05/11/2020 às 06h01min - Atualizada em 05/11/2020 às 06h01min

Pesquisa revela diminuição de leitores no país e aumento do uso de WhatsApp

Falta de tempo foi o principal motivo apontado. Para Reinaldo Guimarães, a leitura não deveria ser esquecida

Larissa Dias
Da redação
O Dia Nacional da Leitura, comemorado na primeira quinzena deste mês, não contou com muitos motivos para comemorar. De acordo com a 5º edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada semana passada, em quatro anos o país perdeu mais de 4,6 milhões de leitores. Os dados foram coletados entre outubro de 2019 e janeiro de 2020. A coordenadora do estudo alerta que a internet e as redes sociais são as maiores razões para a significativa queda no percentual de leitores. Já a maior parte dos entrevistados cita a falta de tempo.
 
Falta de tempo
A pesquisa, feita pelo Instituto Pró Livro em parceria com o Itaú Cultural, aponta que o brasileiro lê, em média, cinco livros por ano. Destes, 82% gostariam de ter lido mais – quase a metade diz que não o fez por falta de tempo. Entretanto, a forma como o brasileiro usa seu tempo livre acompanha a tendência dos últimos anos: crescimento do uso da internet (66%, contra 47% em 2015) e do WhatsApp (62%, contra 43% em 2015). Os especialistas lembram que, mesmo preferindo a leitura no papel, é possível utilizar esse tempo na internet de modo positivo. De acordo com o estudo, 37% da população brasileira já leu livros digitais — a maioria pelo smartphone. A faixa etária que mais aposta neste modelo de leitura é dos 18 aos 24 anos.
 
Opinião de um grande leitor
Para o sulflorense Reinaldo Guimarães, de 72 anos, a leitura não deveria ser esquecida, porque por meio dela, adquirimos conhecimento, imaginação e cultura. “Bons livros estão sendo trocados por celulares, jornais estão sendo usados apenas em dias de chuvas para limpar os sapatos, e assim por diante. O que não envolve tecnologia está sendo esquecido. O engraçado, é que até as emissoras de televisão estão sendo deixadas de lado, porque as pessoas interagem mais pelas redes sociais e preferem assistir filmes na Netflix”, comenta.
À redação, o colunista frisa que no seu tempo de escola, a leitura era obrigatória e quem não lia, era castigado. “Lembro que era de um a dois livros por mês. Hoje, continua-se tendo a aula de leitura nas escolas, mas são poucos os que realmente leem. É deplorável. Os livros são fontes de conhecimento. Não ler é como ficar estagnado onde a tecnologia desejar”, enfatiza. “Desde as primeiras Eras, o ser humano sempre teve desejo de saber, mas com a tecnologia, as coisas passaram a ser fáceis demais, e com isso, as pessoas perderam o hábito de pegar um livro para ler. A vida das pessoas está mais agitada”, continua.
Segundo Reinaldo, ler é um método de relaxamento e onde esquecemos um pouco dos problemas e entramos na vida dos personagens. “O vocabulário melhora com a leitura de bons livros. Vejo que as pessoas deixaram de escrever corretamente, muitas vezes leio textos em minhas redes sociais que estão com palavras pela metade. Em menos de duas décadas, tudo mudou. Para o bem ou para o mal, a internet veio para ficar e só aumentará. A redução no número de leitores é triste, mas faz parte do novo século”, finaliza.
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