36 anos do Cedup de Campo Erê

Neste ano a escola completou 36 anos, e durante este tempo muitas mudanças e projetos sustentáveis surgiram, como o projeto SAF

Por Ruthe Kezia -

O Cedup está instalado na Fazenda Primavera, quilômetro 7 da SC-160 e conta com uma estrutura de 48 hectares e aproximadamente 3 mil metros de área construída.

Neste ano, a escola agrícola Cedup de Campo Erê completou 36 anos. O Cedup é referência na região, a única escola profissionalizante no município de Campo Erê e na regional de São Lourenço do Oeste, além de ser uma das cinco escolas técnicas do estado de Santa Catarina. A escola atende 171 alunos, divididos em sete turmas. O Cedup está instalado na Fazenda Primavera, quilômetro 7 da SC-160 e conta com uma estrutura de 48 hectares e aproximadamente 3 mil metros de área construída. A construção da escola ocorreu entre os anos de 1986 e 1988. A inauguração foi um evento que reuniu muitas pessoas, e foi nesta inauguração que o Coral de Campo Erê fez sua primeira apresentação. “Na época a estrutura da escola era pequena, não tinha muitas árvores ou espaços verdes, era uma grande lavoura. Não havia animais e pouquíssimos materiais didáticos, que foram doações de professores. Recebemos na escola 60 alunos e fizemos acontecer. Lutamos muito. A escola contou com a ajuda de fazendeiros e granjeiros vizinhos, que emprestaram máquinas e forneceram insumos para construção da primeira horta”, lembra o professor Nelson Rintzel. Segundo ele, muita coisa era improvisada e na época não havia internato. Posteriormente a biblioteca foi transformada em um dormitório para alunos. “A estrutura era mínima, mas o pessoal tinha muita garra e trabalhava para que a escola se tornasse o que é hoje”, detalha Nelson. A escola, até o ano 2000 fornecia o curso de pré-qualificação em agropecuária, que atendia alunos da 5º até a 8º série. Após 2000, o ensino passou a ser técnico em agropecuária e atender somente os alunos do ensino médio. Nesses 36 anos de história, muita coisa mudou. Novos desafios surgiram e também novos projetos sustentáveis: “Partimos do princípio da sustentabilidade, todos os nossos projetos são desenvolvidos com baixo impacto ambiental”, declara o professor Nelson. Alindo teoria e prática em setembro de 2023, a escola criou o projeto Sistema Agroflorestal – SAF.   Projeto SAF Quando o Cedup iniciou o projeto SAF, já haviam árvores plantadas no espaço. Nelson, que além de professor também é coordenador do projeto, relata que optaram em plantar juntamente com as árvores, as hortaliças, chás, temperos e entre outros. “Assim, a probabilidade de haver pragas e insetos em um canteiro com biodiversidades, é menor”, relata o professor. No projeto, não é feito o uso de agrotóxico. Quando surgem pragas entre as plantas, o professor Nelson juntamente com os alunos, utilizam um produto feito à base de ervas, produzido por eles. Também batem no liquidificador as pimentas mais fortes e depois pulverizam nas plantas: “Além disso, se utilizarmos uma colher de óleo de cozinha e uma colher de detergente, em um litro de água, é possível eliminar quase todos os insetos com essa receita”. “O nosso objetivo aqui é produzir de maneira saudável, porque o alimento pode te levar a ter saúde ou uma doença”, ressalta o professor. Ele ainda acrescenta que grande parte dos alimentos expostos nas prateleiras dos mercados não são saudáveis, por isso que a escola produz grande parte de seu próprio alimento. As plantas que não são consumidas no Cedup, são vendidas para comprar mais sementes. Para desmistificar e mostrar aos alunos as diferentes formas de um canteiro, no projeto há canteiros redondos, meia lua e retangular: “Optamos em fazer assim, para tirar da cabeça do aluno que tudo deve ser em um único modelo. Eu dou aula há 36 anos e cada vez mais, as novas turmas vêm programadas”, relata o professor Nelson.
Ele conta que o projeto tem ajudado os alunos a aprender na prática, as diversas possibilidades de um canteiro, formas de plantar e entender melhor sobre cada planta: “O projeto SAF, é uma extensão do conteúdo estudado em sala de aula. Quando eu percebo que em sala de aula eles não estão absorvendo 100% do conteúdo, eu os trago aqui para poderem visualizar como funciona na prática”, finaliza o professor Nelson. Encontrou algum erro? Clique aqui.
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FONTE: Campo Erê