A Secretaria de Saúde de Campo Erê realizou no mês de março o Programa Saúde na Escola (PSE), onde foram avaliadas a saúde bucal das crianças da rede de ensino municipal e dos alunos da APAE. O programa tem como objetivo incentivar a higiene bucal desde a infância e reduzir a incidência de cáries e outros problemas dentários. Além disso, neste ano o programa contou com o suporte de uma técnica em higiene bucal, profissional esta que o município não ofertava há 10 anos.
A dentista do Saúde da Família II, Lya Raimundi, e a técnica em saúde bucal, Tânia Mara Riffel, foram até as escolas e a APAE e realizaram a avaliação bucal de todas as crianças, totalizando 1.263 alunos avaliados. Em casos de cárie, as profissionais encaminharam as crianças para a Unidade Básica de Saúde (UBS), para que fosse feita a extração.
Dentre os 1.263 alunos avaliados, 422 precisaram ser encaminhados para avaliação em consultório, seja por cárie, gengivite ou extração. A técnica Tânia comenta que ainda faltam ser avaliados em média de 100 alunos: “Na data em que marcamos para ir à escola, havia quatro turmas dispensadas. Então dia 11 será finalizada a avaliação, acredito que em torno de 20 avaliações irão dar alteradas”.
"Queremos evitar que as crianças cheguem até nós com problemas já instalados. Nosso objetivo é educar para que a saúde bucal se torne um hábito ao longo da vida", destaca a dentista Lya Raimundi.
A importância da prevenção e o papel dos pais
A estratégia do programa inclui avaliação odontológica, ensino sobre escovação e uso do fio dental, além da aplicação tópica de flúor. Para que o Programa tenha melhores resultados, a técnica em higiene bucal realiza visitas mensais para acompanhar os alunos, reforçando a importância dos cuidados diários.
Apesar dos esforços da equipe de saúde, ainda há desafios a serem superados. "Muitos pais só procuram atendimento odontológico quando recebem um bilhete informando sobre a necessidade de tratamento para seus filhos. A prevenção precisa ser uma responsabilidade compartilhada entre a família, escola e serviço de saúde", destaca Tânia.
Novidades e expansão do programa
A Administração Municipal em parceria com a Secretaria de Saúde, implantou neste ano o uso da dedeira de silicone para higiene bucal de bebês, que será distribuída às gestantes em sacolas especiais. "Queremos estimular o cuidado desde os primeiros meses de vida, fazendo a higiene bucal com a dedeira até o nascimento do primeiro dentinho”, destaca Lia. Acrescenta que ao nascer o primeiro dentinho as mães devem iniciar a escovação com creme dental com flúor.
“O interessante agora, é que iremos começar a trabalhar com as crianças desde o berçário, onde iniciamos com a dedeira de silicone, e vamos avançando as etapas”, relata Lya.
Outra medida inovadora é a inserção da escovação supervisionada nas turmas de ensino integral: "Muitas crianças passam o dia todo na escola sem realizar uma boa higiene bucal. Com essa ação, garantimos pelo menos uma escovação eficaz diária", comenta a dentista. Os kits de higiene bucal, contendo escova, pasta e fio dental, serão fornecidos gratuitamente a cada três meses.
Investimentos em equipamentos e atendimento qualificado
Nos últimos anos, a gestão municipal tem investido em materiais de qualidade e equipamentos modernos, garantindo um atendimento odontológico mais eficiente. "Hoje temos resinas, esterilização de materiais de ponta e até um destilador de água para otimizar os processos. A qualidade do atendimento é prioridade", reforça a equipe.
Além das consultas realizadas nas unidades básicas de saúde, há encaminhamentos para procedimentos mais complexos, como tratamento de canal e cirurgias, que agora podem ser feitos dentro do próprio município, reduzindo a necessidade de deslocamento para outras cidades.
Mudando a cultura de cuidado com a saúde bucal
Mesmo com os avanços, ainda existe um desafio cultural, muitas pessoas só procuram o dentista quando sentem dor ou quando os problemas bucais já estão avançados. A dentista Lya relata que essa cultura vem de dentro de casa e que os pais precisam estimular os seus filhos: “A parte de dentista, no consultório, a gente faz, mas o acompanhamento em casa, os pais têm que fazer”.
Tânia comenta que recebem muitos pacientes jovens de 20 a 30 anos que acham bonito ter uma dentadura na boca. Ela acrescenta que, em alguns casos, pedem para extrair um dente que pode ser salvo para colocar uma dentadura. “É um trabalho formiguinha, estamos fazendo hoje a prevenção, para diminuir os casos lá na frente”, finaliza a técnica em saúde bucal, Tânia.