mais graves e mais causam repercussão. Esse crime do Correio, conseguimos ir atrás porque também é um crime grave [contra um bem federal], com pena de 15 anos, e aí você investiga porque consegue manter o cara preso por mais tempo. E nós tínhamos imagens do suspeito e um caso semelhante a um assalto ocorrido dias antes numa cooperativa de crédito da cidade.

 Nos casos de furto, que ninguém viu, ninguém sabe, você não tem por onde começar. É o crime mais difícil de investigar, que exige mais empenho, e menos dá resultado, pois muitas vezes nem se mantem o acusado preso. Neste caso não é porque foi dada uma atenção especial, é porque a Polícia Federal atende a menos crimes, sendo que a Polícia Civil fica com 90% dos casos. Para a Polícia Federal cabem os crimes que interessam e afetam bens da união.

 

Quem é o culpado por termos tanta demanda de ocorrências e não se conseguir dar atenção especial a todos?

É o Estado. Recentemente foi firmado um convênio com a união onde acaba vindo bastante verba. O convênio prevê que o ente federal fornecerá bens materiais como viaturas, e em contrapartida o Estado fica comprometido a fornecer os policiais, no entanto a criminalidade aumentou e o efetivo é praticamente o mesmo. Por exemplo, houve um aumento de 400% na criminalidade de roubo e tráfico, mas o efetivo é o mesmo. O problema é a falta de efetivo. A falta de policiais civis é a resposta pela impunidade em Palma Sola, a falta de efetivo é responsável pelo aumento da criminalidade.

 

Sobre o caso recente, das pessoas que foram presas em Palma Sola, pelo crime de tortura. Muitas pessoas falaram que foi injusto, porque as pessoas estavam fazendo justiça com as próprias mãos, diante da leniência do Estado.

 

Fazemos o que está na lei. O juiz fez o que está na lei, a Polícia cumpriu a lei, se tem uma coisa que precisa ser alterada é a lei, e quem altera a lei são os políticos. E quem elege os políticos é o povo.

A Polícia é o braço que executa. A cabeça que pensa está no legislativo e no governador. Quem contrata os policiais são eles. 


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